Quem é Noah Centineo? Quem é o rapaz que All The Boys I Loved Before catapultou para o estrelato? A película, um dos mais recentes filmes de domingo à tarde da Netflix, na era do streaming pode ser vista a qualquer hora ou dia da semana. Conquistou dois feitos: primeiro recuperou um género cinematográfico perdido, as comédias românticas adolescentes e, depois, pelo caminho, fabricou um novo galã juvenil.

Noah Centineo nasceu em 1996, em Miami. Filho de um pastor que se tornou empresário e de uma instrutora de aulas de yoga e cycling, começou a carreira aos 12 anos, quando protagonizou Gold Retrievers, um filme de baixo orçamento, e baixa notoriedade, lançado em 2009.

Continuou, pela carreira fora, a passar despercebido em participações discretas em séries como Austin e Ally, Marvin Marvin, Shake It Up ou ainda com papéis secundários em filmes da Nickelodeon e do Disney Channel. Mas a determinação do ator não esmoreceu. “Eu disse-lhes: ‘É isto que quero fazer. Se nos mudarmos [para Los Angeles], eu juro que vou conseguir e que vou fazê-lo“.

Noah Centineo em 'How To Build a Better Boy'

Noah Centineo no filme ‘How To Build a Better Boy’ (Fotografia: Disney / Reprodução)

O cenário só mudou seis anos depois, em 2015, aos 19 anos. Ainda assim, a fazer uma substituição. Assumiu o papel que foi de Jake T. Austin nas duas primeiras temporadas da série Família de Acolhimento. A entrada, à terceira temporada, de um novo Jesus Foster, não foi bem recebida de imediato, mas acabou por valer a Centineo uma primeira nomeação para os Teen Choice Awards. Era o despontar.

Começar com um falhanço e acabar em glória

Noah Centineo em SPF-18

Noah Centineo em SPF-18

Não ganha o prémio, mas ganha o primeiro convite para um original Netflix. Estreia-se em 2017 na plataforma de streaming com SPF-18, um mau filme para adolescentes. A falar por nós estão os 3,3 em 10 na avaliação dos utilizadores do IMDB e os 11% de pontuação do público no Rotten Tomatoes. Mais uma falsa partida para Noah.

A película, que tem estado a ser redescoberta em 2018 pelos fãs do ator, foi qualificada pelo crítico Roger Moore como tendo um enredo “mais do que simplista“, em que as personagens não “têm cor, são suaves e ‘fixes’” e a atuação é classificada como “má em toda a linha”.

E entretanto chegou o verão que mudou tudo. 

Párem de me seguir“, pediu Noah Centineo em entrevista a Jimmy Kimmel esta sexta-feira (21). Relatou situações de fãs obcecados que o seguiram até à zona de recolha das bagagens no aeroporto em Nova Iorque. A situação, que qualificou como “um bocado assustadora“, é a evidência inegável de que a sua vida está diferente depois do sucesso em All The Boys I Loved Before. 

A Todos os Rapazes Que Amei

Fotografia: Awesomeness Films

Não renega as comédias românticas adolescentes, referindo que clássicos como The Breakfast ClubFerris Bueller representam “uma certa camada demográfica da população, e mostram a essa mesma camada o estilo de vida dela de forma bastante verosímil“, sublinhando que “é fã deste género” e que “não entende como é que alguém pode não ser“.

Contudo, não esconde a ambição de entrar em filmes mais obscuros e pesados. Em declarações ao Indie Wire contou ter crescido a ver filmes “mais intensos“, como “A Lista de Schindler, Sociedade dos Poetas Mortos, O Bom Rebelde, Matrix” e admitiu que gostava de fazer “obras de autor, algo mais existencial e pesado“. Noah acha que “a comédia romântica pode ser uma forma de seguir para outros géneros“, detalhando logo de seguida que adora o trabalho do argentino Gaspar Noé, dos irmãos Coen e dos irmãos Nolan.

Apontadas as frequentes comparações a Mark Ruffalo, Centineo não as teme e aproveita para dizer que quer “definitivamente” trabalhar com a estrela de Spotlight, ao mesmo tempo que também fala sobre Robert Downey Jr. como uma inspiração.

Porém, e apesar destas ambições, deixar o filão que o levou ao topo do mundo não está nos planos. “Todos amamos amar. E todos queremos ser amados e dar amor, lá no fundo“, sublinha. “Acho que todos podemos identificar-nos com estes filmes“. E, para já, parece estar de alma e coração com os fãs no desejo de filmar uma sequela de All The Boys I Loved Before.

Fotografia: Chris Pizzello/Invision/AP

Os perfis que têm sido escritos sobre o ator revelam os motivos pelos quais têm subsistido em seu torno uma aura de boy next door. É um romântico assumido e já foi enganado, como a sua personagem em Sierra Burgess is a Loser, através de uma fraude no Instagram. Nas pausas das gravações, gosta de coisas tão complexas como ler e dormir sestas. E quando anda pelo set, anda sempre a cantarolar coisas. Garante que, na escola, era só mais um. Não era um dos miúdos populares.

A vida dá voltas. No futuro imediato, enquanto grava o seu próximo trabalho, a série Good Trouble, Noah Centineo tem de continuar a aprender a lidar com a fama e a popularidade instantâneas, acompanhadas pelo crescimento, aos milhões, do número de seguidores nas redes sociais. Apesar dos sustos, quando lhe perguntaram o que é que acha de ser “o novo namorado da Internet“, gracejou. “Não sabia que estava numa relação. Acho que é fixe“.