Através das tours Invisible Zagreb, os sem-abrigo da capital croata expõem a crueza de uma vida sem teto e apresentam factos sobre a pobreza extrema ao mesmo tempo que mostram a cidade.

Um parque ou uma estação de comboios podem ser paragens banais para a maioria das pessoas, mas ganham outro significado para os sem-abrigo. Enquanto a primeira é um local quase proibido para esta parte da população, o segundo é um espaço determinante para a sua sobrevivência no inverno.

Para expor esta problemática e mostrar um mundo paralelo desconhecido da cidade foram criadas estas visitas guiadas. O projeto é o resultado da parceira entre a associação Fajter e a agência responsável por projetos sociais, Brodoto.

O percurso

As visitas guiadas abrangem não só o centro da cidade, como cozinhas públicas, estação de comboios, parques e mercados, uma vez que estes espaços são a base da vida dos sem-abrigo.

O ponto de encontro é no parque Tomislav, onde começa o passeio que mostra o outro lado de Zagreb. Ao Lonely Planet, Branimir Radaković da Brodoto, explica que este local é um primeiro indício dos grandes contrastes que existem:

“As pessoas veem inicialmente a beleza da relva, fontes, bancos e normalmente veem [o parque] como um lugar para descansar, relaxar, divertir-se. Para os sem-abrigo é completamente o contrário. Não se podem deitar porque a polícia pode retira-los de lá”.

Esta restrição de acesso está ligada à lei existente na Croácia que é bastante dura para com os sem-abrigo. Estes também não podem entrar na maior parte dos restaurantes e cafés, daí a importância que as estações de comboio têm nas suas vidas.

O circuito da Invisible Zagreb é gratuito e sem fins lucrativos, funcionando através de donativos que serão direcionados para o auxílio de pessoas que vivem em condições de pobreza na cidade. As reservas podem ser realizadas através da página de Facebook ou no próprio site oficial.

A população sem-abrigo na Croácia em números

Atualmente, existem mais de 2500 pessoas a viver nas ruas da Croácia, revelou Radaković à Lonely Planet. Destas, cerca de metade vive apenas na capital, ainda que o membro da Brodoto acredite que o número é superior ao conhecido.