O estilo dos Twenty One Pilots não é exatamente uniforme. Conjugando elementos acessíveis de reggae com batidas radio-friendly e a ocasional presença do ukulele, o duo de Ohio concebeu assim um universo sónico próprio.

Em Trench, temas introspetivos continuam a ser abordados, por vezes contextualizados no mundo fictício do álbum. No entanto, ao contrário do que aconteceu em Blurryface, os esforços criativos estão claramente mais cativantes do que alguma vez estiveram.

Em jeito de comparação, Trench é aquilo que Blurryface poderia vir a ser. A mixórdia de estilos de Twenty One Pilots pode muito facilmente ser um simples chamariz sem apelo douradouro. As apelativas melodias estão agora maturas. Morph, My Blood e Chlorine enaltecem esta ideia: são canções acessíveis mas com um tom subjacente de engenho criativo em atuação. Para além das melodias, os crescendos estão também mais interessantes, quer pela sua energia (Jumpsuit), quer pelo seu ambiente envolvente (Neon Gravestones).

A consistência de Trench é surpreendentemente estável ao longo das catorze faixas que o compõem, embora a sua etapa final seja mais fácil de descartar. A primeira metade do álbum flui muito bem. O momento de rap em Levitate não quebra a berrante ação da bassline de Jumpsuit e nenhuma das faixas até Neon Gravestones parece estar a mais.

Já na segunda metade, momentos como Bandito, Pet Cheetah e Legend conseguem soar redundantes no panorama geral. Não obstante, as impressões até então deixadas são fortes o suficiente para serem abaladas graças a instâncias como Cut My Lip e The Hype.

O potencial de artístico dos Twenty One Pilots recebe assim justiça. A combinação entre o descomplicado e a experimentação é poderosa quando funciona e aqui está a prova. É difícil de resistir a Trench, um álbum fácil de ouvir que, ao mesmo tempo, sabe empolgar.

Pontuação: 8/10