Como se define a pop em 2018? É difícil: o leque de projetos continua a multiplicar-se ostensivamente; dissolvem-se fronteiras e erigem-se pontes entre géneros. Se a pluralidade se torna complicada de cartografar, o mais importante é que o preconceito dá lugar à curiosidade assumida. Ressurge assim, em boa hora, a proposição dos D’Alva, resultante da fusão dos talentos de Alex D’Alva Teixeira e Ben Monteiro.

É editado nesta sexta (12) o novo álbum Maus Êxitos, quatro anos após a estreia com o efervescente #Batequebate. Se o primeiro registo era uma chamada gritante e enérgica, o sucessor é a prolongação, sem medo das interferências. Os D’Alva dinamitaram o seu processo antigo de gravação, para se redescobrirem pulsantes, munidos de refrões colossais e filigrana verbal, do poder do groove ao prazer da introspeção. Passada a insegurança, chega um manifesto sonoro de fazer o que lhes verdadeiramente apetece.

O Espalha-Factos falou com o duo (e, inesperadamente, Wandson Lisboa, designer e amigo da banda, cujo amor pelo novo álbum dá azo a coreografias espontâneas e ideias megalómanas para telediscos) acerca do “difícil” segundo disco, a sua linguagem musical em crescimento, as pressões da indústria e o fim dos guilty pleasures, rótulo a que o novo longa-duração dos D’Alva parece estar imune.

Aquando do lançamento do #Batequebate, numa entrevista ao Públicodisseram que “a pop só parece ser validada se tiver prefixo“. É algo a que o vosso trabalho foge, assumindo orgulhosamente o que são em disco e em performance. O que significa para os D’Alva fazer e ser pop em 2018?

Ben: Desde essa altura, a pop mudou muito; havia alguma dificuldade por parte de músicos portugueses em emular o que se fazia lá fora e que chegava aos tops. Quando é que foi a febre daquele disco do [Justin] Bieber?

Alex: O Purpose, em 2015.

Ben: Tens uma pop em Portugal antes e depois disso, em que de repente tens produtores portugueses a igualarem esse estilo de produção. Um ano depois, a primeira production house—fábrica de fazer hits—aparece e, de repente, tens música que é feita intencionalmente para ser viral e muito rápida, por uma série de fatores.

Como é que nós continuamos a ser pop? Continuamos a fazer música que não se prende a um género em particular e se há uma coisa que uma música pop tem — a boa música pop, que ainda hoje, se for preciso vais numa viagem de carro com os teus pais e eles estão a ouvir a rádio deles, há sempre uma outra música com que sentes “OK, ainda consigo ouvir isto”.

Música intemporal.

Ben: Tentamos que assim seja. A pop tem algo que é interessante: quando é boa, fala na altura e daqui a 30 anos pode ser ainda contemporânea.

Alex: Fomos convidados a fazer música para outros artistas e deparamo-nos com essa mudança de paradigma que tanto a indústria como a pop sofrem. A pop que os D’Alva faz é uma alternativa à pop considerada mainstream. Hoje em dia, se tivéssemos o prefixo alt-pop, acho que assentava bem.

Ben: Agora, a pop está mesmo com força. Durante algum tempo, a pop foi o David Fonseca e os The Gift, por aí fora. Agora, tens o Diogo Piçarra, o Agir, a [Carolina] Deslandes, os YouTubers, a Blaya, o Conan Osíris—é pop muito peculiar, mas é pop.

A pop nacional está a sair do armário, ainda que alguns ouvintes continuem amedrontados com esse título.

Ben: Ao mesmo tempo, podemos estar num setting de festa e estão aqui alguns dos melhores artistas plásticos, visuais, músicos, atores, ultra-contemporâneos e ultra-relevantes, neste momento, no que é uma realidade de criação de arte alternativa em Portugal e estamos a ouvir a Madonna. O que é que isso diz? Os guilty pleasures—estamos a chegar a um ponto em que isso se torna obsoleto.

Nós gostamos de olhar para nós e para o nosso pequeno percurso e [constatamos que] temos relações em ambos os lados e não consideramos uma melhor que a outra. Na altura de fazer, optamos pelo que nos apetece, [o que já surpreendeu nomes mainstream]. Sentimos essa pressão, mas tens que fazer o que te apetece.

O que mudou, de um álbum para o outro, no estúdio, na abordagem à composição e gravação?

Ben: O Alex teve uma mão maior na produção deste disco, que era algo que eu queria há imenso tempo. Finalmente, ele ganhou coragem. Isso foi algo diferente e que pauta a forma de como trabalhamos neste disco e como o faremos daqui para a frente.

Alex: Este é o segundo disco e havia aquela coisa de não saber o que é—

O segundo álbum ‘difícil‘.

Alex: Para mim, era saber quem são os D’Alva nesta fase, na fase da vida que estamos a viver. Estamos mais velhos, vimos mais filmes, mais livros. Há mas aspetos da vida familiar que são diferentes, porque agora somos adultos—eu em particular—e depois também houve o outro lado: passamos muito tempo a fazer música do mais hiper-pop que imaginas para outras pessoas, e depois pensas:

Quem somos nós no meio da música portuguesa—e do universo musical no geral?

Algo que me fez ganhar coragem de fazer um disco como este foi ter a certeza de que conseguimos fazer aquelas canções que chegaram ao número 1. Então, se calhar, com os D’Alva, podemos fazer outra cena e explorar tudo, a língua portuguesa, o som, aquilo que é entendido como a estrutura de uma canção pop. Mudar o tempo de 4 por 4 para 6 por 8; experimentar coisas que geralmente não se usam numa canção pop, na tentativa de fazer uma e ser bem sucedido nisso.

Ben: De repente, tivemos uma série de aumentos eletrónicos, então, houve uma curva de aprendizagem muito grande para transpor isso para um ambiente ao vivo, o que pode ser difícil se não quiseres ter tudo pré-gravado para tocar em cima. A gravar estas canções, pensava ‘como é que vamos tocar isto ao vivo?’.

A passagem do estádio para o vivo não é, portanto, algo que se adquire instantaneamente, é algo dinâmico e que têm de trabalhar.

Ben: É e sentimos que não temos tempo suficiente para o fazer da melhor maneira. Eu faço a direção musical. Já tendo a estrutura montada, o Alex fica com a chave e conduz—ele é que manda. Nós sentimos um desprendimento a tocar coisas mais antigas, que agora ainda não conseguimos nestas novas.

Optamos por não fazer concerto de apresentação, por não sentir que fôssemos tocar isto bem, o que requer estrada. Temos ideia de fazer uma coisa um bocado diferente. Mesmo no primeiro disco—algo novo, banda nova, tudo novo—hoje em dia, tocamos bem diferente dos discos, mas se calhar como tocamos hoje é como deviam soar. E vai acontecer o mesmo neste projeto, apesar de haver algum cuidado prévio.

Alex: À medida que íamos fazendo o #Batequebate, íamos logo tocando e ensaiando, porque os D’Alva ainda não existiam. Neste, fizemos o disco e agora vamos aprendê-lo.

Ben: Se é um disco onde, por um lado, tornamos as coisas mais simples, também é mais complexo de tocar. Mas notas logo, das primeiras coisas—a performance [vocal] do Alex está a outro nível. Fazer isso durante 60 ou 70 minutos o tempo todo e manter a energia que gostamos que os nossos concertos tenham é algo para gerir.

Alex: Outras vantagens—neste disco, prestamos mais atenção à escrita, mas notas que a produção está mais elevada e cuidada. Acho que, como o Ben teve menos tempo para produzir—o outro disco fomos fazendo ao longo da vida—, desta vez tivemos de o fazer para estar pronto em janeiro deste ano [2018].

Ben: Pegamos em final de outubro [de 2017], foi feito a correr. Teve de ser mais criterioso nos sons que tivemos de usar, o que tornou o som mais coeso. Mesmo a nível técnico, está uma versão 2.0 dos D’Alva.

Uma característica interessante dos D’Alva é que mantém como língua preferencial o português. Em 2014, o Alex sentenciou: “Queremos fazer pop em português, para o Portugal de hoje. Não queremos emular uma coisa que esteja a acontecer em Inglaterra ou nos Estados Unidos”. Continuam a ser fundamentalistas nisto?

Ben: Quando dissemos isso, a nossa música chegou aos ouvidos de fora. O mais consensual foi com o Frescobol: “não sei o que eles estão a dizer, se isto fosse em inglês era grande hit”. Mesmo havendo a barreira da língua, algo estava a sair para fora. Mas dificilmente abandonaríamos o português—não somos elitistas quanto à língua, mas ao final do dia, é fazer o melhor com aquilo que eu e o Alex trazemos para a mesa.

Alex: Comecei a escrever em inglês por escrever para outras pessoas, e sinto que temos metáforas melhores com a nossa língua e olhamos para ela de outra maneira.

Ben: O português não é uma opção exclusivista, e eu gosto da forma como o Alex diz as palavras e já escrevemos a pensar nisso.

Alex: E honestamente, tu não me queres ouvir a cantar em inglês. (risos) Não soa bem, bro.

Chegamos a fevereiro e dá-se o regresso dos D’Alva com pompa e circunstância, no primeiro single Verdade Sem Consequência. O que é que pensaram ao conceber a música, audivelmente singular no vosso trabalho?

Alex: Lembro-me de enviar uma demo ao Ben e achar “se calhar isto nem é D’Alva“.

Ben: Já foi há uns 2 anos. Achei que era estranho, mas houve algo que me fez ouvir outra vez e disse “vamos trabalhar isto”, mas, ao mesmo tempo, não quis livrar aquilo da estranheza. Para mim, foi desconfortável à primeira escuta, mas ao mesmo tempo já estou viciado nisto!

Essa sensação de desafio e diferença foi manifestada por vários ouvintes.

Ben: A arte tem de deixar desconfortável e, se enquanto banda/duo conseguimos fazer isso a quem nos ouve, estamos a fazer a coisa bem. Por um lado, queríamos corresponder a expectativas; por outro, não—foi preciso fecharmo-nos e isolarmo-nos. Durante uns dois meses, só havia aquilo. E, de repente, as nossas expectativas é que vieram ao de cima e essa canção fazia o check a tudo o que esperávamos.

Alex: A Verdade vem numa altura em que a nossa equipa tem dúvidas face ao que serão os D’Alva a seguir, quem são os fãs dos D’Alva agora, não se sabe o território quatro anos depois a mapear no que é a música portuguesa. Quando a nossa manager ouviu a maquete pela primeira vez, disse “O que é isto? Nunca ouvi nada assim! Se lançarem isto, é uma pedra no charco!” Eu não contava com esta para single.

Ben: Algumas rádios demonstraram receio, porque não é uma música fácil.

Alex: Estar em reuniões com pessoas que tem opiniões sobre nós e dizer ‘vocês são uma coisa kitsch’ e eu, para mim, “nós somos o que nos quisermos e vamos fazer o que nos apetece e agora apetece-nos fazer e gravar um single e vídeo como a Verdade. Nessa música, é o meu lado mais sanguíneo a vir ao de cima.

Ben: Ironia das ironias—é das músicas que mais nos correu bem, ever. Em números, em airplay

Apesar do receio, passou 9 semanas no topo da tabela da Antena 3.

Alex: Nunca nos aconteceu nada assim na vida.

Isto validou, de alguma forma, o risco que tomaram?

Ben: Para mim, não foi risco nenhum, foi só…

Alex: O que nós fizemos não foi, de todo, seguro.

Ben: Mas é o que nos representa.

Alex: Eu tenho vários picos a nível emocional. O Ben fica frustrado, porque eu num dia digo: “Este álbum é o melhor de sempre!”; noutro: “Ninguém vai curtir disto! nunca mais vamos dar concertos!” A palavra validação é interessante no meio disto tudo; eu antes precisava disso. “Eu tenho que curtir disto e everyone’s gonna like me”; no Maus, é: “Sou assim e tá-se bem!”.

Ben: Por um lado, queres que o artista seja livre e crie com o mesmo espírito do início; ao mesmo tempo, queres cristalizá-lo. Mas não podem estar a fazer o mesmo disco para sempre. E há bandas que fazem isso e vão com o caraças. Desta vez, disse ao Alex: “‘Bora fazer o que nos apetece. Já tocamos em bandas diferentes, fizemos sempre o que os outros queriam, o que é que tu queres, o que é que eu quero e o que é comum?

Alex: É isso que queres de um artista, e foi uma espécie de afirmação.

Ben: Amanhã faremos outro disco e será totalmente diferentes. Com a Verdade Sem Consequência, houve pessoal do rock que ficou: ‘Quem são estes gajos? O resto do disco vai ser assim?‘ Não! Mas acho que o disco tem de ser ouvido como todo e acho que as coisas farão sentido.

Tudo sugere que o álbum expande substancialmente o vosso som, ainda assim fiel a uma identidade ou uma conceção do que são os D’Alva, se é que existe. 

Ben: Cada pessoa tem uma ideia diferente— para algumas pessoas, D’Alva é sinónimo de um grande concerto; para outras, é LLS, tá-se bem, tá tudo bem; há para quem seja o Frescobol. O #Batequebate tem coisas muito sérias a serem ditas, de duas em duas canções estás num género diferente. Por alguma razão, ficou essa cena gravada dos D’Alva serem algo muito fresco. Penso que este disco começa [efusivo], lá em cima e, lentamente, vai ficando mais meta e mais introspectivo.

Alex: É um Black Mirror.

Ben: É uma ida à igreja! Cada canção vai para onde ela quis ir. Nós não temos ideia do que é D’Alva. Às vezes, num concerto, começamos a tocar Arctic Monkeys, Kendrick Lamar, Linda Martini, música pimba, Anitta, Blaya ou Pabllo Vittar, ou o que for. É espontâneo.

Alex: Há um momento em que eles continuam a tocar o Frescobol e eu estou a cantar Whitney Houston, Mariah Carey, ou Paramore. É whatever, é fixe, há essa liberdade na nossa música.

Ben: Penso que se há uma missão com D’Alva é, pá, sê quem és, sem medo do que quem está ao teu lado vai pensar. O brasileiro tanto ouve pagode como Chico Buarque, e nem um é melhor que o outro, as duas coisas fazem parte da vida, a vida tem várias dinâmicas, cores, sabores.

Tematicamente, o que é que irrompe pelo álbum? E porquê este título?

Alex: Tem a ver com como nos relacionamos com as pessoas que nos são mais próximas, terceiros, tecnologia ou até connosco mesmos. Antes, eu era muito rápido a dizer que era um disco sobre problemas de comunicação, mas não é só sobre isso.

Ben: É um disco de relações, a tua relação consigo mesmo, com o exterior, seja materializar noutras pessoas ou mais longe, seja relação com expectativas, com o planeta, universo, como comunicas com os outros, como deixas que te afetem e como afetas os outros.

Não vou aprofundar muito, mas eu tenho um historial de doença mental que precede a altura em que sai o nosso primeiro disco; um pouco antes, sou diagnosticado e estou a fazer terapia; depressão e ansiedade. Aprendi a lidar com essas coisas, algumas coisas são mais permanentes, mas os altos e baixos face a de repente estares no olhar do público…

É o que [o Alex] diz, antes ele queria ser validado, ele recebe essa validação que parece nunca ser suficiente e a certo ponto questiona o porquê dessa necessidade. Para dentro, achas que és uma fraude, para fora és o maior.

Aconteceu muita coisa. Senti um Alex ansioso e quase fora do seu próprio eixo, e mais do que eu puxá-lo para onde eu queria fazer ou dizer. Tivemos de dar tempo e espaço para isto ir ao sítio e fazer um disco que não fosse um motivo de tensão e ansiedade.

Um dos exercícios que fizemos foi de escrita livre, colocamos um papel gigante de cenário na parede e fomos estimulados em relação a diferentes assuntos para cada um de nós conforme pensa numa coisa, pensa e escreve. É muito libertador. Cada um tem uma coisa que o preocupa e está na sua mente, mas quando olhas para o que todos estão a pensar e a dizer — éramos 4 ou 5 pessoas — de repente, wow, está aqui algo em comum que esta a emergir.

Alex: Estávamos a debater sobre as palavras escritas e a procurar a definição da palavra falhanço e no dicionário estava mau êxito. Começamos a rir, pensamos ‘ok, maus êxitos’ e ‘isso era um bom ponto de partida’, porque era uma série de falhanços. Tem a ironia de parecer uma espécie de greatest hits. Acho piada: somos os maiores, só que não.

Ben: E as pessoas que colaboraram connosco… as pessoas compreenderam logo o seu contributo. Eu nunca imaginei que teríamos uma capa vermelha, uma cor tão forte—conforme fomos recebendo as coisas do Bráulio [Amado], que não precisa de se perder em grandes explicações, o trabalho foi-se compondo de coisas mais metafísicas e outras absolutamente [mundanas]: tens as portas com o céu e tens a garrafa de cerveja.

A estética dele já está tão bem definida e é tão intuitiva, que nem precisa de pensar duas vezes numa coisa. O que ele faz é maioritariamente analógico; mesmo que pareça digitalmente manipulado, o começo é analógico.

Alex: O Bráulio é hardcore. Eu adorava gravar um filme como o The Social Network, connosco a trocar emails para conceber a capa do álbum. O Bráulio a desenhar e a sugerir coisas e nós a responder com perguntas e ele “Não, nada disso!” É super louco, até a linguagem que ele usa… Ele queria um elemento tuga, como pastéis de nata; eu recusei, “isso é gentrificação!” A ideia que ficou? Bolos de arroz! (risos)

A este ponto, o vosso mundo visual parece mais delineado.

Ben: Se calhar, estamos mais sincronizados com quem somos, mas acho que damos menos atenção.

Como é que a música se espelha nessa faceta e como é que surgiu, por exemplo, o Wandson?

Ben: Todas estas pessoas que colaboram connosco são pessoas que, de maneira ou outra, se identificam com o que estamos a fazer.

Alex: No caso do Bráulio, ele entra numa perspetiva muito pessoal. A história foi igual à nossa—eu era fã da banda do Ben e criamos uma relação de amizade; o Bráulio tinha uma banda e vê-la ao vivo foi muito elucidativo. Desde aí, tenho sempre falado com ele, em particular depois de editarmos o meu EP [Não É Um Projeto].

O nome do Bráulio esteve em cima da mesa para outros projetos, como para a capa do #Batequebate e só aconteceu agora e foi tão simples como nós mandarmos as musicas (ainda como maquetes); o album nem estava acabado, e ele responde com email: “Curti, grande álbum, devíamos fazer esta foto em que cada um dos elementos é uma música do álbum—o resto é fazer acontecer, do it yourself.

Essencialmente, o que fazemos, fazemos sempre com amigos, é o mais natural.

Já há ideias para um próximo registo?

Ben: Só sei que não quero que passemos tanto tempo sem fazer outro disco. No máximo, daqui a 2 anos, quero outro disco cá fora. Agora vamos começar a tocar o Maus Êxitos e, durante um ano, temos de estar a fazer isso, e aprender a tocar vai ser complicado, mas assim que isso seja superado, quero estar a fazer outro.

Wandson (que aparece sem anúncio no local da entrevista e eventualmente se junta à discussão): Já aprenderam a tocar o disco?

Alex: Longe disso.

Wandson: Desde fevereiro para cá, eu decorei todas as músicas. Chorei muito a ouvir o disco pela primeira vez, estava a soluçar; os dois estão muito mais maduros a nível musical e é um pouco—não é triste, mas são os Maus Êxitos.

O Alex escreve uma carta para a mãe dele e é uma das formas mais bonitas dele contar uma coisa pra mãe—não quero dizer o quê—mas quando sair o álbum, acho que vão ver. É bonito a forma como ele criou a situação, não é nada mercadológico, nada, é o Alex tentando criar situações e organizá-las. E eu quero realizar todos os videoclipes dos D’Alva.

Alex: Ele tem ideias, está sempre a ter ideias! Algo giro é que as pessoas acham que o Wandson estar [na capa] foi pensado, de propósito. O Bráulio deu a ideia de um “gajo a beber cervejas a olhar para o telemóvel a beber litrosas”. E eu estava com ele e perguntei-lhe se estava em Lisboa em determinado dia. E depois expliquei o que se passava.

Wandson: O meu sonho é fazer os backing vocals num concerto vosso.

Ben: Quando fizermos o Coliseu, és o nosso diretor criativo.

O novo disco dos D’Alva, Maus Êxitos, é lançado no dia 12 de outubro. O grupo está no Facebook, Instagram e Twitter.

Fotografia: Tomás Almeida