A 12.ª edição do MOTELX, o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, encerrou ontem à noite no Cinema São Jorge, com uma sessão lotada de premiação dos prémios nas competições de Melhor Curta de Terror Portuguesa, Melhor Longa de Terror Europeia, e Prémio do Público na secção Serviço de Quarto. Seguiu-se a exibição de Elizabeth Harvest, tendo havido ainda tempo para Terrified, a última sessão do festival.

A sessão iniciou com a atribuição do prémio MOTELX para Melhor Curta de Terror Portuguesa, a 10.ª vez que o festival dá o prémio, tendo ao longo da década visado promover a produção portuguesa, conforme frisa a organização. A Estranha Casa na Bruma, de Guilherme Daniel, foi o vencedor do prémio; adaptação de um conto de H.P. Lovecraft, autor cuja obra o júri reconheceu ser difícil de traduzir para o ecrã, foi aludida a “clareza e simplicidade” da curta, “decorrida em quase silêncio“, a captar “o terror do desconhecido“. A Agouro, curta de animação de David Doutel e Vasco Sá, foi ainda atribuída uma menção honrosa.

Seguiu-se o prémio para Melhor Longa de Terror Europeia, o qual o júri atribuiu ao alemão Hagazussa: A Heathen’s Curse, de Lukas Feigelfeld, por, entre vários fatores, pela “forma hipnotizante como faz entrar no isolamento da duríssima natureza“. O júri referiu ainda a dificuldade em atribuir o prémio a um só filme, tendo revelado que o espanhol Errementari: The Blacksmith and the Devil, de Paul Urkijo Alijo apresentou-se também um forte candidato. Por fim, deixou a sugestão, para futuras edições, da criação de um prémio para Melhor Atriz e Melhor Ator, tendo destacado, de entre a competição, as atuações das atrizes Celia Williams, em Inner Ghosts, e de Maria Leite, em Mutant Blast, e a do ator Alex Lawther, em Ghost Stories.

Leigh Whannell, criador das séries Saw e Insidious e convidado de honra do MOTELX 2018, foi chamado ao palco da Sala Manoel de Oliveira, tendo agradecido o tempo que passou no festival, que não conhecia até ser convidado, mas ao qual disse ter ficado rendido, e as interações com os fãs de terror portugueses.

A organização passou a agradecer aos convidados que marcaram presença no festival, ao júri das competições, e finalmente ao público, assim como patrocinadores, parceiros, e equipa que compõe o festival, a qual foi chamada ao palco para apresentar o primeiro Prémio do Público da secção Serviço de Quarto. Esse, coube ao japonês One Cut of the Dead, de Shinichiro Ueda.

Por último, foi transmitido um vídeo com uma montagem dos melhores momentos da 12.ª edição do festival, e a promessa de um regresso em 2019.

Elizabeth Harvest – 7/10

(Filme de encerramento / Secção Serviço de Quarto)
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Foto: Divulgação/MOTELX

Um deslumbrante thriller de ficção científica, Elizabeth Harvest segue Elizabeth (a modelo e atriz australiana Abbey Lee), uma mulher recém-casada que, ao entrar num quarto da casa vedado pelo marido (Ciarán Hinds), vê desabar a imagem que tem do seu casamento e de si mesma.

Realizado e escrito por Sebastian Gutierrez, argumentista de Gothika e Serpentes a Bordo, Elizabeth Harvest, pode até ser um conceito que nem sempre resulta, mas estamos constantemente perante uma obra de visual e produção fascinantes, com jogos de cor e sombra a servir a trama, e não como mera distração.

O enredo, por vezes, sente-se algo demasiado literário, e talvez seja essa a falha maior da obra de Gutierrez, como se o fio de revelações eventualmente já não coubesse no ecrã, apesar de culminar num desfecho satisfatório.

Lee volta a mostrar-nos a chama que dera a ver em Mad Max: Estrada da Fúria e The Neon Demon – O Demónio de Neon, num papel para o qual é perfeita, e Carla Gugino, como uma co-protagonista que a fita encontra a meio, é uma presença que consegue comandar nem que somente com voz-off, depois do seu grande desempenho no ano passado em Jogo Perigoso.

Não terá sido o melhor filme a passar pelo MOTELX em 2018, mas Elizabeth Harvest não deixa de ter sido uma escolha formidável para o seu encerramento.

Aterrados / Terrified – 6/10

(Secção Serviço de Quarto)
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Foto: Divulgação/MOTELX

O derradeiro filme da 12.ª edição do MOTELX, o argentino Terrified, que já tinha passado pela dupla sessão de sábado, é uma fita tal como a organização a descreve antes da sua exibição, bastante forte em terror.

A investigação de três eventos paranormais distintos, mas quase simultâneos, num bairro em Buenos Aires, pode não dar o mote para um filme verdadeiramente surpreendente, em termos de enredo, mas não nos enganemos, tem alguns dos melhores sustos deste ano, tendo sido audíveis gritos de terror por parte da audiência já habituada a estas lides.

Demián Rugna, a rodar o seu filme com uma paleta de cores fria a instigar o medo, corre o risco de expôr desde cedo as assombrações da possibilidade de causar fadiga rápida ao público, mas a inventividade em subir a parada com cada jump scare vale-lhe a jogada, culminando num dos eventos mais fortes do género de 2018.