À 12.ª edição, o MOTELX, o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, regressou para aterrorizar a capital, com uma sessão de abertura a contar com uma exibição antecipada do novo capítulo da série The Conjuring – A Evocação, The Nun – A Freira Maldita, e, em seguida a obra alemã Four Hands.

Com a Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge praticamente lotada, a apresentação começou sem atrasos de maior, a lembrar que são mais de 70 sessões de cinema esta edição, entre o São Jorge, a Cinemateca Portuguesa, a Cinemateca Junior e o Museu Coleção Berardo.

Os protagonistas do MOTELX

Um dos primeiros focos incidiu sobre a celebração do bicentenário de Frankenstein, de Mary Shelley, a decorrer durante o festival. Uma inspiração até hoje no cinema do género, com retrospetiva marcada na Cinemateca, foi destacado pela organização um painel totalmente feminino a decorrer dia 7, incidindo sobre a herança da obra.

Foi então incitado à plateia “o mais caloroso aplauso” aos realizadores portugueses com obras em competição este ano no MOTELX, não fosse a produção nacional um dos valores mais estimulados pelo festival de cinema de terror. Na competição para o prémio de Melhor Longa de Terror Europeia, a organização fala da “realização de um sonho“, ter duas longas metragens portuguesas a concurso este ano – Inner Ghosts e Mutant Blast.

A marcar presença no festival, a organização frisou a presença do australiano Leigh Whannell (um dos criadores das séries Insidious e Saw), de Xavier Gens e Pascal Laugier (nomes do terror extremo francês, tendo Laugier cancelado a vinda ao festival, entretanto), de Paco Plaza (mente por detrás da série espanhola REC) e de Luís Sequeira (figurinista luso-canadiano nomeado ao Oscar este ano, por A Forma da Água).

A secção Serviço de Quarto, este ano, conta com filmes dos cinco continentes, o que foi realçado pela organização, tendo sido implementado este ano, pela primeira vez, um prémio do público, reservado aos filmes da secção.

Por fim, após um relevar da exclusividade da exibição de The Nun, numa das suas primeiras exibições mundiais ao público, estava em marcha a primeira sessão de cinema do festival na Sala Manoel de Oliveira.

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Die Vierhändige / Four Hands – 6/10

(Secção Prémio Melhor Longa de Terror Europeia)
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Fonte: Divulgação/MOTELX

Thriller psicológico de origem alemã, Four Hands é um olhar sobre a relação entre duas irmãs, 20 anos depois de um crime brutal as ter marcado e, agora, a necessidade de vingança da mais velha.

De progressão talvez demasiado lenta, as particularidades do enredo, rumo à vendeta, por vezes perdem-se. A fita de Oliver Kienle é, contudo, um verdadeiro showcase para as co-protagonistas, Friederike Becht e Frida-Lovisa Hamann, que se entregam por completo ao papel das irmãs Jessica e Sophie, respetivamente.

Personagens em pólos opostos, a dinâmica alternada das mesmas propicia duas grandes performances das atrizes, numa dualidade que mantém Four Hands nunca menos que cativante.

Uma reviravolta verdadeiramente inspirada, e completamente inesperada, eleva Four Hands memoravelmente, culminando assim uma intrigante obra, esta que terminou o primeiro dia de MOTELX na Sala 3 do São Jorge.