É já na próxima sexta-feira, dia 2 de novembro, que estreia a peça Donald Trolha no Auditório Municipal Lourdes Norberto, em Linda-a-Velha. O espetáculo promete pôr a nu os perigos da demagogia política e da ignorância de um povo, confrontado com escolhas a tomar para o seu futuro. O grupo de teatro MALTA protagoniza a trama escrita e encenada por Miguel Partidário, com quem o Espalha-Factos esteve à conversa.

Uma sinopse familiar

Em Donald Trolha tudo começa quando um empresário rico decide candidatar-se a Presidente do governo. Nacionalista, imperialista e conservador, Donald decide iniciar a sua campanha com o objectivo de chegar a um dos maiores cargos da política portuguesa. Para isso, terá de convencer um eleitorado e é neste processo que a trama traz ao de cima os preconceitos e a ignorância que pode levar ao voto na demagogia. Apenas o conhecimento e a cultura poderão salvar um eleitor de repetir os erros do passado histórico.

Esta sinopse parece-te familiar? Talvez por ser mesmo – numa sociedade onde todos os dias se ouvem notícias acerca da ascensão de governos de extrema direita, o grupo de teatro MALTA decidiu criticar através da arte, levando a palco uma peça que pretende explorar até onde o desespero ou a ignorância podem chegar.

“O Donald Trolha é o Zé Povinho feito em homem de sucesso, com os seus preconceitos e as suas ‘portuguesisses’. E com ele rimos, mas também questionamos e chegamos ao ponto de chocar. No fundo é uma crónica de um Homem e de como ele mobilizou Portugal para o retorno do fascismo no Século XXI”, diz-nos Miguel Partidário, autor e encenador da peça.

Fonte: página oficial do grupo teatral MALTA no Facebook

“Isto só em filmes”,  mas afinal não

Na página do Facebook do grupo pode ler-se Donald Trolha é, assim, não só uma sátira ao Nacionalismo, mas também ao Poder, ao Dinheiro e, sempre, à ignorância!”, tornando-se bem clara a mensagem a transmitir com este texto e performance. Miguel acrescenta: “esta peça é uma viagem ao centro da ignorância e até da estupidez, conduzida por um homem que tanto se alimenta dela como lhe dá de comer também”.

Apesar de ter tido já algumas experiências no campo do teatro, esta é a primeira grande encenação do autor, que admite ter-se sentido chocado e inspirado pela realidade política americana e brasileira para escrever esta história: “acho que simplesmente levei longe demais quando se dizia que ‘isto só em filmes’. Penso que o Teatro se deve modernizar e não se pode demitir da sua vertente de crítica social. Falar do Trump ou do Trolha, num palco, quando do outro lado do Atlântico, o Bolsonaro conquista o Brasil não é opção, é necessidade”.

Num conflito aberto entre Democracia e Demagogia exploram-se as fragilidades do Sistema e de um povo ignorante, orientado por um candidato analfabeto e ganancioso.

Mas quem é esta ‘MALTA’?

O grupo que protagoniza e dá vida à história de Donald chama-se MALTA, um grupo de teatro semi – profissional que nasce do gosto pela arte teatral, “procurando inovar o paradigma, fazendo teatro de qualidade e com nível intelectual, ao mesmo tempo que vai ao encontro do que as pessoas querem”, acrescenta Miguel Partidário.

Por ainda não serem conhecidos e sem espaço fixo de ensaio, a maior dificuldade do processo criativo foi a falta de espaço para ensaiar, problema que atinge muitos grupos e associações teatrais pelo país fora: “andámos de acolhimento em acolhimento, ensaiámos em cafés, num jardim, numa sala de condomínio… Tivemos imensa dificuldade em arranjar espaços para apresentar o espetáculo, por sermos ainda desconhecidos no meio”.

Outra das dificuldades sentidas pelo grupo foi a quantidade de burocracias que, na opinião de Miguel, foram exageradas e chegaram a pôr em causa a viabilidade do espetáculo. Ainda assim, com patrocínios e força de vontade, o grupo trabalhou para a peça que agora apresenta: uma crítica atual e um exercício de pensamento acerca da democracia.

O elenco desta peça é constituído por Cláudia Nadine, Inês Gouveia, Inês Mata, Joana calado, Margarida Martins, Maria Francisca Bastos, Mauro Gomes, Nuno Vilarinho, Rafael Santos, Rute Alfaiate e Xavier Lousada (na foto acima) e produção de Rute Alfaiate.

Para ver

Podes ver Donald Trolha nos próximos dias 2 e 3 de novembro (sexta e sábado),no Auditório Municipal Lourdes Norberto, pelas 21h30.

O grupo acrescentou entretanto novas datas: 8, 9, 10, 16, 17 de novembro e 7 de dezembro também pelas 21h30 no Auditório Fernando Pessa, em Lisboa.

Dia 23 de novembro, pelas mesmas horas, no Auditório da AURPIL no Barreiro.

Sabe como obter bilhetes e mais informações aqui.

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