Dia seis, quinta-feira, foi o primeiro dia de Milhões de Festa. Acertadas a zero as contagens decrescentes, foram chegando a Barcelos ao longo do dia campistas um pouco de todo o lado. O Espalha-Factos esteve presente e conta como foi o primeiro dia da edição de 2018 do Milhões de Festa.

Para quem já tinha as tendas montadas no Parque Municipal de Barcelos, já estavam a decorrer concertos desde as seis da tarde. Ensemble Insano é o conjunto de diferentes gerações de músicos da cidade que se juntam para criar algo único, tendo André Simão como “maestro”. Quem vai ao Milhões sabe que nunca falta Ensemble Insano. Assim, pareceu fazer sentido que a banda desse as boas-vindas, não só do festival ao público, como da própria cidade ao festival, uma vez que tocaram no Palco Cidade (palco cuja localização é fora do recinto, mudando todos os dias).

Por sua vez, o Palco Taina também abriu cedo as suas portas. A Favela Impromptu desenhou um espetáculo especialmente para o Milhões de Festa, num projeto único que tem como fio condutor exatamente o tema do festival deste ano: ‘a tradição já não é o que era’. Com isso, reinterpreta o conceito de festa tradicional minhota numa tarde dividida em quatro momentos. Às 18h30, a Favela Impromptu apresentava Adega Cooperativa de Marte, o primeiro momento. Ao longo do resto do dia e noite, seriam os restantes momentos do espetáculo.

O festival em si abriu o Palco Milhões com Indignu, uma banda post-rock e shoegaze barcelense.

700 Bliss

A seguir no palco Milhões estiveram os 700 Bliss. Nasceram nas festas underground e horas noturnas da cidade de Filadélfia. Vindas da Don Giovanni Records, o juntar de DJ Haram a Moor Mother (Camae Ayewa), que inclusive já tinha marcado presença na edição do ano passado do festival, junta-se a dança à poesia e o resultado é único. Em igual medida terrena e cósmica, o espetáculo é uma avalanche de distorções sob a forma de beats de dança e de influências óbvias de hip-hop na voz de Moor Mother. O tema é político e incontornável. A revolução está presente não só nas letras como na própria construção do som e do espetáculo e tem uma força avassaladora sobre o público. Camae Ayewa gritou ao microfone “No justice, no peace” e, sem dúvida, Barcelos ouviu e reteve na memória.

The Mauskovic Dance Band

Nicola Mauskovic é baterista do músico Jacco Gardner e iniciou esta dance band como uma proeza musical com amigos: Donnie Mauskovic, Em Nik Mauskovic e Mano Mauskovic. A banda apresenta uma sonoridade coesa, cheia de ritmos quentes, compassados e dançáveis. Aliado à cumbia, o som de The Mauskovic Dance Band foi festa garantida no Milhões de Festa. Impossível era não dançar neste que foi um concerto completamente descontraído e hipnotizante para o som e o ambiente que o rodeava, e que fez parte dele.

Aeróbica

O primeiro dia, de entrada livre, terminou com Aeróbica, uma vez que só os Palcos Milhões e Taina é que estavam, para já, inaugurados. Já presentes na primeira edição do festival, em 2010, na qual encerraram o cartaz, o trabalho de 2018 era outro: entusiasmar e impressionar para o resto, dando por terminado o primeiro dia de Milhões. A única regra da música é ser revivalista e o único objetivo é juntar gerações, unidas por clássicos de pistas de dança. Para a atuação do Milhões, o coletivo Aeróbica chamou os amigos: Nuno Dias, produtor, figura de internet e ícone do Milhões de Festa; Tomás Wallenstein, capitão de profissão, amante de festas de coração; Midnight volta finalmente ao Milhões de Festa após uma atuação épica em 2011, com dois bartenders e dois técnicos de som e após um cancelamento no cartaz de 2012; Trol2000 é uma das caras da Rádio Quântica e comanda a Peekaboo Records; já Miguel Torga é poeta e produtor, consoante a hora e o dia.

O primeiro dia do Milhões de Festa acabou exatamente com festa e com uma ânsia geral pelo verdadeiro começar do festival em que se iria descobrir o que significava, realmente, que a tradição já não é o que era.

Fotografias de Inês Graça