O Man Booker Prize, o maior prémio para a literatura em inglês, foi atribuído na noite de 16 de outubro a Anna Burns com o seu romance quase-distópico Milkman, inspirado nos conflitos entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte. Anna Burns é a primeira autora da Irlanda do Norte a ganhar este prémio.

Milkman, o quarto romance da autora, passa-se numa cidade indeterminada durante os conflitos na Irlanda do Norte, que deixaram sequelas físicas e psicológicas que perduram até hoje.

Nesta obra as personagens não têm nome – todas são referenciadas pelas suas profissões, ou relações familiares -, e a história explora a violência no mundo contemporâneo, desde a violência sexual a assassinatos sumários e ataques bombistas.

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Foto: Faber & Faber

Não obstante, a trama foca-se, sobretudo, na pressão e nos efeitos que uma exposição prolongada a essa violência tem nas pessoas e na sociedade em geral, especialmente em comunidades fechadas como a deste romance. Principalmente, é sobre o ambiente de desconfiança, opressão, paranoia e trauma que inundam essas comunidades.

O prémio foi presenteado pela Duquesa da Cornualha, que o entregou a uma surpreendida Anna Burns, que venceu uma competição de peso: Daisy Johnson, a mais nova nomeada com 27 anos, era considerada uma forte candidata ao prémio com a sua obra de estreia Everything Under, uma história sobre a relação entre mãe e filha, linguagem e trauma. Outro forte candidato era Richard Powers, autor consagrado, nomeado com a obra The Overstory, o seu 12º romance que fala sobre ativismo, resistência e ambientalismo.

Para além destes, os finalistas incluíam também The Long Take da autoria de Robin Robertson, Washington Black de Esi Edugyan e The Mars Room de Rachel Kushner.

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Foto: página oficial do Man Booker Prize

Os jurados salientaram a distinta voz narrativa, simultaneamente forte e divertida, simples mas inteligente, e o uso perfeito desta para descrever, em primeira pessoa, a vida de uma mulher assediada por um homem – o leiteiro – que usa as divisões da sociedade para tentar chegar até ela.

A vencedora

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Foto: AP Photo/Frank Augstein, Pool

Burns, nascida em Belfast em 1962, terá vivenciado grande parte dos conflitos que inspiraram esta obra, além do seu romance de estreia, No Bones, em 2001. Para além desses, Anna Burns é também autora de Little Constructions (2007) e Mostly Hero (2014). Nenhuma das obras foi até agora traduzida para português.

O prémio

O Man Booker Prize, que este ano completou 50 anos, é considerado o mais importante para a literatura em língua inglesa. É atribuído anualmente ao melhor romance originalmente escrito em inglês, independentemente da nacionalidade do autor, e publicado no Reino Unido no ano da atribuição. A distinção inclui um prémio monetário no valor de 50 mil libras.

Entre antigos vencedores encontram-se os vencedores do Prémio Nobel da Literatura, J.M. Coetzee (1983 e 1999) e Kazuo Ishiguro (1989), assim como Margaret Atwood (2000), Yann Martel (2002) e Michael Ondaatje (1992), que este ano foi nomeado para a LongList e ganhou o Golden Man Booker Prize em celebração do 50.º aniversário do prémio.

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