“Há lugar para todos”. Pode ler-se na fachada do Teatro D.Maria II (TNDM) ou no folheto com a programação da temporada 2018-2019. A intenção do D.Maria é mesmo essa: que venham todos ao teatro, “os que já viram muito teatro e os que entram no teatro pela primeira vez”. Tiago Rodrigues, diretor artístico, quer que este teatro seja “cada vez mais democrático, plural e inclusivo”. Sem limites, ou limitado apenas pela lotação da sala.

Por isso, o D.Maria II começa a sua temporada de portas abertas e com entrada livre. Nos dias 15 e 16 de setembro, de forma gratuita, podes assistir a diversas estreias. Mas não fica por aqui… A peça À espera de Godot estreia também já no próximo sábado, dia 15. O Espalha-Factos foi assistir aos ensaios e antecipa-te o que podes esperar.

TNDM

Foto: Ana Correia Soares / Espalha Factos

À espera de Godot: a peça

Com encenação de David Pereira Bastos, esta peça de Samuel Beckett apaixona-nos desde o primeiro momento. Bem vemos que é uma representação de Beckett, um dos principais dramaturgos que definiram o teatro de absurdo. Esta não pode fugir muito ao seu escrito original, pois assim Beckett obrigou. Mas David conseguiu torná-la diferente, mais intensa, mais pessoal.

Em conversa connosco, David explicou a sua metodologia: partiu da tradução de José Vieira Mendes, confrontou-a com as versões originais. Duas, que o livro foi inicialmente escrito em francês pelo dramaturgo irlandês, em 1949 – publicada em 1952. Em 1955, Beckett recria a peça na língua inglesa.

O encenador fez alguns ajustes rítmicos, conferiu um tom mais musical, bem timbrado, à peça. Tornou a peça do século passado numa representação contemporânea. Ainda que não fosse essa a sua intenção, a peça tonou-se perfeitamente atual.

Partilhou responsabilidades com o Bruno Simão, no que respeita ao cenário. Bruno, também ator na peça, teve a difícil tarefa de respeitar um cenário simples tornando-o sustentador de toda a ação. Os figurinos conferem também esta modernidade à peça.

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O elenco

Bruno Simão, David Pereira Bastos, Miguel Moreira e Rui M. Silva são os quatro atores que tornam esta peça possível, que trazem Godot para os dias de hoje e que dão vida a quatro personagens que são tão possíveis e verdadeiras em 2018 como o eram em 1952. Este elenco defendeu bem o seu trabalho. A dupla Gogo e Didi inquieta-nos. Faz-nos duvidar se rimos ou não perante a tragédia humana. Os enigmáticos Pozzo e Lucky deixam bem presente a capacidade que o ser humano tem de rebaixar outro ser.

A espera de Godot foi eterna, mas a espera por esta estreia não leva muito tempo. A peça está em cena de 15 de setembro a 7 de outubro. Podes ver quartas e sábados, às 19h30, quintas e sextas, às 21h30, e domingos às 16h30.

Para mais informações, podes consultar o sítio do TNDM.

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