No terceiro dia de ModaLisboa Multiplex, Nuno Gama foi o primeiro designer a apresentar as suas propostas para o verão de 2019, no Museu Nacional de Arte Antiga. De seguida, as criações de AWAYTOMARS tomaram o Lago do Botequim do Rei. O final do dia, no Pavilhão Carlos Lopes, contou com desfiles de Alexandra Moura, Patrick de Pádua ou Ricardo Andrez.

NUNO GAMA

O verão chegou ao Museu Nacional de Arte Antiga: modelos em tronco nu vestem apenas calções ou cuecas de banho, e meias – tudo em cores garridas e padrões variados

Na coleção, as cores são múltiplas: cinza, bege, caqui e azul que, com a chegada do verão, contrastam com o turquesa, petróleo, ameixa e amarelo limão.

designer recria novos looks, casando a formalidade e o conforto. E, demonstrando um estrondoso trabalho de alfaiataria, também joga com a sobreposição de acabamentos e materiais.

Foto: Ugo Camera

AWAYTOMARS

Numa coleção cocriada por 809 designers, explora-se a utilização da luz e cor na filmografia. As cores predominantes – o preto, o laranja, o verde e o amarelo -, são fortemente inspiradas na introdução da cor no cinema, quando se pintava os slides à mão, um por um. Através da impressão têxtil em tecidos fluidos e esvoaçantes, repensa-se esse período de descoberta da cor.

CONSTANÇA ENTRUDO (LAB) 

A coleção apresenta dois elementos agregadores. Por um lado, todas as peças se ligam através de botões (obra da joalheira Colomb D’Humieres) feitos de materiais diversos, encontrados em lugares distintos. Por outro, o elemento de desconstrução – que nos permite usar as peças de diferentes maneiras, como se a coleção fosse um puzzle – também percorre todo o desfile.

As cores que mais sobressaem, numa coleção sem género (para homens e mulheres), são o coral e o azul ardósia claro. A designer, através de experiências de paródia, humor e inversão na coleção, desafia códigos pré-estabelecidos da moda, .

Foto: Ugo Camera

ALEXANDRA MOURA (POWERED BY PORTUGAL FASHION)

Alexandra Moura regressa à ModaLisboa, após edições a apresentar no Portugal Fashion. O comeback deve-se ao recente protocolo assinado entre as duas semanas de moda portuguesas e que visa unificar as mesmas.

Ao longo da coleção, o tradicional e rural estabelece uma ponte com o contemporâneo e citadino.

Aqui, recorda a sua infância, quando passava férias em casa dos avós, numa aldeia de Trás-os-Montes.

Para os padrões, inspira-se em referências como a roupa ou a casa dos avós – as carpetes, os pratos florais pintados à mão, os brocados florais dos sofás, ou os laços dos cortinados do quarto.

CIA.MARÍTIMA

A marca inspira-se nas diversas culturas à volta do mundo. Os estampados não só se fazem de riscas multicoloridas, mas também de cidades como Rio de Janeiro, Tóquio e Flórida. As formas dos fatos de banho e biquínis são várias – cai-cai, triângulo, cintura subida ou cuecas string.

Por sua vez, a paleta de cores inclui tons como azul marinho, branco, areia, amarelo, verde, rosa, e vermelho. Para além dos fatos de banho e biquínis, os vestidos e macacões em linho, viscose e tricô também fazem as grandes apostas da estação.

Foto: Ugo Camera

PATRICK DE PÁDUA

Nesta edição, a nova coleção pintou-se dos clássicos da marca – preto e branco -, azulamarelovermelholaranja e roxo. Patrick de Pádua, dividido entre o justo e o oversized, joga, igualmente, com as silhuetas.

O designer também não se opõe às sobreposições de materiais – o algodão, o polyester, a lã e o linho. Os casacos bomber, as carteiras à cintura e a tiracolo, e as meias em cores vibrantes formam as peças de destaque.

Foto: Ugo Camera

ALEKSANDAR PROTIC

Para a sua coleção, Protic elegeu o algodão, as misturas de seda, a viscose e os tecidos tecnológicos como materiais de excelência. Também não se acanhou nas transparências, drapeados e folhos. Os azuisamarelo flúor, rosa néoncinza e preto são as cores predominantes.

Os conjuntos em mesh – de cor preta e com apontamentos néon -, e as combinações de cinza e amarelo flúor são as estrelas da coleção. 

Foto: Ugo Camera

RICARDO ANDREZ

No seu estilo tão próprio, Ricardo Andrez, remete-nos, de forma quase satírica, para uma das problemáticas da atualidade: o bug do milénio. Numa coleção pautada pelo streetwear, o designer apresenta o erro informático como ”algo inofensivo, estimulante e apocalíptico”.

Ao longo do desfile, modelos desfilam em peças oversized, entre puffer jackets e sweatshirts. Os aliens, o futurismo e a ficção científica também atravessam a coleção, do início ao fim. Em misturas de padrões, dominam o rosa, o verde e o lilás em tons bubblegum. O branco, roxo, laranja, azul e preto também são outras cores presentes na coleção.

Foto: Ugo Camera

LUÍS CARVALHO

A coleção toma como principal fonte de inspiração a cereja. Símbolo de juventude, doçura e sensualidade, vemos o fruto tanto nos estampados, como nas silhuetas.

As influências orientais também influenciam fortemente a coleção, através de maquilhagem e penteados que lembram as gueixas, e de elementos orientais nas peças de roupa, como kimonos e golas chinesas.

Foto: Ugo Camera

O desfile do designer contou com muito vermelho, cru e preto, e também com alguns toques de azul e verde-seco. Os folhos, franjas e faixas em misturas de seda também não faltaram.