A atriz Keira Knightley manifestou publicamente, à revista The Hollywood Reporter, o desejo de ver mais mulheres na cadeira da realização de cinema. No entanto, afastou a hipótese de vir a ser uma delas.

O sublinhar da estrela de filmes como Expiação (2007) ou Orgulho e Preconceito (2005) foi conciso: “Não, não“, excluiu assim qualquer aspiração a virar cineasta, durante a pré-estreia, no Samuel Goldwyn Theater, em Los Angeles, de Collete (2018), o mais recente dos filmes em que participa.

Mas não foi por não o desejar ser que não assegurou que “(…) há muitas realizadoras mulheres talentosas“. Ainda à revista americana, confessou que “eu penso que elas precisam de ser apoiadas. Penso que o ponto de vista feminino é muito importante. Penso que precisamos de mais [diretoras de fotografia], mais produtoras, e precisamos de mais escritoras, por isso eu penso que precisamos de dar um empurrão para termos representação“.

O feminismo tem mesmo lugar no cinema

A representação feminina, quer no cinema quer no resto, bem como o seu empoderamento, foi o tema da passadeira cor-de-rosa da apresentação do seu novo filme, obra do realizador Wash Westmoreland.

Collete conta a história real de Sidonie-Gabrielle Collete (Keira Knightley), uma mulher francesa cujo marido a obrigava a escrever romances em seu nome, ficando assim com os louros das suas aclamadas obras. Em jeito de revolta, Collete divorceia-se dele e luta pelos direitos do seu trabalho literário.

Keira Knightley, apesar de atualmente reconhecida como uma das atrizes mais indicadas para este género de papéis, não fazia parte dos planos iniciais de Wash Westmoreland. Até porque, originalmente, o filme estava planeado para sair em 2001, quando Knightley teria apenas 16 anos.

Adiada a produção de Collete, o realizador mostrou-se até feliz por oferecer o papel principal à atriz inglesa, embora tenha brincado sobre a inconveniência no momento de fechar negócio com a mesma:

Mal ela [Keira Knightley] leu o guião, estava mesmo dentro dele, e eu estava no Festival Internacional de Cinema de Xangai, e recebi uma mensagem: ‘Keira Knightley quer fazer FaceTime contigo’“, contou Wash Westmoreland.

(…) eu tinha tipo 15 por cento de bateria no meu telemóvel, por isso foi uma das conversas mais rápidas que já aconteceu“, contextualizou o realizador.

Descemos para dois por cento, e a bateria estava vermelha, e eu disse, ‘Keira, ninguém consegue fazer este papel tão bem como tu’, e ela vai, ‘Ó, vá lá, vamos fazê-lo!’ E o telefone morreu

Collete estreia em Portugal a 24 de janeiro de 2019.