Tel Aviv é a cidade escolhida para acolher a 64.ª edição do Festival Eurovisão da Canção, revelou a União Europeia de Radiodifusão (UER), nesta quarta feira (12).

A decisão foi tomada pelo Grupo de Referência do Festival Eurovisão da Canção, após o tradicional processo de proposta. A emissora pública israelita KAN teve de apresentar pelo menos duas cidades candidatas, entre as quais estavam Jerusalém e Eilat.

Recebemos três propostas fortes, mas acabámos por decidir que Tel Aviv tem o melhor set up para receber o maior espetáculo de entretenimento do mundo.”, explicou  Jon Ola Sand, o supervisor executivo do Festival Eurovisão da Canção, no vídeo de anúncio da cidade anfitriã.

No vídeo, é possível conhecer um pouco de Tel Aviv, a segunda maior cidade israelita, conhecida pela sua orla marítima e, principalmente, vida noturna. O evento decorrerá na Expo Tel Aviv, um centro de convenções internacional.

Tel Aviv não é Jerusalém, mas é Israel

Israel recebe o Festival Eurovisão da Canção pela terceira vez, após Netta ter vencido a 63.ª edição do concurso em Lisboa. Porém, é a primeira vez que Tel Aviv é a cidade anfitriã. Quando Israel venceu, em 1979 e 1999, foi Jerusalém a cidade escolhida para acolher o Festival.

Jerusalém era uma das cidades candidatas, a escolha óbvia para o primeiro-ministro israelita, mas uma decisão impensável para alguns. Jerusalém é uma cidade considerada sagrada tanto para judeus como para árabes e tem sido palco de tensões políticas há várias décadas.

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Através de petições, políticos ou meros cidadãos apelaram ao boicote do Festival, se realizado em Jerusalém, ou em qualquer outra cidade israelita.  Antes de ser anunciada a cidade anfitriã, artistas de todo o mundo assinaram uma carta aberta, publicada no The Guardian, que apela ao boicote do Festival em Israel. Entre eles, estavam sete portugueses.

“A Eurovisão 2019 deve ser boicotada se for recebida por Israel, enquanto (o país) continua as suas graves violações, há décadas, aos direitos humanos dos Palestinianos.”, pode ler-se no apelo dos artistas.

Neste apelo foi sugerido que fosse escolhido outro país “com um melhor histórico de direitos humanos“, com a justificação de que “a injustiça divide, enquanto a procura por dignidade e direitos humanos une“.