Foi a solo, ela e as teclas do piano, que Beatriz Pessoa se apresentou para cantar o seu EP II no Porto, na FNAC de Santa Catarina. No total, são três as atuações que vai ter no Porto, inseridas numa série de showcases promovidos pela loja.

Com II, Beatriz Pessoa estreou-se na escrita em português. No Porto, estreou, pela primeira vez em palco, uma das suas canções, Verbo Esquecer. “Fiquei surpreendida com o facto de as pessoas serem muito recetivas à música em português”, apontou a artista. “É um EP que me deu muito gosto”.

E porquê em português? “É a nossa língua e também porque em inglês era mais fácil para entrar dentro de uma personagem e, se calhar, falar sobre outras coisas. Em português sinto que é mais fácil escrever sobre coisas que me estão mais próximas. Acho que a minha música se tornou um bocadinho mais pessoal.”

A acompanhar Beatriz chegou, também, a doçura da sua voz que encaminhava alguns curiosos que ouviam a música à entrada. Não eram mais de 20 pessoas as que ficaram naquele espaço para partilhar o momento com a artista. “Penso que correu bem. As pessoas que estavam, apesar de serem poucas, acho que gostaram.”

Falta pouco para a artista apresentar novo álbum. Antes disso, diz, vai estar a gravá-lo, logo a seguir a esta série de concertos a solo. Depois, é tempo de se fazer à estrada, para uma tour com banda. Aí, espera ganhar inspiração para escrever novos temas. “Vou estar tanto tempo na estrada que é sempre uma boa altura para escrever música nova”, reforçou. Beatriz expressou, ainda, a vontade em levar a sua música a cada vez mais gente, já que vai percorrer o país.

Em pouco mais de meia hora, cantou cinco temas da sua autoria. Namora Comigo, escrito para a fadista Cristina Branco também entrou no reportório. Bem a meio, sentada ao piano, com as tradicionais luzes a que já habituou quem a segue, foi tempo de ouvir o tema de lançamento do EP: Vento.

Com Feminina, empregou os seus headphones cor de rosa para, com as teclas, produzir uma mistura de sons. Beatriz bem que pediu ao público que a acompanhasse a trautear o ritmo, mas este não estava para aí virado. “A sério que ninguém vai cantar?” (risos).

“A primeira vez em que apresentamos um projeto no qual estivemos tanto tempo a preparar e a trabalhar sozinhos é sempre meio esquisito porque parece que estão a entrar na nossa intimidade”, refletiu. No entanto, Beatriz acrescentou que é uma sensação boa, “sentimos sempre que nos aproximamos mais do público”.

A “poeira” do Festival da Canção

Foi com uma letra escrita por Mallu Magalhães que Beatriz Pessoa entrou nos ecrãs do Festival da Canção de 2018. Sim, foi a ela que o concurso deu uma passagem à final, numa primeira fase, e depois de rever os votos, a afastou.

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“Foi tudo tão intenso e tão bonito e as pessoas que conheci à minha volta foram tão boas que aquilo acabou por ser só poeira e acabou por não ter nenhum significado”, notou. A verdade é, apesar da peripécia, acabou por somar mais público àquele que já tinha.

“Acho que aquele conjunto de artistas vão para o festival com uma vontade de partilhar música e não propriamente de ver aquilo como um concurso.”

A sua passagem pelo evento foi muito importante, diz, e é algo que guarda com carinho. “Foi uma experiência incrível e que me deixou muito feliz”, rematou.