Após dois anos de gravações, eis que chega o terceiro álbum dos Salto. Férias em Família é um diário de sonhos, de quem continua a sonhar mesmo depois de estar acordado.

Este sonho faz-se de texturas orgânicas, ritmos quentes acompanhados de guitarra clássica e arranjos de cordas tocados pelo baterista Tito Romão (como por exemplo na música Ninguém Te Viu). Os sintetizadores dreamy continuam a ser uma característica (e boa) nas músicas do conjunto.

Ao longo de todo o álbum há uma sonoridade que nos acompanha, numa espécie de viagem ao lado mais introspetivo da banda, e que nos transmite uma certa tranquilidade, visível nas letras: “Rimos pr’acalmar, se isto não colar” (​Teorias) ou “Acordo e sonho a cores…” (​Rio Seco). É um sonho bom onde todos os ritmos se complementam na perfeição, resultando num trabalho coeso e agradável.

Cantar Até Cair é a música que abre o álbum. Um começo que retrata muito bem o que se vai ouvir daqui para a frente. Teorias, o segundo single que foi lançado com o respetivo videoclip, é a segunda faixa do álbum. Talvez a minha favorita. A guitarra com phasers ao longo de toda a música dá uma sonoridade muito específica (diria até típica de Salto, uma vez que no ultimo álbum também era comum o uso desse efeito) ao tema.

Os verdadeiros fãs de Salto quando chegarem ao terceiro tema do álbum irão, automaticamente, cantar. Rio Seco foi o primeiro single lançado para todas as plataformas, em maio.

Palavras para quê? É das músicas mais bem concebidas deste projeto. A melodia da guitarra, aliada aos sintetizadores, transmite a tranquilidade que povoa o álbum. E, para surpreender tudo e todos, quando se pensa que a música vai acabar, entra em cena um violoncelo que termina o tema de forma incrível e nunca antes ouvida numa música da banda.

Ninguém Te Viu é a música mais baladeira do álbum, a mais calma de todas. Se gostas de um bom conjunto de percussão a música, Só Agora Cresci é a ideal. O ritmo marcado pela bateria transporta todo o tema que leva à boleia a linda voz do Gui Tomé Ribeiro.

Dentro do mesmo estilo, guitarradas com phasers, vem a Coração Aberto. Divido esta música em dois momentos: o primeiro dá mais ênfase à lírica e o segundo, que termina a música, tem tons graves dos sintetizadores misturados com o ritmo da bateria que transmite uma sensação de calma a qualquer pessoa. A Memória de Elefante é, a meu ver, uma faixa de transição. “Transplanto a memória…”.

A oitava música deste disco, Casa de Campo, é talvez a que me deixa mais indeciso. A sonoridade e a voz mais grave dão uma sensação de misticismo ao tema. Relembra-me o álbum Lonerism, dos Tame Impala. Contudo, a música da banda portuense será sempre marcada pela nossa língua lusa, que tanto nos é querida.

Por último, temos a música Lentamente Pago Casa. Esta é aquela música que quando for tocada ao vivo irá pôr o público todo a vibrar. Termina este álbum com uns acordes de guitarra, um pouco de forma abrupta, quase a deixar já as hostilidades abertas para um próximo álbum (mas isto sou só eu a dar ideias não compatíveis com a realidade).

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Fotografia por: Marta Olive

Toda a discografia e história da banda tornam este projeto um dos mais interessantes da música atual portuguesa. O terceiro álbum veio para confirmar, com todas as certezas, que os Salto vieram para ficar. Este foi o álbum onde os quatro tiveram mais tempo a trabalhar em conjunto e isso está muito bem espelhado nas nove faixas que constituem o disco, o mais trabalhado do ponto de vista musical.

Agora é só esperar pelas datas dos concertos de apresentação. Até lá ouçam o álbum e aproveitem o que a boa música portuguesa tem para oferecer.

O álbum pode ser escutado na íntegra aqui:

Nota Final: 8.5/10