Londres foi o palco do momento que talvez tenha sido o mais importante em todo o panorama artístico este ano. O artista Banksy vendeu a sua obra Girl With Balloon, através da leiloeira Sotheby’s, por 1,2 milhões de euros. O mais caricato foi a autodestruição da obra, assim que o martelo marcou a venda da mesma.

BANKSY: O ROSTO DA CONTRADIÇÃO?

Crédito: Sotheby’s

Ainda que me custe que uma obra de arte como esta seja vendida por 1,042 milhões de euros, não sei qual o cabimento de colocar uma destruidora de papel no interior da mesma. “A ir, a ir, foi”, escreve o artista na foto que compartilhou nas suas redes sociais e que apanha o espanto das pessoas no local.

Na realidade, gostava de ver Banksy a autodestruir o milhão e duzentas mil libras pelas quais foi vendida a obra. Ou então a pagar do seu bolso o outro milhão, que possivelmente valorizará os agora fragmentos da peça. Questiono-me ainda acerca das congratulações que fui vendo pelas redes sociais, quando o protagonista real desta aventura é o comprador e não o artista.

Mais que uma criação pouco – ou nada – interessante, sob o meu ponto de vista, dá-me urticária que Banksy continue a contradizer-se. Contradiz-se não só em relação às obras que criou, como também ao que diz. Pintar uma menina com um balão que lhe foge da mão, neste momento só tem um único interesse: o dinheiro. Dinheiro esse ganho à custa de táticas mais ou menos lícitas e nas quais caímos, comentando e partilhando nas redes sociais. Já pensaram que isso também valoriza o trabalho de um artista nos dias de hoje?

 

A CRÍTICA QUE VIROU NEGÓCIO

O que inicialmente era uma vingança do artista contra a comercialização da arte converteu-se num negócio. Após o sucedido em Londres, a obra triturada, ou a meu ver os fragmentos de obra, tiveram ofertas de valor superior ao da compra. De acordo com a leiloeira Sotheby’s, os preços chegaram a ultrapassar o preço final pelo qual esta obra foi rematada.

A identidade do comprador continua anónima, mas é uma das figuras de destaque nesta história. Já o artista, incumbiu  sua equipa de não deixar desmontar a moldura que acompanhava a obra aquando do leilão. Dentro das hipóteses de compradores, chegou-se mesmo a especular sob a possibilidade de que fosse algum membro da equipa do artista, a comprar a peça. A revalorização de obras é algo que se faz de forma “normal”, dentro do mercado de arte. No passado mês de setembro foram leiloadas três litografias do artista pelo dobro do preço previsto.

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Entre as litografias vendidas, Jack & Jill contém 350 reproduções. A reprodução nº116 foi vendida por 15 mil euros. Nos preços do último leilão também temos outras litografias que revalorizaram de 28 mil para 60 mil euros. Numa dessas obras, o artista colocou um texto no qual dizia “Os maiores crimes do mundo não os cometem as pessoas que rompem as normas, mas sim as que as seguem…”. Caso de incoerência ou não, Banksy fez deste leilão o leilão do ano e colocou a casa Sotheby’s – novamente – entre as mais prestigiadas do mundo, no âmbito do mercado de arte.