Arrancou o mais reconhecido evento de moda em Portugal: a ModaLisboa. Nesta edição, ModaLisboa Multiplex, celebra-se a versatilidade da moda, nas suas várias formas de expressão, e em vários campos e atividades da indústria. São quatro dias dedicados à inovação, onde se mostra ao mundo o melhor da moda nacional.

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Happenings de moda

Às 16h, na Estufa Fria, assitimos aos happenings de 5 jovens designers, inseridos a plataforma Workstation. António Castro, Cristina Real, Filipe Augusto, João Oliveira e Tiago Loureiro apresentaram as suas propostas para a primavera/verão 2019. Todas as peças estarão à venda no Wonder Room, pop-up store de moda, acessórios e lifestyle do certame.

Cristina Real

Com os jardins da Estufa Fria como pano de fundo, nove modelos dançam, nos seus vestidos e saias esvoaçantes, e jogam o “jogo das cadeiras”, brincadeiras tão familiares da nossa infância. Apesar de ser uma coleção eclética, a designer destaca os tecidos fluidos e as transparências.

Cristina Real tenta cruzar ideias intemporais – o passado e o futuro, a natureza e a cidade – e, através da mistura de cortes e materiais, dá a cada peça uma história própria.

 

Tiago Loureiro

A apresentação do designer transmite-nos uma certa aura de jovialidade e tranquilidade, seja pelo ”jogo da cabra cega”, pelos tecidos em materiais naturais, ou pelos tons leves – branco, bege, e rosa velho – das peças.

Tiago Loureiro ainda salienta outros dois elementos na coleção: a desconstrução das peças, e a estampa com figuras simbólicas. Para a primeira, usa moldes e tecidos de determinadas peças para criar outras novas. Para as segundas, inspira-se nos pecados do mundo contemporâneo –  como o fenómeno da gentrificação nas grandes cidades portuguesas, a poluição ambiental ou os perigos das novas tecnologias – para desenhar padrões.

João Oliveira

Modelos masculinos e femininos, divertidos, jogam o ”jogo das argolas”. Mas a multiplicidade de padrões, os folhos arco-íris, e as cores vibrantes são o que realmente nos salta à vista.

Apesar de toda a azáfama da coleção, os sapatos merecem destaque. As raparigas calçam saltos altos com motivos variados, folhos e laçadas, enquanto os rapazes usam sapatos clássicos, mas em tons berrantes e padrões arrojados. João Oliveira traz-nos conjugações de tecidos, padrões, e peças diferentes daquelas a que estamos habituados – e não desilude.

António Castro

Numa experiência sensorial riquíssima, o designer transporta-nos para as ruas do Oriente, aliando as silhuetas da street fashion às cores e tecidos ricos dos trajes de indianos abastados. A maquilhagem vistosa dos modelos e a opulência das suas jóias contrastam fortemente com o modesto ”jogo da malha”, que diverte os rapazes.

António Castro, nas texturas, aposta nos materiais ricos, como o cetim, o veludo e os brocados. As transparências e bordados também não são postos de parte. Os tons jóia, tendendo para as matizes mais escuras, refletem um certo clima de mistério, mas também de exuberância.

Filipe Augusto

A apresentação do jovem designer lembra-nos as donas de casa norte-americanas dos anos 50, ou os bonecos Ken com os quais brincávamos quando éramos novos. De aventais e lenços ao pescoço, mas também de cabelos com efeito molhado e repartidos ao meio, os modelos jogam ao ”jogo do sério”.
Predominam as cores pastel e, no campo dos padrões, o xadrez e os motivos florais. As camisolas com aberturas nas costas, as luvas de malha metálica e as meias tie dye fazem desta coleção uma coletânea de combinações improváveis.

Fast Talks: Street x Fashion

A Estufa Fria foi também o palco das conferências Fast Talks, onde especialistas da área debatem as principais questões da indústria da moda na atualidade.

Esta edição dedicou-se ao tema Street x FashionGert Van de Keuken (diretor criativo do Estúdio Edelkoort e colaborador da Trend Union), Raimo Diehl e Anton Zamiatine (representantes da FILA Europa), Adam Katz Sinding (fotógrafo), Pedro Lima (diretor criativo na Partners e fundador do grupo Sneakers Love Portugal) e Namalimba Coelho (assessora de comunicação do Museu Coleção Berardo) debateram sobre a influência do streetwear no design de moda, numa conversa moderada por Joana Barrios.

”É a moda que vai das passerelles para a rua, ou é a rua que traz a moda para as coleções dos grandes designers?”

De forma geral, os oradores partilhavam a visão de que a roupa que vestimos no dia-a-dia se pode traduzir numa forma de poder. Acreditam que a streetwear é, então, capaz de criar movimentos – políticos, artísticos, entre outros -, mas também identidades e narrativas pessoais.

Na mesma linha, uma temática que dominou o debate foi a da morte da expressão da individualidade e do estilo próprio. Discutiu-se a obediência cega às tendências e aos must-haves – fomentada por influencers patrocinados por marcas nas redes sociais -, e a possibilidade do aumento do desinteresse pelo street style, pela sua falta de autenticidade. Podes assistir às Fast Talks, na íntegra, aqui.