Frederico Santos tem 20 anos e é o fotógrafo mais jovem da ModaLisboa. Nesta edição, foi convidado a apresentar o seu trabalho na Workstation, ao lado de Andy Dyo e Pedro Leote. O Espalha-Factos esteve à conversa com o fotógrafo, que apresenta trabalho na ModaLisboa Multiplex.

  Espalha-Factos – És o fotógrafo mais jovem a expor na Workstation. A que é que sabe esta conquista?

Frederico Silva – Esta conquista é um pequeno sonho tornado realidade, que me deixa não só de coração cheio, como sei também que poderá ser uma grande responsabilidade. Ser o fotógrafo mais jovem presente na workstation, dá-me a responsabilidade de provar que a idade é um número no mercado de trabalho e ainda, que ser jovem não nos impede de ser profissionais criativos e perfecionistas. Creio também que me cabe ser a cara de todos os jovens que tentam entrar nesta área e mostrar que apesar da idade, conseguimos fazer trabalhos tão bons ou melhores que os nossos colegas mais velhos. Poder lutar por isso, deixa me feliz.
EF – Quando te deu o clique e viste que a fotografia de moda seria a tua carreira?
FS – A carreira de fotógrafo de moda apareceu como ideia a meio da minha pequena aventura em foto-reportagem. Em foto-reportagem já me tinha lançado, mas não me sentia feliz o suficiente em termos criativos e auto-expressivos e então a convite da modelo Daniela Hanganu, experimentei realizar fotografia de moda. Desde aí apaixonei-me pela área e vejo na fotografia de moda uma maneira de expressar as minhas opiniões e sentimentos, abstrair-me dos meus problemas, da vida “real” e meter a minha cabeça no meu mundo de ideias, de onde nada nem ninguém me consegue tirar, nem tentar afetar emocionalmente.
EF – Quais consideras as tuas maiores referências visuais e inspirações, para as fotos que tiras?
FS – Gosto imenso de 4 fotógrafos: 2 portugueses e 2 estrangeiros. Todos eles são referências em termos criativos para a minha fotografia. Os fotógrafos que tomo como referência são o Frederico Martins – gosto da simplicidade e beleza da fotografia -, Ricardo Santos – gosto da edição em tons pastel, que dá as fotos um aspeto de quadro -, Tim Walker – gosto do mundo diferente dele e a Elizaveta Parodina – pelo estilo analógico que ela consegue recriar com as câmaras digitais que usa, criando algumas das fotos que mais gosto, não só em termos criativo, como em termos de tons de cor e construção de imagem.
EF – Que projetos destacas na tua ainda curta, mas preenchida, carreira?
FS – Acho que em termos de editorial que mais gostei – com base na sua criatividade – destaco os meus primeiros dois editoriais, para a Katlblut Magazine e para a Faire Magazine. Também gosto muito dos meu dois últimos editoriais, que realizei para a Vanity Teen e para a Procrastinate Magazine, respetivamente. O trabalho que realizei para a Kaltblut Magazine, com o styling feito pelo Rúben de Sá Osório, é até hoje um dos trabalhos mais criativos e auto-expressivos que pude realizar. Todo ele foi inspirado no sentimento de nos sentirmos à parte, de nos sentirmos como um alien, uma “coisa” e daí o nome do editorial ser “It”. Inspiramo-nos nos sentimentos de nos sentirmos apartados de tudo e todos, de nos sentirmos estranhos numa sociedade que nos tenta sempre encaixar num registo ou padrão, e nós não nos encaixamos nele, por não sermos igual aos outros.
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EF – Que conselhos dás aos jovens que pretendem iniciar uma carreira em moda, seja em fotografia ou noutras áreas?
FS – Não desistam, sejam persistentes, chorem mas recomponham-se e levantem a cabeça de novo. Ninguém devia dizer se o teu sonho é ou não real, todos os sonhos são reais desde que trabalhemos para os realizar. Em qualquer área vão apanhar com os “matulões” que vos irão rebaixar, tentar manchar a vossa imagem e constantemente meter-vos em baixo emocionalmente, por não acreditarem no vosso sonho. Essa atitude que parte dos outros é comum e quase sempre significa que estás num bom caminho, uma vez que te tomam como uma “ameaça”. Conseguires realizar o teu sonho, é isso que assusta os outros. O que interessa não é o destino mas sim a caminhada.
EF – E já que estamos em contexto de ModaLisboa: De todas as edições que experienciaste, quais os momentos que mais destacas?
FS – Destaco todas as amizades que criei ao longo das edições da ModaLisboa tanto com modelos, bookers, designers. Em termos de momentos mesmo destaco os shows do Dino Alves, que sempre considerei super criativo. Recordo-me que na última apresentação na ModaLisboa, ele apresentou a coleção à medida que ia desmontando o cenário, algo que ninguém estava à espera. Cada edição da ModaLisboa tem sempre algo de diferente e destaca-se sempre, cada uma a sua maneira, pelo que há edições melhores e outras não tão boas, contudo acho sempre que ModaLisboa será ModaLisboa.