Paulo Dentinho, diretor de informação da RTP, desconfia de “um complot” contra ele que envolve trabalhadores da própria empresa e um site chamado Vox Pop TV, avança o Conselho de Redação (CR) em comunicado lançado esta segunda-feira (8) a que o Espalha-Factos teve acesso.

As acusações surgiram à margem de mais uma polémica no interior da redação da estação pública. Dentinho terá sido muito criticado depois de uma publicação que fez no Facebook, imediatamente associada às acusações de violação que pairam sobre Cristiano Ronaldo. No texto referia existirem “violadas de primeira, violadas de segunda e violadas de terceira“.

No mesmo post, apenas acessível aos amigos do diretor no Facebook, sublinha que o que está em causa é “o estatuto delas, mas sobretudo o deles” e argumenta que “se o violador tiver a auréola de herói nacional, é puta de certeza, no mínimo dos mínimos uma aproveitadora sem escrúpulo algum. Logo, puta“. O Conselho de Redação “lamenta a linguagem usada pelo diretor de informação” e o “aproveitamento da Vox Pop TV“.

Paulo Dentinho nega que, contrariamente ao afirmado pelo site supracitado, esteja a decorrer “qualquer inquérito interno contra si“. Além disso, leu uma declaração escrita aos elementos do Conselho de Redação, em que diz acreditar “que há indícios que sustentam suspeitas de um possível complot contra si envolvendo elementos da empresa e o site que lançou a notícia sobre o seu post que, recordou mais uma vez, era de âmbito privado e fechado, mas que serviu para lançar aquilo que admite poder ser uma campanha. O diretor entende que esta situação é grave e admite dar dela conhecimento às autoridades competentes.

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Declarações violam código de ética?

Entre alguns jornalistas da RTP e no site Vox Pop foi referido que Paulo Dentinho poderia ter violado o Código de Ética Jornalística da RTP, aprovado pela própria Direção de Informação e pelo Conselho de Redação a pedido da administração.

O documento aconselha os jornalistas a não proferirem “publicamente ofensas pessoais ou manifestar expressão pública de indignação noutros órgãos de comunicação ou nas redes sociais mesmo que fora do seu período profissional” e diz ainda que “não devem defender qualquer posição em assuntos polémicos“.

No entanto, um parecer jurídico pedido pelo próprio CR vem pôr em causa o documento, que aponta ser “no mínimo, nulo” e que, “no máximo, viola de forma aberta as liberdades fundamentais estabelecidas na Constituição da República Portuguesa”.

Os juristas responsáveis pelo documento, que pediram para não serem identificados, sublinham ainda que o Conselho de Redação “pura e simplesmente (…) não tem competência para se pronunciar sobre esta matéria, dado que seria inaceitável que um órgão de jornalistas fizesse o contrário ao que é a sua génese que seria defender a autocensura à punição por apelar ao delito de opinião de um dos seus membros.