Três Coroas Negras chegou a Portugal na passada quinta-feira, dia 6. Este domingo (9), o primeiro capítulo de um épico de fantasia (bestseller do New York Times) foi apresentado oficialmente, no último dia da Comic Con Portugal. A autora sul-coreana Kendare Blake não esteve fisicamente presente, mas foi apresentada em entrevista exclusiva.

Publicado nos EUA em 2016, o primeiro volume de uma tetralogia sobre três irmãs gémeas, rainhas herdeiras de um só trono, entrou diretamente para o 2.º lugar da lista de bestsellers do New York Times, tendo permanecido no top durante seis semanas. “Os direitos da tetralogia foram vendidos para 15 países e a adaptação ao cinema está a cargo da FOX e da produtora responsável por Stranger Things e À Noite no Museu”, lê-se em comunicado da Porto Editora.

Foto: capa oficial do livro

Em Portugal, a obra foi apresentada oficialmente este domingo, dia 9, na Comic Con Portugal, por Ana Galvão. A radialista começou por refletir sobre a literatura fantástica no feminino.“Gosto de livros de fantasia e de bons clássicos, como O Senhor dos Anéis”, confessou. “Mas não há na história mulheres importantes e esse lapso ocorre em muitas outras obras.” O facto de Kendare Blake ter criado uma sociedade matriarcal e de apresentar três irmãs muito complexas, “que não lutam por um homem, mas por algo maior do que elas”, é uma das razões para Ana Galvão admitir ser fã da série, cujo terceiro volume está já a ser lançado nos EUA.

Abelhas-rainhas

Estava previsto que a autora participasse na apresentação a partir de Washington, D.C.. Não tendo sido possível, o público foi compensado com o visionamento de uma entrevista a Kendare Blake, que começou por contar que a tetralogia foi inspirada em colmeias. É que, tal como acontece com as rainhas de Três Coroas Negras, as abelhas-rainhas também lutam pelo trono. Quando as condições são favoráveis para uma divisão da colónia ou quando a atual rainha começa a envelhecer, as operárias (abelhas inférteis) criam larvas em células especiais, construídas para formar um adulto sexualmente maduro. Quando uma abelha-rainha emerge, tenta matar as suas rivais, razão porque só existe uma única rainha em cada colónia.

Em Três Coroas Negras, também as rainhas se tentam matar umas às outras. Na disputa pelo trono, com início no dia do seu 16.º aniversário, encontram-se Mirabella (que controla os elementos), Katharine (imune a quaisquer venenos) e Arsinoe (uma naturalista, com a capacidade de “fazer florir a rosa mais vermelha e controlar o leão mais feroz”). Segundo Ana Galvão, será difícil para os leitores gostarem mais de uma ou de outra. Confessou, contudo, gostar muito de Arsinoe.

Quanto ao enredo, “não se passa no nosso mundo nem na nossa História”, explicou Kendare. “Costumo dizer que aconteceu antigamente, porque não é moderna. Não há carros nem telemóveis. As pessoas ainda andam a cavalo e usam carruagens para quase tudo.”

«Não a teria escrito»

Quando questionada se a história mudaria muito caso os protagonistas fossem masculinos, a autora afirmou que, nesse caso, não a teria escrito. “Parte do prazer em escrever este livro, sobre estas rainhas, veio do facto de ser uma sociedade matriarcal, em que não tinha de pensar em questões de género ou podia pensá-las de uma outra forma”, esclareceu. “Tentei imaginar como faria se fossem jovens reis, e não fiquei particularmente interessada em aprofundar o assunto.” Lembrou ainda que, “nos tempos que correm, não devia ser nada de especial ter uma mulher numa posição de poder”.

Segundo a autora, outro dos aspetos com os quais mais gostou de trabalhar foi o facto de ter “um elenco enorme de mulheres complexas, moralmente ambíguas, que são boas e más, tal como as pessoas reais o são no mundo real.” 

Três Coroas Negras já está à venda e é possível adquirir, em exclusivo na Fnac, uma edição limitada Comic Con Portugal, de capa branca e com páginas já do segundo volume.

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