Muitos pensam que a época de festivais termina com o fim do verão e o regresso às rotinas. Pois bem, o Festival Iminente voltou para contrariar esse espírito. Mudou de albergue e trocou Oeiras pelo Panorâmico de Monsanto. O primeiro dia esgotou num ápice e é compreensível: afinal, o cartaz não deixou espaço para dúvidas. Também a arte urbana, o outro grande pilar do festival, teve presença afincada. Desde Vhils, o criador do evento, a Wasted Rita ou MAISMENOS.

Conan Osiris, Omar Souleyman, Bonga e Papillon eram alguns dos nomes mais fortes na música. Também houve tempo para um surprise act, mas já lá vamos. Deixamos agora os cinco melhores momentos do primeiro dia do festival:

Conan Osiris

Pequena introdução biográfica: adora bolos. Além disso, tem vindo a ganhar um estatuto de fenómeno entre os internautas mais jovens portugueses. Como? Pelo estilo, pelo dançarino João ou simplesmente porque soube fazer algo diferente na música cruzando música cigana e árabe com hip-hop e eletrónica. Já para não falar dos modelitos que leva a palco – para o Iminente escolheu envergar um kimono millennial pink, assim como quem não quer a coisa – que batem sempre nos píncaros da extravagância. Nunca se ouviu nada assim, até porque percebemos que a mística daquele espaço se unia, de certa forma, com a expressividade de Conan (não contando com o concerto que o cantor deu dentro de uma gaiola para Joana Vasconcelos).

 

Papillon

O jovem artista não precisa de grandes introduções. Muitos conhecem-no dos GROGnation e outros tantos começaram a seguir-lhe o rasto quando se lançou a solo. De qualquer uma das formas, o concerto que deu neste primeiro dia de festival foi de respeito. Na cave, onde estava o palco, havia filas intermináveis para entrar e poder testemunhar o que ali se passava. Deepak Looper, o seu disco de estreia, deu o salto para o público que conhecia cada palavra como se fosse sua. Claro, houve surpresa: a aparição de Slow J para dar uma ajudinha.

Omar Souleyman

O lendário músico sírio foi provavelmente um dos grandes espetáculos da noite, dado o facto de ter um legado discográfico bem eclético. Não é apenas música do Médio Oriente, é uma mescla única de batidas eletrónicas com música árabe. Digamos que todo este dia esteve reservado para artistas de influências étnicas e misturas improváveis. Acompanhado apenas por mais um artista em palco, Omar nunca se sentiu sozinho com a participação em massa por parte do público. Os ritmos pulsantes e o ambiente de festa converteram a presença do músico num dos destaques da noite.

Dengue Dengue Dengue

Os Dengue Dengue Dengue entraram a matar pela noite dentro. O conjunto peruano, bem acompanhado da sua mesa de mistura e de visuals gráficos impressionantes, soube cativar cada vez mais gente que automaticamente tirou os pés do chão. Com a curadoria da Enchufada, os Dengue Dengue Dengue fizeram uma tempestade tropical de eletrónica psicadélica que certamente ganhou mais fãs. Destaque essencial vai também para o espetáculo visual de que se fizeram acompanhar.

Fatboy Slim

Já tinha sido anunciado na quarta-feira, dia 19, que a certa altura da noite o primeiro piso do Panorâmico seria ocupado por um DJ, sempre com a garantia de que seria surpresa total. A espera resultou num surprise act de Fatboy Slim que às tantas, logo depois da atuação de Dengue Dengue Dengue, rebentou com as expectativas dos festivaleiros. O DJ e produtor britânico foi, sem margem para dúvidas, uma bela surpresa para quem ainda põe em causa a maior internacionalização do festival.

O Panorâmico viu uma Lisboa diferente, colorida e com ritmo

Embora estes tenham sido os grandes momentos do primeiro dia, nada impediu outros brilharetes. Bonga pôs os êxitos em marcha e os Cumbadélica desafiaram as estruturas da cave do Panorâmico. Houve ainda Yuzi, Shaka Lion ou Octa Push. Tudo com o avançar de um dia que trouxe à baila a extravagância tal como a adoramos.

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