Nos dias 19, 20 e 27 de outubro, o Teatro Camões, em Lisboa, recebe a peça A Meio da Noite de Olga Roriz, que será interpretada pelos bailarinos da Companhia Olga Roriz.

A Meio da Noite é uma profunda homenagem a Ingmar Bergman, celebrando o seu nascimento e a sua obra, «a dança o teatro e o cinema à procura de um outro lugar».

Este espetáculo propõe-se a abordar a temática existencialista do cineasta e encenador, sendo simultaneamente uma peça sobre o processo de criação numa procura incessante de si próprios e dos outros.

Teatro Camões

Foto: divulgação

Sete intérpretes encontram-se para partilhar as suas pesquisas sobre a obra do realizador e criarem, coletiva ou individualmente, cenas que possam integrar um futuro espetáculo.

À volta de uma mesa/ilha, fecham-se nos seus pensamentos, mergulhados nos computadores, nos livros, nos vídeos. Tudo nasce desse huis clos de criação: o som, a luz, as imagens, as ações e contradições, dramas, pesadelos e fantasmas. As camadas de representação acumulam-se, criando tramas dramatúrgicas onde se mistura a mentira com a verdade dos factos.

Olga Roriz, a coreógrafa

Coreógrafa portuguesa nascida em agosto de 1955 em Viana do Castelo, Olga Roriz frequentou o curso de dança da Escola de Dança do Teatro Nacional de S. Carlos com Ana Ivanova, assim como o curso da Escola de Dança do Conservatório Nacional de Lisboa.

Teatro Camões

Foto: página oficial Companhia Olga Roriz

De 1976 a 1992, integrou o elenco do Ballet Gulbenkian, sob a direção de Jorge Salavisa, onde foi primeira bailarina e coreógrafa principal.

Em maio de 1992, assumiu a direção artística da Companhia de Dança de Lisboa.
Em fevereiro de 1995, fundou a Companhia Olga Roriz, da qual é diretora e coreógrafa.

O seu reportório na área da dança, teatro e vídeo é constituído por mais de 90 obras, onde se destacam as peças Treze Gestos de um CorpoPedro e InêsElectra A Sagração da Primavera.

Criou e remontou peças para diversas companhias nacionais e estrangeiras. Entre elas o Ballet Gulbenkian e Companhia Nacional de Bailado (Portugal), Ballets de Monte Carlo (Mónaco), Ballet Nacional de EspanhaEnglish National Ballet(Inglaterra), American Reportory Ballet (E.U.A.), Maggio Danza e Alla Scala (Itália). Estas peças viajaram já por quase todo o mundo.

Desde 1982 que a coreógrafa é distinguida com relevantes prémios nacionais e estrangeiros. Entre eles, destacam-se o 1.º Prémio do Concurso de Dança de Osaka, Japão (1988), o Prémio da melhor coreografia da Revista Londrina Time-Out (1993), o Prémio Almada (2004), Condecoração com a insígnia da Ordem do Infante D. Henrique – Grande Oficial pelo Presidente da República (2004), Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores e Milleniumbcp (2008).

Mais recentemente, em dezembro de 2017, foi-lhe atribuído, pela Universidade de Aveiro, o Doutoramento Honoris Causa por distinção nas Artes. E já este ano, 2018, Olga Roriz recebeu o Prémio Autores 2018, para Melhor Coreografia, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, com Síndrome.

Escreveu Olga Roriz:

«A 14 de Julho de 1918 nascia Ingmar Bergman. Poucos realizadores conseguiram encontrar profundidade no interior do ser humano. Os seus sonhos cheios de pesadelos foram a base inspiradora de muitos dos seus filmes, onde nos quais espaço e tempo se desvanecem do real. A impossibilidade de comunicação, a religião e a morte são as temáticas mais obsessivas de Bergman. No entanto, o que é mais importante na vida do realizador é a comunicação que conseguimos com outros seres humanos: sem isso estaríamos mortos.

A redenção, por vezes, aparenta ser o amor, mas sempre que as personagens parecem perceber isso, a luz é retirada do ecrã. Apesar de lhe interessar qualquer ser humano, seja homem ou mulher, Bergman não esconde gostar mais de trabalhar com mulheres, afirmando que são melhores atrizes, talvez porque têm uma relação mais aberta com a sua reflexão. A verdade é que as mulheres de Bergman não são um mito, elas existem em todo o seu esplendor e complexidade. As referências são esmagadoras, tanto na quantidade como na dificuldade de análise e interpretação de cada personagem. É nessa visão do realizador que nos iremos inspirar, nesses homens e mulheres assustadoramente reais, na solidão em luta constante com o interior.»

Quando e onde ver

A Meio da Noite estará no palco do Teatro Camões, no Parque das Nações, em Lisboa, esta sexta-feira, dia 19, e também nos dias 20 e 27 de outubro.

As sessões serão todas às 21h. O espetáculo, falado em português, inglês, sueco e legendado em inglês, destina-se a maiores de 12 anos e tem a duração de aproximadamente 1h20.

Os bilhetes têm um preço único de 15 euros.

Mais informações aqui.

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