O Espalha-Factos juntou-se aos quase dez mil espetadores que já viram a versão portuguesa do musical Grease, em que Diogo Morgado, Mariana Marques Guedes e companhia nos levam numa viagem aos anos 80 através das canções que atravessaram gerações.

O cenário de Rydell High School recebe-nos à chegada, com linhas simples, sem exageros de estilo mas eficaz a criar o ambiente de liceu americano desejado. Assim são também todos os cenários desta versão portuguesa de Grease.

Foto: Yellow Star Company

Os figurinos de época e as canções completam o efeito. O espetáculo abre com as personagens a furar por entre o público, com um número dinâmico de música e dança que instala nos espetadores o espírito da época.

As letras em inglês nem sempre são perfeitamente percetíveis, com a maioria dos personagens em palco a cantar e a dançar por entre diálogos cruzados. Para compensar, a coreografia do ensemble, dinâmica e irrepreensível, consegue captar quase completamente a nossa atenção.

Foto: Yellow Star Company

O ensemble funciona bem, o grupo dos T-Brids e das Pink Ladies funcionam como uma boa estrutura para o espetáculo (apesar de personagens muitas vezes a roçar a caricatura), mas são os protagonistas Sandy (Mariana Marques Guedes) e Danny (Diogo Morgado) quem tem o principal destaque.

Diogo Morgado é credível na pele de Danny, apesar da diferença de idade entre o ator e a personagem. A linguagem jovem e o jargão juvenil utilizados pelos personagens ajudam a moldá-los, mas a performance nos números musicais a solo de Danny não suscita aplausos especiais, sobretudo quando comparada com as dos outros personagens.

Foto: Yellow Star Company

Rizzo (Maria Sampaio) oferece uma intensa interpretação do tema There are worse things I could do, enquanto Doody (Samuel de Albuquerque) surpreende ao som de Those Magic Changes e Marty (Joana Oliveira) interpreta uma divertida versão de Freddy, My Love.

Luz, cor e harmonia: o método Broadway

Encenada por Paulo Sousa Costa, esta é uma adaptação bastante fiel ao original da Broadway e funciona quase na perfeição. Embora não haja intervalo, ao chegar a meio do espetáculo (cerca de uma hora depois do seu início) há uma quebra no ritmo que o caracteriza até esse momento. Um personagem de radialista (interpretado por Ricardo Trêpa) ganha algum destaque nesse período, ainda que sem ser suficientemente interessante para conferir à cena o dinamismo que marca a maior parte do musical.

Foto: Yellow Star Company

O tom volta a mudar pouco tempo depois, caminhando para um final apoteótico como qualquer feel-good musical merece. O destaque vai para as coreografias espetacularmente executadas pelo ensemble que nunca desiludem, e para Mariana Marques Guedes, que nos entrega uma personagem com densidade, carisma e um desempenho vocal notável que se percebe nas canções em grupo (como Summer Nights) e a solo (Hopelessly Devoted to You).

O musical Grease, produzido pela Yellow Star Company, continua em cena no Salão Preto e Prata do Casino Estoril até ao dia 18 de novembro. Podes vê-lo de quinta a sábado, às 22h, e ao domingo às 17h. Os bilhetes estão disponíveis online e nos locais habituais.

LÊ TAMBÉM: A BOA ALMA DE SÉ-CHUÃO JÁ ESTÁ EM CENA NO TEATRO MUNICIPAL JOAQUIM BENITE