Sleepwalk, o regresso de Filipe Melo ao cinema, foi exibida no último dia da Comic Con Portugal 2018. À conversa com Carlos Conceição e Nuno Markl, o músico (que também tem feito BD e cinema) desvendou a aventura que foi a produção da curta e os efeitos visuais que ajudam a contar a história, mesmo sem que ninguém dê por eles.

Para além de músico e uma das vozes do podcast Uma Nêspera no Cu, Filipe Melo é também autor de banda desenhada, conhecido sobretudo pela trilogia As Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy, editada pela Tinta da China em Portugal e pela Dark Horse Comics nos EUA.

Sleepwalk é, aliás, uma adaptação de uma história de banda desenhada concebida pelo próprio e pelo desenhador Juan Cavian, para a nona edição da revista Granta Portugal. A história surge também no álbum “Comer/Beber”, que ganhou este ano o Galardão Anual BD Comic Con, bem como o Galardão de Melhor Argumento.

Estreada este ano no IndieLisboa, a curta foi, por sua vez, filmada em dois dias nos Estados Unidos porque “só podia ter sido feita lá”, afirmou Filipe Melo, também responsável pela banda sonora original, em parceria com o músico Norberto Lobo.

Carlos Conceição à esquerda; Filipe Melo ao centro; e Nuno Markl à direita.

Segundo Nuno Markl, parceiro de Filipe em Uma Nêspera no Cu, Sleepwalk merece ser “uma espécie de bandeira” para Portugal. O radialista aproveitou ainda para prestar homenagem a Sandra Faria, da Força de Produção. A produtora de teatro e espetáculos musicais apoiou o projeto e concorreu a um apoio da Gulbenkian para a sua primeira incursão na sétima arte.

Por outro lado, o material usado para filmar foi arranjado gratuitamente por Federico Cantini. O diretor de fotografia leu o conto e, ao aperceber-se que o diner ilustrado era semelhante a um perto da sua casa, telefonou e disse-lhes para irem lá gravar com a sua equipa de publicidade.

Página da banda desenhada em que aparece o diner

Quanto aos atores, são de “marca branca”, brincou Filipe, explicando que nos EUA até o “senhor da bomba de gasolina” tem um agente, para que o chamem quando precisam de quem represente o papel. Acrescentou ainda que teria sido muito difícil realizar a curta sem atores que não fazem parte do sindicato, aparecem muitas vezes como personagens secundários, mas são muito bons. Ao Espalha-Factos, Filipe Melo explicou que o protagonista Greg Lucey “tem uma mistura de generosidade e de dureza no olhar” que era exatamente o que procuravam.

A importância dos efeitos visuais no cinema

“Os efeitos visuais neste filme servem basicamente para ajudar a contar a história”, explicou Carlos Conceição, responsável pelos efeitos visuais de Sleepwalk“Para compor o que o realizador idealizou”, acrescentou o compositor digital, que já trabalhou nos VFX (visual effects) de filmes como Avengers: Age of Ultron e Star Wars: The Force Awakens.

Em Sleepwalk, só remover uma árvore e recriar o que está por detrás de uma casa, por exemplo, “envolveu quatro ou cinco artistas, para entregar rápido e com qualidade perfeita”. Acrescentar objetos ou corrigir a cor são outros exemplos de efeitos visuais que “ajudam simplesmente a contar melhor a história”, neste caso de um homem que, na década de 80, percorre o interior da América em busca de uma tarte de maçã, no que parece ser — quase sem dúvidas — um gesto de amor.

Sleepwalk voltará a ser exibida no próximo dia 18 de setembro, pelas 16h30, no Oregon International Film Festival, nos EUA. A curta-metragem foi ainda selecionada para o Santa Fe Independent Film Festival, também nos EUA, e para o ALCINE — Festival de Cine de Alcalá de Henares, em Madrid, com datas ainda por anunciar.

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