No dia 12 de setembro estreia A Pior Comédia do Mundo no Teatro da Trindade, com um elenco de luxo, encenado por Fernando Gomes. O espetáculo traz à cena esta peça escrita por Michael Frayn, vencedor de um Tony e considerada um dos melhores textos de comédia recente. O Espalha-Factos esteve num ensaio e conta-te porque vale a pena ir ver esta que diz ser a “pior comédia de sempre”.

Com um cenário simplista, o espetáculo começa enganadoramente calmo. Surge a voz-off de um encenador exasperado que rapidamente nos lembra de que esta não é uma simples comédia. A Pior Comédia do Mundo é duas peças numa só, um turbilhão de dramas e situações cómicas com puros momentos de humor físico.

A verdadeira essência desta peça está, claro, nos bastidores de Tudo Nu, a simples e mundana comédia, cujo ensaio geral nós assistimos num primeiro ato que pretende estabelecer histórias, personagens e relações. É no segundo ato, no entanto, que penetramos nos verdadeiros bastidores da peça e vemos o impacto que várias semanas de convivência numa turné pelo país tem na companhia.

Nervos estão à flor da pele e rapidamente tudo se descontrola, culminando num último ato, o fim da digressão de Tudo Nu, de pura gargalhada, muitas vezes física, mas não menos engraçada.

Personagens bem pensadas

A peça brinca com estereótipos e lugares-comuns para criar a caótica companhia de teatro que acompanhamos. Do encenador (José Pedro Gomes), que tem um caso com duas personagens, ao ator alcoólatra em recuperação (Fernando Gomes), que é meio surdo, passando pelo sensível e inseguro Fred (Cristóvão Campos), deprimido porque a mulher o deixou, o primeiro ato vai deixando notar as várias excentricidades, egos e relacionamentos entre todas as minuciosamente pensadas personagens que vão despoletar o caos nos atos seguintes.

Inês Aires Pereira arranca gargalhadas com a sua sedutora mas distraída Bela, que por sua vez interpreta Vicky, o par romântico da personagem interpretada por Guilherme (Jorge Mourato), o protagonista de Tudo Nu que nos faz rir com a sua falta de eloquência quando fora de cena. Paula Só, Ana Cloe, Elsa Galvão e Samuel Alves completam o elenco com Tátá, que investiu todo o seu dinheiro nesta peça, Bárbara, a calma atriz que conhece tudo o que se passa atrás da cortina, e os membros da produção Zézé e Tomás, respetivamente. E são Bárbara, Zézé e Tomás que acabam por dar algum realismo a este grupo de personagens, pois os três tentam a todo o custo manter a calma e que os dramas e intrigas entre o elenco não prejudiquem a peça, uma tarefa ingrata que rapidamente se mostra impossível.

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Cenário simples e inteligente

O cenário, inteligentemente construído, é o da peça que a esta companhia prepara e depois representa durante o primeiro e terceiro atos. No segundo ato, no entanto, temos acesso ao backstage durante uma matiné da peça, já em turné. Este cenário traz-nos uma visão mais íntima da companhia, dos vários dramas e intrigas que surgiram entretanto, após semanas de convívio, e mostra-nos como estas situações põem em risco a peça em cena.

Além disso, o mesmo cenário fornece-nos pistas de como tudo pode correr mal. Desde as entradas e saídas em palco, aos adereços que precisam de estar no lugar certo na altura certa, com o risco de fazer colapsar a produção. Graças à alteração de cenário, o segundo ato torna-se explicativo, interessante e muito engraçado. Como a peça no seu todo, também ele progride enquanto assistimos ao caos entre o elenco passar para o palco.

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A Pior Comédia do Mundo é uma comédia em crescendo, que estabelece histórias e personagens no primeiro ato, mas que se desabrocha e expande num segund. Tudo isto leva a um terceiro ato apoteótico, de rir às gargalhadas, com o descarrilamento extraordinário da Tudo Nu, que eleva esta representação do engraçado para o hilariante.

No Teatro da Trindade até 27 de janeiro

A peça entra em cena no dia 12 de setembro, no Teatro da Trindade, em Lisboa, com encenação de Fernando Gomes, música de Felipe Melo e Nuno Rafael, figurinos de José António Tenente, cenografia de Eric da Costa e desenho de luz de Luís Duarte.

pior comédia do mundo

Foto: divulgação

Pode ser vista de quartas a sábados, às 21 horas, e domingos, às 16h30, com bilhetes entre os 12 e 18 euros, já à venda nos locais habituais. No dia 11 de setembro, pelas 21 horas, haverá ainda um ensaio solidário, cuja bilheteira reverte a favor da Casa do Artista (bilhetes têm um custo de 10 euros).

Com um elenco recheado de caras conhecidas, a comédia está em exibição até 27 de janeiro, o que te dá quatro meses para escapar à rotina e ir rir ao belo teatro no Chiado.

Depois disso, A Pior Comédia do Mundo ruma ao Porto, onde estará em cena no Teatro Sá da Bandeira, de 31 de janeiro a 24 de fevereiro de 2019. Os bilhetes também já estão disponíveis.

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