Peter Kleinert, encenador alemão, voltou a Almada, de novo com uma peça de BrechtA Boa Alma de Sé-Chuão está no Teatro Municipal Joaquim Benite até dia 11 de novembro, interpretada pela Companhia de Teatro de Almada.

A peça conta a história de uma prostituta que dá guarida a três deuses que descem à Terra à procura de uma alma boa e debruça-se sobre a velha questão de «ser bom ou pagar as contas».

Em 1981, Kleinert, encenador alemão, tinha já feiro com a Companhia de Teatro de Almada o espetáculo A excepção e a regra, de Brecht. A Boa Alma de Sé-Chuão estreou esta sexta-feira, dia 19 de outubro, no Teatro Municipal Joaquim Benite, mas segue em cena até ao próximo mês.

Beatriz Godinho, Érica Rodrigues, Inês Garrido, João Tempera, Miguel Raposo, Pedro Melo Alves, Rita Cabaço e Tomás Alves são os jovens que compõem o elenco escolhido por Kleinert num casting que se realizou em maio.

Joaquim Benite

Foto: divulgação

Será que alguma vez se poderá satisfazer a ambição de «viver de forma decente» ou ser «boa pessoa»? Enquanto uns gozam as suas posses, direitos e privilégios – tendo acesso à educação, à prosperidade e ao emprego -, outros vivem na exclusão, opressão, discriminação e escravatura?

Na sua parábola teatral, Brecht envia três deuses à procura de uma boa pessoa num mundo mau, mais precisamente à província chinesa de Sé-Chuão. A jovem prostituta Chen Te oferece-lhes abrigo por uma noite sem esperar nada em troca e os deuses acabam por dar-lhe dinheiro. Esta oferta permite que Chen Te escape à prostituição: promete aos deuses que há-de tornar-se numa boa pessoa e abre uma tabacaria. Mas rapidamente as dívidas se acumulam, e cada vez mais pobres vêm pedir ajuda e abrigo à heroína, ao ponto de o negócio ficar à beira da falência.

Chen Te é obrigada a criar um alter-ego, desaparecendo e regressando pouco depois disfarçada de um suposto primo seu – Chui Ta, que se revela mais adepto da lógica de mercado pura e dura do que propriamente da caridade.

Peter Kleinert

Nascido em Berlim, e após concluir a sua formação em Filosofia, Kleinert iniciou o seu trabalho como dramaturgista e encenador em vários teatros da antiga República Democrática Alemã. Destacam-se as suas encenações em Dresden, Schwerin e Weimar onde, enquanto co-diretor, liderou a secção de interpretação no Teatro Nacional Alemão.

Peter Kleinert

Foto: página oficial da Companhia de Teatro de Almada

Em 1981, juntamente com diretor Peter Schroth, encenou A excepção e a regra de Bertolt Brecht, interpretado pela Companhia de Teatro de Almada, que valeu a Canto e Castro o Prémio da Crítica pela sua interpretação.

Nos anos 90, Kleinert iniciou a sua carreira de professor de dramaturgia e encenação. Seguidamente, assumiu o cargo de diretor do Departamento de Encenação da Escola Ernst Busch, em Berlim, função que desempenha há mais de duas décadas. Além da sua carreira docente em Berlim, encenou numerosas peças de Brecht em academias de teatro e teatros em Glasgow, Lyon, Salzburgo, Sydney, Pittsburgh e Nova Iorque.

Onde e quando ver

Até dia 11 de novembro, A Boa Alma de Sé-Chuão vai permanecer em cena na Sala Principal do Teatro Municipal Joaquim Benite interpretada pela Companhia de Teatro de Almada. Quintas, sextas e sábados as sessões são pelas 21h00 e, às quartas e aos domingos, as sessões são às 16h00.

Com um custo de 13 euros por pessoa, o espetáculo é destinado a maiores de 12 anos e tem uma duração de aproximadamente 2 horas.

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