O último dia de ModaLisboa Multiplex abriu com os desfiles de Imauve e Duarte, no Lago do Botequim do Rei. Mais tarde se seguiram as coleções no âmbito da Plataforma LAB, que apoia designers de moda emergentes. Dino Alves teve a honra de encerrar a 51ª edição de Moda Lisboa.

IMAUVE (LAB)

Nas propostas de Imauve para primavera/verão 2019, são evidentes as influências da escultura grega e neoclássica. Respeitando as máximas de equilíbrio e harmonia, todos os coordenados se pautam por formas e cores naturalistas. O branco, o cobre, o barro, o carmesim e o creme são os tons de eleição.

Por sua vez, as silhuetas alongadas e cintadas, aliadas a tecidos esvoaçantes, deixam antever as formas do corpo. O corte evasé e os plissados também atravessam toda a coleção.

DUARTE (LAB)

Seguindo o conceito de sportswear luxury, a marca transporta-nos para o Monaco Grand Prix, uma das mais prestigiadas corridas de Fórmula 1. Explorando o lifestyle da competição, os tecidos técnicos e as peles refletem o vestuário dos pilotos de corrida, e os linhos e algodões remetem para os espectadores que assistem à corrida nos seus iates. Os azuis, o vermelho, o bege e o preto realçam a intensidade da competição.

CAROLINA MACHADO (LAB)

A jovem designer inspira-se no verão em Cuba, na década de 50. Um verão tropical e rítmico, que traz saudades quando nos despedimos dele, traduz-se em tonalidades sépia e terracota – através do amarelo, castanho, salmão, verde, branco e bege.

Na coleção, destacam-se as mangas abalonadas e os estampados tropicais. Os materiais naturais – como algodão, linho e seda -, são complementados por franzidos, cortes assimétricos e drapeados.

ANDREW COIMBRA (LAB)

O designer explora a atitude descontraída que impera durante um verão na cidade: leve, livre e espontâneo. A sua intenção, então, traduz-se em silhuetas que aliam o streetwear a um estilo mais clássico. O resultado é um casamento inteligente entre casualidade e glamour


Também não é esquecida a necessidade de criar peças práticas e versáteis. Para isso, Andrew Coimbra serve-se de misturas de linho, crepe da china e algodão, mas também de nylon impermeável e lã de Melton – para o clima imprevisível da primavera. A paleta de cores fica-se pelos clássicos – caqui, preto, branco e cinza -, acrescentando alguns apontamentos em amarelo, vermelho e verde lima.

OLGA NORONHA (LAB)

Para uma coleção baseada no mundo onírico, a criadora serve-se do celuloide, um material termoplástico usado na confeção de películas cinematográficas. As modelos são envolvidas por esculturas rígidas e naturalistas, mas também dinâmicas.

Com o dinamismo presente nas peças – através de ondulações -, Olga Noronha tenta representar um ”estado vigil de alteração da percepção do tempo e do espaço, onde a imaginação flutua no rearranjo das situações”. A coleção também se vale de motivos asiáticos, como os peixes koi ou as flores de cerejeira.

FILIPE FAÍSCA

O criador integra o tradicional Bordado da Madeira no guarda-roupa da mulher contemporânea. Numa coleção inspirada na lingerie e homewear, o padrão vichy também se adoçica  em tons de pêssego, creme, amarelo e azul claro.

Celebração da mulher e do bordado, esta é uma coleção cheia de figuras simbólicas: a borboleta representa a gueixa – personificação máxima da beleza nipónica -, a libelinha constitui a ponte entre o que fomos e o que somos, a abelha simboliza o trabalho árduo, e a flor remete para a pureza e delicadeza do feminino.

GONÇALO PEIXOTO (LAB)

Gonçalo Peixoto, apropriando-se da natureza do street stylereinterpreta os clássicos intemporais, através de peças arrojadas e de silhuetas desconstruídas. E, inspirando-se no liberalismo feminino, destaca os vestidos e gabardinas com bordados florais, transparências e brilhantes. A coleção pinta-se de rosa velho, verde, vermelho, amarelo e fúcsia.

KOLOVRAT

Lidija Kolovrat toma como elemento fundador os sonhos, espaço ”onde a imaginação floresce e o controlo desaparece”. A coleção deve ser vista como uma rutura, em que a criatividade quebra a norma, e onde o mundo onírico e o mundo real se fundem. É criada, então, uma coleção de cores vivas, onde cada tecido, padrão e corte é uma forma de libertação. Os sapatos extravagantes, em forma de peixe, ampliam a noção de quebra pradigmática.

DINO ALVES

O criador defende a ideia de que a essência do ”eu” se encontra no interior de cada um e que a roupa é apenas uma ”segunda pele”, uma ”extensão de nós mesmos”. Assim, mostra uma série de peças que revelam o interior das mesmas, quando são perfuradas, sobrepostas ou viradas do avesso. Na coleção, também figuram as transparências e as misturas de coresestampados e texturas.