No último sábado, dia 27 de outubro, Mallu Magalhães apresentou-se no Coliseu do Porto. Foi esta a última data da sua tour Vem. Com o mesmo nome, o seu álbum mais recente foi o destaque de um espetáculo repleto de ternura encantadora.

Os momentos iniciais do concerto foram frontais e sem rodeios: Mallu fez-se à música e transmitiu de imediato um bem-estar sorridente. Apesar das suas canções transbordarem dessa atitude positiva, notava-se que ela ia para além das notas que tocava e das palavras que cantava.

Fotografia: Mariana Gomes

Saltitando entre temas seus e da Banda do Mar, Mallu aventurou-se também por canções que proporcionaram alguma variedade ao alinhamento da noite. Quando a sua banda abandonou o palco e deixou Mallu por sua conta, foi o registo íntimo que dominou. Mallu brindou a audiência com uma interpretação instrumental de Luis Bonfá e convidou Marcelo Camelo, o seu marido, a ocupar lugar ao seu lado. Em dueto, juntos cantaram Janta.

Em certas instâncias foi estabelecido diálogo entre o público e Mallu que transformou a sua pequenina timidez em charme. A artista fez questão de agradecer inúmeras vezes a todos que lá estavam presentes, dando a entender que ainda lhe era surreal a ideia da digressão ter a sua conclusão naquela noite. Não obstante, soube aproveitar o momento em todas as suas músicas.

Fotografia: Mariana Gomes

Não houve nenhum segundo que não fosse caracterizável como “querido”. Tanto as canções mais reconhecíveis de Mallu como as possam passar despercebidas, o Coliseu parecia estar a receber constantemente uma espécie de abraço coletivo. No entanto, é claro que os já adorados temas como Sambinha BomVelha e Louca e Mais Ninguém fizeram com que o abraço por vezes fosse mais apertado.

O fim do concerto foi marcado por dois encores sendo que um deles não foi planeado. No primeiro, Mallu sacou da cartola uma canção inédita, ainda por gravar – Novas Belezas. De seguida, Vai e vem preveu o que iria acontecer. Mallu foi-se embora e regressou de novo, satisfazendo a vontade bastante audível do Coliseu em adiar o desfecho do espetáculo. Aí, deixando de lado Você Não Presta, cantou Tchubaruba.

Terminada a música, Mallu deixou no Coliseu do Porto um sorriso querido e sincero em toda a gente que lá esteve presente. Foi um concerto de longa duração, ultrapassando as duas horas, que em retrospetiva parece ter sido concluído num par de segundos.

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Fotografias: Mariana Gomes