Mafalda Fialho, ilustradora de moda, iniciou o seu percurso artístico na Escola Artística António Arroio, como alguns dos criadores que apresentam na ModaLisboa. Trocou a capital por Castelo Branco, onde estudou Design Moda e Têxtil e atualmente trabalha em áreas ligadas à ilustração, à moda e ao teatro.

O Espalha-Factos esteve à conversa com a jovem ilustradora de moda, que marcou presença na Workstation, nesta ModaLisboa Multiplex.

Espalha-Factos – Qual a tua opinião sobre a entrada de ilustradores na Workstation?

Mafalda Fialho – A verdade é que ainda não estou em mim, isto é muito fresco para as pessoas da área, ainda mais fresco para o público, as pessoas andam a perguntar-me exatamente o que vamos andar a fazer. De certa forma, acho que com o passar das edições as pessoas vão poder abraçar- nos e olhar com olhos de ver, perceber que isto dos “rabiscos” também é uma ato de registo e leitura.

EF – O que procuras quando crias uma ilustração de moda?

MF – Para mim há sempre duas buscas: o registo rápido e a constante experimentação da mão, onde em segundos apresento a tentativa/erro no papel. Este método é para mim uma fotografia mental, essas linhas e pouca mancha levam-me a uma determinada peça ou cara. Depois tenho a ilustração de moda, um pouco mais demorada, onde não é um sintetizar aquilo que vi, mas dar uma nova linguagem, uma narrativa por detrás. Nem sempre clara, daí a piada no meio disto tudo.

EF – Quais são as tuas referências visuais, à parte daquilo que observas nos desfiles, nas fotos ou nos bastidores?

MF – Sem dúvida o meu dia a dia, percebi-me que as pessoas, os comentários, os olhos ou até mesmo a despreocupação, influencia e muito, o meu trabalho. É aí, que me permite criar a narrativa por de trás, procurar uma saliência a destacar, pode ser desde uma olheira mais acentuada a uma casa do botão mal abotoada.

EF – Que outros ilustradores de moda acompanhas e te dão inspiração para o que desenhas?

MF – Sem dúvida Richard Haines é dos meus ilustradores de moda de eleição. Por fazer parte da velha guarda, na altura que nem havia fotografia, ainda hoje, colabora com revistas e designers, e, em qualquer semana da moda anda por lá meio tímido mas com uma caneta e papel bem assente. Não posso deixar referir outros por diversos motivos, desde António Soares pela sua precisão, Rosie McGuinness pelo bege como fundo e o contraste entre mancha e linha, por fim, trabalhos do passado como Gustav Klimt e Egon Schiele serão sempre uma referencia interna.

EF – Até agora, qual o trabalho – de ilustração – com o qual mais te identificaste? E porquê?

MF – Há que informar sou muito nova nisto todo, este conceito de ilustradora foi algo que me custou assumir ou até mesmo colocar como hipótese de trabalho. Sem dúvida o da ultima edição da ModaLisboa, fazer registo ao mesmo tempo que acontecia o desfile. A adrenalina, a má proporção, o cair do tecido e o corrigir sobre o papel deixou-me em casa.

EF – Que caminho pensas que a ilustração de moda ainda tem para correr em Portugal?

MF – Há que referir nesta pergunta há dois desafios, moda e ilustração, num só conceito. A moda por si só é uma palavra ingrata para descrever esta área tão vasta. Mesmo assim, sinto com o passar dos anos está a crescer e estamos cada vez mais atentos ao que se passa. A ilustração de moda vai ter um bom caminho a percorrer, principalmente em Portugal. As pessoas procuraram algo momentâneo, de processo rápido como uma fotografia. Não a desvalorizar, de todo, mas esta captação é quase dada de mão beijada ao público, enquanto uma ilustração requer outro tempo, outros olhos e até  outra cabeça, o público não está habituado a isso. O caminho começa com este ensino às pessoas, o parar um pouco e interpretar.