O Espalha-Factos marcou presença nesta 12.ª edição do MOTELX, e traz-te os filmes de maior destaque. Os dias 7 e 8 trouxeram uma estupenda dupla sessão ao maior festival de cinema de género em Portugal, assim como um dos sucessos mais singulares do cinema deste verão, Upgrade, do convidado de honra do festival Leigh Whannell.

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Luz – 3/10

(Secção Prémio Melhor Longa de Terror Europeia)
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Foto: Divulgação/MOTELX

Possivelmente o filme mais abstrato da competição de longas europeias, o alemão Luz, do realizador Tilman Singer, é uma obra de verdadeiro interesse. Rodado num evocativo 16mm, qual regresso ao passado, a história não linear, de uma taxista seguida até uma esquadra da polícia por uma entidade demoníaca por si apaixonada, tinha tudo para ser fascinante.

Infelizmente, o fio narrativo não cativa; as incursões pelo reino do fantástico a determinada altura já não parecem apresentar coesão, e quando o filme chega ao final dos seus anémicos 70 minutos, a sensação anticlimática é por demais ensurdecedora.

Não obstante, Luana Velis, no papel principal, Luz, apresenta grande controlo sobre a personagem, em cenários sobrenaturais que lhe pedem naturalidade e credibilidade. Há também aqui sequências absurdamente intrigantes, no bom sentido, mas no fim de tudo, fica a ideia de que Luz talvez tivesse resultado melhor enquanto curta-metragem.

Upgrade – 8/10

(Secção Serviço de Quarto)
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Foto: Divulgação/MOTELX

Segunda incursão de Leigh Whannell, criador das séries Saw e Insidious, na realização, Upgrade é um B-movie descarado, sem vergonha da sua condição; leva-a até ao limite das suas possibilidades, culminando num estrondo cinematográfico de fazer inveja a tanto blockbuster.

Quando a mulher de Grey Trace (Logan Marshall-Green) é assassinada numa emboscada e este deixado tetraplégico, um milionário propõe-lhe um implante que lhe permitirá andar de novo, e aí inicia-se o seu upgrade. Um upgrade para lá do enredo, que como que revitaliza a representação fílmica da interação entre homem e inteligência artificial.

Whannell dá-nos um dos filmes mais originais do ano, uma experiência de cinema recompensadora, que não poupa nem na ação nem no coração da história, sempre na ânsia de surpreender com o seu budget reduzido, o que nunca se apresenta um problema.

Marshall-Green está de volta a um papel principal no MOTELX, depois de The Invitation há três anos, e é puramente o protagonista que a fita de Whannell precisa: um misto de brutalidade e amargura, com uma onda de muita ironia, que em conjunto com as ideias “assertivas” do implante Stem, elevam a fita e a tornam memorável.

Uma das jóias de 2018.

Brevemente em VOD.

The Ranger – 2/10

(Secção Serviço de Quarto)
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Foto: Divulgação/MOTELX

Típico apanágio de uma sessão dupla do MOTELX, The Ranger é somente um filme sofrível, em todos os sentidos. O que neste caso não é algo mau, é incrível.

Quando Chelsea (Chloe Levine) e os amigos, numa fuga à polícia, se vêm encurralados numa montanha com um ranger florestal do seu passado (Jeremy Holm), estava o palco montado para um slasher de deixar os nervos à flor da pele.

Acontece que no meio de tanta mediocridade, a comédia reina na obra da realizadora Jenn Wexler. Entre mau acting, mortes exageradas, e incursões bastante duvidosas no argumento, as risadas e aplausos instalam-se e vão imparáveis até ao final. De início até parece que o filme estaria a querer levar-se a sério, mas a ideia é descartada prontamente, e ainda bem.

Que mais se poderia pedir?

Gon-ji-am / Gonjiam: Haunted Asylum – 6/10

(Secção Serviço de Quarto)
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Foto: Divulgação/MOTELX

Segunda parte da dupla sessão de sexta-feira, Gonjiam foi uma das agradáveis surpresas da 12.ª edição do MOTELX. Numa altura em que o género do found footage já deu o que tinha a dar, o sucesso sul-coreano, sobre sete jovens que decidem ir fazer um direto noturno para um manicómio abandonado, selecionado pela CNN como um dos lugares mais assombrados do mundo, revela-se uma refrescante – e aterradora – surpresa.

É uma questão de tempo, diz a lei do cliché, todos vão morrer mortes dolorosas. E, no entanto, todas elas surpreendentemente perturbadoras; a tensão cresce perigosamente, e o realizador Beom-sik Jeong sabe aproveitar todo o potencial da ideia, com sequências de terror que se estendem para lá do recomendado para cardíacos.

A estética e montagem de um live online revitaliza também as chances em surpreender, aliado a um elenco local que entra nas regras do jogo convincentemente. Um triunfo de dupla sessão no Cinema São Jorge.

Ghost Stories – 4/10

(Secção Prémio Melhor Longa de Terror Europeia)
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Foto: Divulgação/MOTELX

Adaptado de uma peça homónima dos realizadores e argumentistas Jeremy Dyson e Andy Nyman, Ghost Stories narra a investigação de um caçador de fraudes do oculto a três casos distintos, de pessoas que afirmam ter-se deparado com o paranormal.

Uma espécie de antologia algo desconexa, Ghost Stories não cria interesse ao longo da sua duração, e quando chega o final, não fica claro o porquê da necessidade daquilo que se esteve a ver. A tensão, nem vê-la, apesar de alguns sustos bem conseguidos.

O cast não deixa de competente, no entanto, em particular Martin Freeman, o ator britânico que, quer no cinema, quer na TV, consegue sempre surpreender.

Talvez tudo se resultasse melhor sem a revelação final, e três longas para cada um dos casos. Todavia, um desperdício.