O glamour californiano dos Jungle não acabou na espera por um disco novo. For Ever marca o regresso dos britânicos e o público parece mais fã do que nunca. Embora o homónimo tenha sido um aclamado álbum de estreia, For Ever reforça que o modern soul veio para ficar. Por vezes mais agitados, outras vezes mais pacíficos e contidos. Os Jungle têm música para dar e vender a um mundo que ainda se encontra adormecido para reconhecer o talento da banda.

Há festa na selva e chega com o espírito californiano

Um disco que ultrapassa as barreiras do divertido inicia-se com Smile. A vibe descontraída e downtempo torna-nos a apaixonar tal como na estreia da banda, em 2014. Afinal, já não estão no seu quarto, em Londres, a fazer música. For Ever trepa a eletrónica habitual em Cherry e Cosurmyne: os Jungle amadureceram.

Home é um hino merecidamente único. Inicia a saudosa jornada dos britânicos pelo seu crescimento enquanto músicos e por tudo o que abandonaram para seguir “o sonho americano”. Deveras mais misterioso e etéreo persegue o tema House in LA, o grande destaque do disco. Facilmente fica no ouvido pelo exotismo transpirado e soa a êxito que há-de invadir os telemóveis de toda a gente. É um épico e pode-se já escrever nas estrelas.

O outro single orelhudo e menos contido é Heavy, California. Antecipou com perfeição o que os Jungle já vinham (indiretamente) a anunciar há muito. A estética funky do primeiro álbum permanece vigente, no entanto floresceram para um outro nível. Os ânimos acalmaram e muitos temas emprestam quase que um James Blake aos nossos ouvidos, como é o caso de Mama Oh No.

Música que chega tarde a um verão (quase) acabado

Casio é a mais expansiva e certamente que os Jungle despem a pele de carneiro para deixar o arco emocional de lado. Oscilando entre o emotivo e o divertido, a banda sabe-se mover como em It Ain’t Easy e Beat 54. It Ain’t Easy é, sem dúvida, a canção que chega demasiado tarde ao verão que teima em acabar.

Uma tímida Pray encerra o disco tal como necessário: com a maturidade precisa para os Jungle passarem de nível. Mesmo que For Ever não tenha tido o impacto gigante que teve o álbum de estreia, não deixa de ser uma fase de crescimento essencial. Apesar de tudo, a banda está a aprender a vender-se incutindo na música alguma da emoção que por vezes fica para trás. Não há problema: eles estão na crista da onda californiana e em breve conquistarão o mundo.