É já esta quinta-feira, 8 de novembro, que a Poesia de António Botto chega às bancas. A publicação reúne a poesia do escritor português, entre 1921 a 1959, numa edição de Assírio & Alvim.

“O único exemplo em Portugal da realização literária, de qualquer espécie, do ideal estético”, foi assim que Fernando Pessoa, seu editor e tradutor, descreveu um dia António Botto. Também o poeta Joaquim Manuel Fernandes defendeu que “em Portugal, vale ainda hoje como resistência sexual a poesia de Botto”. Inegável é que Botto é um dos mais marcantes poetas do início do século XX transformando esta compilação da sua escrita num clássico para qualquer amante da literatura portuguesa.

Eduardo Pitta é o responsável pela edição, cronologia de vida e introdução – onde é prometido aos leitores conhecer tanto os sucessos como as controvérsias do poeta. Da vasta obra de Botto, o livro inclui o famoso Canções (uma coleção de quinze livros), o conjunto de poemas em prosa Cartas Que me Foram Devolvidas e o póstumo Ainda Não se Escreveu.

Uma vida dedicada à poesia

“Afirmam que a vida é breve,
Engano, – a vida é comprida:
Cabe nela o amor eterno
E ainda sobeja vida”

Assim escreveu António Botto, num dos vários poemas escritos ao longo de uma vida que nem sempre foi a mais fácil. Nasceu a 1897, em Abrantes, num ambiente proletário antes de se mudar para Lisboa. Estreou-se na poesia em 1921, ano em que publica Canções, com prefácio de Teixeira de Pascoaes.

Esta foi uma das obras mais famosas e que mais controvérsias gerou na sociedade portuguesa da época devido às suas referências homossexuais. Para além de poeta, Botto foi também contista e dramaturgo. Parte da sua obra poética foi traduzida por Fernando Pessoa, seu contemporâneo, com o título Songs, em 1948.

Pessoa foi também defensor crítico de António Botto, tendo escrito o ensaio António Botto e o Ideal Estético em Portugal. Mas esta defesa do poeta veio já tarde. Totalmente criticado e mal visto em Portugal, Botto mudou-se para o Brasil em 1947. Foi no Rio de Janeiro que acabou por morrer atropelado em 1959.

E, é desde o início da sua vida literária até ao seu fim, que o livro Poesia leva os leitores e fãs de António Botto numa viagem pelo mundo do autor.

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