O segundo dia da ModaLisboa Multiplex trouxe a moda para o Pavilhão Carlos Lopes.  Os designers do concurso Sangue Novo abriram o dia de desfiles, e logo se seguiram David Ferreira e Valentim QuaresmaRicardo Preto pôs fim ao serão de moda.

SANGUE NOVO

A ModaLisboa reflete a forma como a indústria da moda vive das novas tendências, culturas e tribos. Porém, as criações de talentos emergentes são quem faz o negócio girar. A plataforma Sangue Novo, onde estreiam as coleções de jovens e desconhecidos designers, abriu o dia de desfiles. 

Ouve-se a voz de Sílvia Alberto anunciar as novidades desta edição. Em vez de existir um único vencedor no final, o concurso de designers passa a ter duas fases de participação – em outubro de 2018 e em março de 2019.

Na primeira fase, cinco criativos internacionais – Archie Dickens e For All Kind by Saskia Lenaerts (Reino Unido), Federico Protto (Itália), Pu Tianqu (China), Victor Huarte (Espanha) – concorrem lado a lado com cinco designers nacionais – Carolina Raquel, Rita Carvalho, Vítor Antunes, Opiar e The Co.Re de Inês Coelho e Rachel Regent.

PU TIANQU

A sua coleção inspira-se num jovem profissional imaginário, com um novo emprego, um ”adulto bebé”. A luta para esconder a sua verdadeira natureza no escritório revela-se em ensembles cheios de contrastes: por um lado, as correntes, os sapatos em cores vivas e os tecidos plásticos, como o vinil; por outro, as gravatas e o padrão risca-de-giz.

A paleta de cores também não escapa às contrariedades: se, de um lado, temos cores sóbrias como o castanho, azul escuro, e o bege; do outro, o preto, o branco, o vermelho ganham um toque arrojado. As trench coats e as silhuetas oversized dominaram a coleção.

OPIAR

O estilo steampunk atravessa toda a coleção, seja pelas cores mais sombrias – como o cinzento ou o bordeaux -, pelas laçadas, berloques e fivelas, ou até pelos apontamentos metálicos nos acessórios – malas, corpetes e headpieces.

As saias e vestidos assimétricos, assim como os casacos com folhos nas mangas, são peças de destaque. Nos padrões figuravam o xadrez, as bolinhas e os florais. As cores também eram variadas, indo desde o vermelho e bege até ao amarelo e azul.

FOR ALL KIND, BY SASKIA LENAERTS

Numa coleção híbrida e diversa, levantam-se questões relativas à alteridade. Cada look representa um ”Outro”, sendo diferente em silhueta, material e cor. A variedade de materiais – como o couro, o algodão tingido ou os tecidos plásticos – é digna de nota.

Porém, a coleção também apresenta uma certa unicidade, na exploração da temática dos efeitos remanescentes do colonialismo. Vemos botas beges e casacos de safari, mas também malas e camisolas entrançadas, lembrando materiais naturais – como rota ou palha. A paleta de cores – em amarelo, caqui e branco – também remete para uma atmosfera selvagem.

VÍTOR ANTUNES

Ao som de ”No Bystanders”, de Travis Scott, o hip-hop desfila pela passerelle. A coleção conta a história de um jovem ambicioso que se muda para uma grande capital e, deixando-se levar por falsos encantos, entra num mundo de dinheiro, drogas, sexo e poder.

As cores predominantes são o preto – que representa a obscuridade dos ambientes envolventes -, o amarelo “desespero”, ou o vermelho que traduz paixão, poder e excitação.

A escolha de materiais semi-transparentes deve-se ao desejo de ver o verdadeiro ”eu” da personagem. Porém, a existência de materiais opacos e impermeáveis remete para um escudo com o mundo exterior.

THE CO.RE

A dupla feminina, apresentou uma coleção pautada por transparências, tecidos acolchoados, peças cintadas e formas de fechar que utilizavam fitas. Os looks, que conjugavam o geométrico com o naturalista, eram completos com sandálias pretas.

Na palete de cores destas criadoras figuraram o preto e branco, o cru, o castanho, o rosa velho e o azul celeste.

RITA CARVALHO

Rita Carvalho apresenta-nos um verão romântico, mas arrojado. Os vestidos, com rendas, transparências, floreados e bordados, eram conjugados com combat boots.

Como já sucedido em colecções passadas, a designer volta a optar pelo vermelho como uma das cores predominantes da sua paleta. Detalhe que segue também do seu trabalho passado, são os bolsos grandes, ainda que pouco perceptíveis.

VICTOR HUARTE

Riscas, riscas e mais riscas. O criador espanhol trouxe a primavera a outubro e ao Pavilhão Carlos Lopes. Flower boys, que desfilavam camisas-vestido, casacos cropped e bouquets de flores.

Bouquets de flores nas mãos ou na cabeça. Para Victor Huarte, parece que carregamos na nossa cabeça, uma interpretação demasiado literal, daquilo que é a primavera.

ARCHIE DICKENS

Visuais confortáveis, foram a proposta de Archie Dickens, para a próxima estação. Tecidos body-hugging, que aliam flexibilidade, conforto e design, em looks pautados pelo preto e branco.

Cut-outs, assimetrias, debruados e visuais que se assemelham a looks para praticar yoga, foram as sugestões do agora finalista do Sangue Novo.

CAROLINA RAQUEL

À semelhança de Rita Carvalho, Carolina Raquel traz à passerelle uma coleção romântica. O vermelho, o branco e o preto são as cores por excelência, em vestidos e macacões.

Detalhes como fitas que caem pelas peças, meias transparentes ou sapatos que nos recordam as socas de hospital, são algumas das propostas desta jovem criadora.

FEDERICO PROTTO

O italiano Federico Protto, apresenta um verão natural. Peças em branco, verde ou lilás, num mix de padrões e texturas. O jogo entre as peças justas e as peças fluidas volta a estar em voga.

Como acessórios apresentou-nos desde headpieces, véus brancos e chapéus de palha altos. Chapéus que em muito nos remetiam para alguns trabalhos de Alexandra Moura.

No final do desfile, foram anunciados os vencedores do concurso, assim como os vencedores dos prémios FashionClash e The Feeting Room.

Carolina Raquel foi a vencedora do prémio FashionClash, que a levará a apresentar coleção no Festival de Moda de Maastricht, em março de 2019. O prémio The Feeting Room (TFR) foi atribuído à dupla The Co.Re, que agora poderá vender algumas das suas peças nas lojas da TFR, em Lisboa e no Porto.

Por fim, Miguel Flor e os restantes jurados da plataforma Sangue Novo deste ano anunciaram os seis vencedores desta primeira fase: Archie Dickens, Opiar, Carolina Raquel, Rita Carvalho, The Co.Re e Federico Protto. Os designers selecionados poderão apresentar uma nova coleção na próxima edição do ModaLisboa, em março de 2019.

Foto: Ugo Camera

DAVID FERREIRA (LAB)

Às 20h30, foi a vez de David Ferreira estrear a sua nova coleção, na plataforma LAB. Uma coleção que joga com transparências, folhos, godés, recortes e pelo de carneiro, assim como acabamentos de raw edges que se transformam em folhos.

O preto é a única cor que figura na coleção, em looks com organza, crepe, e chiffon de seda, mas também renda. Os volumes das peças, eram completados pelos cabelos frisados e volumosos, presos ao pescoço.

Foto: Ugo Camera

VALENTIM QUARESMA

Uma viagem às influências da Art Deco na arquitetura e da revolução industrial dos anos 20. A sustentabilidade dos materiais numa abordagem contemporânea. A coexistência de materiais naturais – como a madeira, em colares e pulseiras – com matérias nobres.

Revolution trouxe ornamentos em metal, em pulseiras, gargantilhas e headpieces. Destacam-se também os orrnamentos em figuras geométricas, feitos em metal e madeira.

RICARDO PRETO

Com as suas mais recentes criações, o designer procura dar resposta às necessidades da mulher contemporânea, que procura visuais sofisticados, mas, ao mesmo tempo, práticos e duráveis.

Foto: Ugo Camera

Na coleção, figuram coordenados que vão desde as blusas, aos macacões e fatos, numa panóplia de padrões diversos. Com uma gradação de cores ao longo do desfile, vemos combinações em tons terra, azuis, verdes e vermelhos. O colour block e os cortes assimétricos em materiais fluidos também são tendências-estrela.