Ao fim de um dia de protesto, os precários da RTP foram recebidos pela administração do grupo. À saída do encontro, os trabalhadores afirmam que esta defende “que recorrer a recibos verdes é perfeitamente legítimo em muitas situações” e acrescentam que os gestores defendem isso “como uma medida de gestão“, fez saber João Torgal, jornalista da Antena 1, à Agência Lusa.

Da reunião marcada para as 18h e que durou mais de duas horas, os trabalhadores saíram “desagradados“, afirmando que “não houve qualquer proposta concreta” e repetindo que a estação pública mudou de posição “a meio do jogo” quando alterou vários dos pareceres que tinha enviado às comissões de avaliação do Programa de Regularização Extraordinária de Vínculos Precários do Estado (PREVPAP) de positivos para negativos, inviabilizando a integração de vários trabalhadores nos quadros.

De acordo com João Torgal, apenas foi dito “que estariam disponíveis para alterar situações pontuais“, mantendo o impasse que levou esta segunda-feira (5) à paralisação de várias dezenas dos mais de 300 trabalhadores da RTP que estão com falsos recibos verdes.

Jornalistas, tradutores, locutores, repórteres de imagem e outros trabalhadores precários do grupo público não trabalharam, o que motivou constrangimentos na produção de vários programas e nos vários serviços noticiosos dos canais.

A iniciativa, que foi acompanhada por um protesto no exterior da sede da empresa, teve como objetivo chamar a atenção do Governo para a situação, que em alguns casos inclui trabalhadores com mais de 15 anos de serviço.

Mais de 300 pessoas sem respostas

Das mais de 300 pessoas que se inscreveram no PREVPAP, apenas 130 tiveram luz verde para a integração. E mesmo essas não tiveram ainda a sua situação resolvida. O processo não tem ainda prevista uma data de resolução final para os precários da rádio e televisão públicas.

Os sindicatos da RTP (Sindicato dos Jornalistas, Sindicato dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual e Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual) manifestaram solidariedade face a este protesto. Num comunicado conjunto lamentam que, passados cinco meses após o prazo oficial para concluir o PPEVPAP, não tenha havido qualquer integração de trabalhadores, quer na RTP, quer na Lusa, ambas empresas do setor empresarial do Estado.

A administração da RTP não se pronunciou, até ao momento, sobre o assunto.