Portugal deve mudar os livros escolares de História. Quem o diz é a comissão do Conselho da Europa responsável por, de cinco em cinco anos, avaliar o racismo e intolerância em Portugal.

Segundo a TSF, o relatório da European Commission against Racism and Intolerance (ECRI), divulgado na passada terça feira, destaca a necessidade do reforço da “educação para os Direitos Humanos e igualdade”, por parte das autoridades portuguesas.

A comissão, que tem como bandeira o combate ao racismo e à intolerância, pede uma reformulação do “ensino da História, especialmente a história das antigas colónias”.

Os Descobrimentos tal como o foram

“O papel de Portugal no desenvolvimento” e, mais tarde, “a abolição da escravatura”, assim como a “discriminação e violência contra as populações indígenas das suas colónias” é o que a Europa quer ver mais reforçado no ensino português e nos livros de História.

Para o Conselho da Europa, o ensino português deve reconhecer, de uma maneira imparcial, os Descobrimentos, tal como foram, sem negar ou glorificar a “discriminação e violência”, nem mesmo a escravatura.

Descobrimentos

Foto: Thinglink

Numa tentativa de combate ao racismo, “a narrativa da descoberta do Novo Mundo deve ser questionada” e que a matéria lecionada aos alunos deve incluir a história dos afrodescendentes e ciganos, assim como a sua contribuição para a sociedade portuguesa.

Passado colonial português está longe de ser consensual

Este ano tem sido brutal para o passado colonial português e tudo começou com um museu que ainda não foi construído. A criação de um museu dedicado aos Descobrimentos portugueses, em Lisboa, foi uma promessa do PS em 2017.

No entanto, depois de uma carta aberta publicada pelo Expresso em abril deste ano, a polémica motivada pela preocupação de criar um museu que aplaudisse o colonialismo explodiu e foi até noticiada pelo The Guardian no mês passado.

Descobrimentos

Foto: The Guardian

A História de Portugal tem capítulos mais controversos. No entanto, a História também nos diz que Portugal foi o elemento líder “no mercado de escravos no Atlântico”, responsável pelo transporte de quase metade dos 12.5 milhões de escravos africanos. E a imagem de Portugal como “o bom colonizador” é refutada pelas provas históricas que fomentaram esta controvérsia.

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