Com mais de meio século de carreira, os Status Quo deram uma lição de rock da velha guarda. O Campo Pequeno não encheu, mas o público viveu intensamente o concerto recheado de êxitos.

Numa noite ventosa de setembro, a Praça de Touros do Campo Pequeno acolheu uma das lendas vivas do rock britânico: os Status Quo.

Longe dos tempos de populariedade, a banda teve várias formações e lançou mais de 30 álbuns de estúdio. O único elemento que se mantém desde a edição do primeiro disco é Francis Rossi, vocalista e guitarrista.

Já não pisavam um palco na capital desde os anos 1980 mas, mesmo assim, o público português pareceu ser tímido ao responder a chamada para o concerto de celebração da carreira notável dos ingleses.

As bancadas estavam preenchidas mas a secção da plateia de pé tinha, espantosamente, cadeiras . Avizinhava-se um clima de rock n roll proporcionado pelas guitarras dos Status Quo e por isso as cadeiras teriam pouca utilidade.

Francis Rossi: o sexagenário endiabrado

À hora marcada, os anfitriões do serão entram em cena e mal soou os primeiros acordes de Caroline, pôs toda a gente a dançar. Francis Rossi, com 69 anos de idade, continua com o mesmo timbre de voz que gravou nos discos.

Acompanhado por quatro músicos que completam a formação de 2018 de Status Quo, o som da banda continua intacto e, desta forma, emana o espírito de rock n roll da velha guarda. O que significa poses corporais e solos de guitarra com fartura.

A noite prossegue com os êxitos da década de 1970: Something ‘Bout You Baby, Rain (esta com John “Rhino” Eduards como principal vocalista) e Little Lady que conseguem manter a fasquia em alta da atuação do grupo inglês.

O grupo consegue acompanhar o ritmo do carismático vocalista. Destaque para Andy Brown, teclista e ocasional terceiro guitarrista. A capacidade de multitasking deste músico e a sua consecutiva facilidade de trocar de posições em pleno palco é digna de se ver.

Apesar de ser o Francis Rossi ser o mais endiabrado em palco, não tem problemas de partilhar os deveres vocais com os seus “colegas de armas”. Contempla-se o guitarrista Richie Malone a cantar Mystery Song enquanto que o Francis passeia pelo palco a espalhar a sua aura de estrela do rock.

A prova que são bons músicos ao vivo reside na capacidade de fazerem um medley com alguns temas do seu repertório por uns bons seis minutos. Começa por What You’re Proposing e acaba em Dear John e põe alguns espectadores menos complexados a dançar de forma peculiar.

“Vais Prá Tropa Pá”

Ouvimos em plena arena do Campo Pequeno, In The Army Now, o maior êxito comercial dos Status Quo. Nesta altura do concerto, as emoções estão ao rubro. O público canta: “Hand grenades flying over your head” e segue-se um “bombardeamento” de percussão, que, juntamente, com In The Air Tonight de Phil Collins é das secções de bateria mais conhecidas dos anos 80.

Roll Over Lay Down e Down Down prosseguem o ambiente de rock n roll e, antes do encore, Whatever You Want e Rockin’ All Over World fecham sábiamente o concerto.

Já em jeito de despedida, Don’t Waste My Time e Bye Bye Johnny (tema do recém falecido Chuck Berry) terminam no mesmo registo, ou seja, com o espírito rock n roll em alta.

Se isto for uma despedida dos Status Quo, pode-se dizer que saíram pela porta grande. Estão velhos? Recordo o provérbio português: “Velhos são os Trapos”. O que ouvimos em mais de hora e meia de concerto foi uma aula de rock como poucos conseguem dar. Numa palavra: classe.

Fotografias de Cátia Serro