Esta quinta-feira (25) a editora Assírio & Alvim publica Kapuściński – Uma Vida, livro do jornalista Artur Domosławski, que se lançou na tarefa de retratar a vida do polémico repórter que elevou a reportagem à categoria da literatura e que dissecou, como mais ninguém na sua época, os mecanismos do poder e a profunda transformação do mundo após a Segunda Guerra Mundial. A história de Ryszard Kapuściński chega assim às livrarias portuguesas.

Kapuściński – Uma Vida

Ryszard Kapuściński

Foto: divulgação

Kapuściński – Uma Vida desvenda o percurso do jornalista polaco e desnuda as suas relações com o regime comunista polaco, os casos da sua vida privada e, acima de tudo, questiona a credibilidade das suas obras. Podes encontrar o livro disponível aqui.

Domosławski, assumido admirador do homem que se propôs bibliografar, procura revelar o polémico repórter do século XX, todas as suas contradições e transmitir ao mundo contemporâneo a mensagem que Kapuściński tentou fazer chegar ao seu – “que, sem entender o contexto de uma existência, ninguém tem o direito de a julgar”.

Esta bibliografia dividiu a população polaca, tendo sido tema de uma enorme polémica aquando da sua publicação na Polónia. Revela-se como uma extraordinária aventura para o leitor, e ao mesmo tempo, uma preciosa introdução a um dos maiores nomes do jornalismo, Ryszard Kapuściński, considerado “o repórter do século XX”.

Para Richard Zimler, a biografia escrita por Artur Domosławski “explora, com a seriedade merecida, estas críticas a Kapuściński e dá-nos um retrato fascinante de um homem complexo e contraditório”.

A história do mestre do jornalismo moderno

Ryszard Kapuściński afirmou-se no mundo jornalístico com as suas primeiras reportagens sobre a reconstrução da Polónia. Nos anos 50 foi enviado como correspondente para a Ásia e Médio Oriente. Mais tarde, passou largos anos em África e na América Latina. Viajou e escreveu sobre o mundo e foi considerado o maior jornalista polaco do século XX. Faleceu a 23 de janeiro de 2007.

Foi este o seu percurso, que o levou a analisar a cultura e o poder soviético, com a sua obra O Império, a explorar as implacáveis táticas políticas dos ditadores africanos, em Ébano, e a descrever a transição do domínio português em Angola para o domínio do poder local, em Mais um Dia de Vida. Todas elas obras literárias jornalísticas emblemáticas e que marcaram profundamente o século XX.

Fez tudo isso tanto como repórter e autor, com uma escrita cativante e intimamente reveladora, capaz de expressar, como muitos poucos, os seus pensamentos e ideias de uma forma única. Foi, muitas vezes, chamado de “Cronista do Terceiro Mundo” ou de a “Voz dos pobres”, devido às suas famosas reportagens e livros, traduzidos em muitas línguas, que descreviam países em desenvolvimento espalhados por todos os continentes.

No entanto, o seu nome sempre atraiu controvérsia, pela sua próxima relação com as diretrizes e limitações impostas por um regime autoritário e de domínio soviético e pelos rumores de que não escrevia sem adicionar floreados fictícios aos seus artigos jornalísticos.

Podes conhecer mais sobre o jornalista polaco no site oficial da Herodot, fundação em nome de Ryszard Kapuściński, ou no site kapuscinski.info.

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