Margrethe Vestager, Comissária Europeia para a Concorrência, esteve presente no terceiro dia da Web Summit (7) para falar sobre o tema “Como construir uma economia digital mais justa”.  “Penso que nenhum de nós sabe ao certo o tipo de tecnologia que teremos em dez, vinte anos. Mas uma certeza podemos ter: mudará as nossas vidas. E não apenas a vida de um investidor, ou fundadores, mas a vida de todos os cidadãos”, referiu Vestager.

“Antes de abraçarmos por completo os benefícios da tecnologia, precisamos de saber os riscos que ela acarreta”. A revolução tecnológica assemelha-se a uma montanha-russa na qual, afirma, “só entraremos se podermos assegurar a nossa segurança”. Esse é o desafio. Onde encontrar, então, confiança e segurança? Dados roubados e usados incorretamente, empresas que abusam do poder nos mercados, são cenários que têm, segundo Margrethe, ameaçado a confiança dos consumidores. Assim,  no debate entre pessimistas e otimistas acerca do futuro da tecnologia, a chave é “torná-la segura para a tornar aceite”. A segurança que existe no mundo não digital deve imperativamente existir no mundo online.

Margrethe Vestager, Web Summit 2018

“A razão pela qual a inovação é importante é porque torna as nossas vidas melhores. Por isso, não devemos colocar de lado valores como democracia, privacidade e justiça em nome da inovação. Ela deve permitir e ser construída precisamente com base nesses valores”, afirma a Comissária Europeia. A concorrência económica é também um fator importante na possibilidade de conjugar inovação com os valores enunciados. É aqui que Margrethe nos fala da importância da abertura dos mercados a novas e mais pequenas empresas, sob pena de, se tal não acontecer, todo o poder e inovação se encontrarem concentrados em  gigantes como a Google.

“Mas precisamos de mais”, avança, “precisamos de leis que protejam a privacidade”, “precisamos de proteger as eleições que estão à porta”, num momento em que o digital está a transformar a nossa democracia. O objetivo fundamental é “criar tecnologia que nos sirva, no lugar de se servir a si própria”.

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