Corria o ano de 2015 quando um jovem, de seu nome João Batista Coelho, assinava como Slow J o seu primeiro EP: The Free Food Tape. À altura, ainda não imaginava o sucesso que com ele viria e, dois anos depois, com o primeiro álbum: The Art of Slowing Down. Esta sexta-feira (21), Slow J completa 26 anos.

No último concerto da digressão deste ano, em Viana do Castelo, o público viu um Slow J bem mais introspectivo do que aquilo a que já tem habituado os seus fãs. “Este é o último concerto deste ano, vou voltar a fazer o que vocês gostam. Vou voltar ao estúdio”, assinalou o artista.

E o público quer mais, mais daquilo que Slow J é capaz de fazer, mais inovação. Há três anos, escrevia uma letra como “Mano, eu nem sei/ Eu só tentei/ Chegar mais longe sem sensei” e chegou. Cristalina foi um sucesso e continua a ser, com mais de um milhão de visualizações no youtube, Slow J conseguiu, efectivamente, chegar mais longe.

 

O trabalho de produção

Aos 26 anos, o músico de Setúbal não pára e leva consigo uma legião de fãs, que aconselha sempre a lutar pelo que querem, pelo seu talento. Nunca Pares é o último tema que o músico lançou, em junho, e nele consta, bem vincada, a luta que fez para aqui chegar. “Tudo o que eu quero é voltar a casa/ Ver que ela nunca mais vai ser igual/ Mundo todo virou um vendaval/ Nossa fome é tão universal/ Falhamos, lutamos, sangramos/ E nunca paramos sem alcançá-lo”.

 

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Com 18 anos, Slow J rumava a Londres para estudar Engenharia do Som e regressar em 2013 para começar o estágio na Bigbit Estúdios, em Lisboa. Ali teve a oportunidade de contactar com grandes nomes do Hip Hop Tuga, como Valete e NBC. Hoje, continua a produzir música e já esteve envolvido em várias produções de Hip Hop nacional, como por exemplo Deepak Looper de Pappilon.

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Mas Slow J é muito mais que Hip Hop. É R&B, é electrónica e até chega a roçar os ritmos africanos.

Dizer não aos puristas

De facto, o músico e produtor, não tem nada de normal. Pronto a romper com todas as bases do Hip Hop, não quer saber de Puristas que lhe queiram impor cânones ou regras ao seu trabalho.

Eu sou o erro que não podiam prever/ Cozinhar-me é juntar fome com a vontade de comer/ Eu sou do tempo em que a batida era uma fé/ E eu rezava dia e noite por viver/ Puros querem-me afundar mas putos pedem mais um/ Puro verso eu vim mudar o mundo espera lá no teu canto/ Isto é para quem me inspirou tanto/ Se eu canto é porque eu vi alguém tornar-se gigante”.

 

O factor inovação está bem presente na arte de Slow J e chegaram até a chamar-lhe “O herdeiro de Sam The Kid“.

The Art of Slowing Down

Depois de abrir o apetite, em 2015, com The Free Food Tape, em 2017, entrou como uma bomba que rapidamente se tornou num sucesso. Com casas cheias por vários pontos do país, Slow J teve até que agendar nova data para a apresentação do álbum no Porto, que esgotou, primeiro numa semana e, depois em dois dias.

A imagem de um macaco em meditação e calma profunda, que preenche a capa do álbum, sugere a desaceleração que Slow J pretende. São pouco mais de 40 minutos onde o ouvinte é transportado para um mundo de diferentes batidas e letras fortes que o envolve.

Com uma mistura de cores, cheiros, tons, sons, batidas, o artista deixa claro desde o início o que quer fazer. Arte é o segundo tema do álbum, onde está precisamente isso expresso, já que nele vemos parte das várias tonalidades da palete de batidas do artista, que são dadas a provar em The Art of Slowing Down.

“Vou traçando linhas, da fome ao encher da barriga/ Do medo à fé, meu amor/ Eu queria ser como os grandes cantores dos palcos gigantes, aplausos, vénias/ E aplausos/ Eu queria ser como só tu consegues”.