Faz hoje precisamente 100 anos que se deu o fim da Primeira Guerra Mundial. De modo a celebrarmos esta data simbólica o Espalha-Factos sugere-te 8 livros sobre o tema.

O Canto dos Pássaros Sebastian Faulks

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Fonte: Goodreads

Publicado em 1993, O Canto dos Pássaros conta a história do soldado britânico Stephen Wraysford. A narrativa principal segue-o desde um romance com uma mulher casada, em 1910, ao fim dos seus tempos como tenente de um pelotão de minas durante a guerra. A outra parte da ação tem como protagonista a neta de Stephen e decorre já nos anos 70.

Mas o que O Canto dos Pássaros retrata melhor é mesmo o inferno das trincheiras. Faulks queria falar sobre a Primeira Guerra Mundial, que considerava não ser suficientemente recordada no Reino Unido. Tal como Elizabeth, a neta de Stephen, dá por si a tentar compreender os traumas do avô, também o leitor é forçado a revisitar a enorme destruição causada pela guerra.

A Queda dos Gigantes, Ken Follet

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Fonte: Goodreads

A Queda dos Gigantes é o primeiro volume da trilogia O Século, que explora os eventos conturbados do século XX através dos percursos de 5 famílias de várias nacionalidades diferentes. As histórias novelescas a que Follet já habituou os seus leitores colidem com figuras e acontecimentos reais.

O livro começa em 1911 e termina em 1925, e embora não deixe de retratar eventos como a Revolução Russa e a emergência do Movimento Sufragista, foca-se evidentemente na Primeira Guerra Mundial. Há espaço para falar das causas, do sofrimento nas trincheiras, e das profundas consequências que a guerra traz aos diversos países nela envolvidos.

O Adeus às ArmasErnest Hemingway

o adeus às armas ernest hemingway

Fonte: Goodreads

Adeus às armas é parcialmente inspirado nas experiências do próprio Hemingway durante a Primeira Guerra Mundial e permanece uma das suas mais célebres obras.

A história de amor entre o americano Frederic Henry, condutor de ambulâncias, e a enfermeira Catherine levou a Primeira Guerra Mundial a muitas gerações de leitores. É o contraste entre o horror da guerra e a paixão dos protagonistas que carateriza o romance e o torna simultaneamente belo e devastador.

Parade’s End, Ford Madox Ford

Parade’s End, Ford Madox Ford

Fonte: Goodreads

Originalmente publicado em quatro volumes entre 1924 e 1928, este romance, aclamado pela crítica, analisa em detalhe o efeito da Primeira Guerra Mundial na classe média britânica, simultaneamente explorando o caos da guerra e a história de Christopher Tietjens, dividido entre a esposa infiel e uma amante sufragista.

Uma história em que conflitos internos refletem aqueles causados pelo trauma, violência e inconstância de uma época que mudou para sempre o mundo e a sociedade, não só inglesa, mas ocidental. A obra já foi adaptada para a televisão britânica em 2012, com Benedict Cumberbatch no papel principal.

A Oeste Nada de Novo, Erich Maria Remarque

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Fonte: Goodreads

A Oeste Nada de Novo é um dos mais célebres e aclamados romances de guerra já escrito, publicado em 1929 na Alemanha e adaptado para o grande ecrã em 1931. Esta história segue Paul Bäumer, um soldado alemão que se voluntaria para o exército com os seus colegas de turma no começo da Primeira Guerra Mundial, entusiasmado com o dever, patriotismo e progresso que acredita estar a defender, mas que rapidamente descobre ser mentira quando a primeira bomba atinge as trincheiras.

Numa luta pela sobrevivência, Paul percebe a irracionalidade de uma guerra baseada em ideias fictícias de nação e dever, e promete a si mesmo combater o ódio cego que criou toda a violência incompreensível que matou uma geração.

First World War Poems from the Front, Paul O’Prey

First World War Poems from the Front

Fonte: Goodreads

Para além dos romances, a Primeira Guerra Mundial foi marcante devido ao número extraordinário de mortes, e ao trauma e destruição que deixou atrás de si. A violência da frente de batalha, as péssimas condições das trincheiras, e o espírito inicialmente patriótico mas que rapidamente se tornou num ambiente de contestação são todos retratados através da poesia, da qual os melhores exemplos foram reunidos nesta edição dos Imperial War Museums do Reino Unido por Paul O’Prey.

Nesta antologia, todos os poemas aqui reunidos foram escritos por poetas e poetisas que estiveram na frente de batalha e viram o horror das trincheiras e sofreram com o stress pós-traumático que afetou toda uma geração. Reúne trabalhos de Siegfried Sasson, Wilfred Owen, Isaac Rosenberg, Robert Graves, assim como textos das poetisas, durante muitos anos ignoradas pelas antologias da poesia de guerra, Vera Brittain e Mary Borden, ambas enfermeiras de guerra.

A Filha do Capitão, José Rodrigues dos Santos

a filha do capitão josé rodrigues dos santos

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Esta obra, tendo como personagem principal Afonso, o menino nascido na pobreza numa aldeia ribatejana, que quase chegou a padre e que acabou como oficial do exército, comandante de uma companhia na Primeira Guerra Mundial, tem exatamente a participação portuguesa na Grande Guerra como cenário.

Relatada com mestria por José Rodrigues dos Santos, esta é uma história de uma paixão impossível, entre um soldado português e uma baronesa francesa, num cenário de guerra e desastre. Misturando o doce do amor com o acre da guerra, especialmente amargo no que toca à participação dos portugueses na guerra, o livro transporta-nos verdadeiramente para locais como Braga, Lisboa ou Paris, mas, principalmente, transporta-nos para as trincheiras da Flandres.

Testament of Youth, Vera Brittain

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Fonte: Goodreads

Testemunho de Juventude, publicado em 1933, é um livro de memórias que Vera Brittain escreveu para contar a sua vida entre 1900 e 1925, e descrever a atmosfera vivida durante a Primeira Guerra. Brittain, que deixou os estudos em Oxford em 1915 para se juntar ao esforço de guerra como enfermeira do exército, passou por Londres, Malta e, finalmente, pela Frente Ocidental durante a Grande Guerra, durante a qual perdeu praticamente toda a família.

Não só estas memórias servem como uma descrição dos horrores da guerra, como servem de elogio para a geração perdida de que Brittain fez parte. Para além disso, é um relato singular feminino que durante muitos anos foi ignorado pelo cânone, mas que é agora considerado como uma das obras que mais significativamente moldou a forma como a Primeira Guerra Mundial ficou no imaginário britânico e mundial.

Escrito por Mariana Nunes, Rafael Ascensão Rita Catalão.

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