Saramago
Foto: VisualHunt

O sexto caderno de Saramago já tem data de lançamento confirmada

No dia 8 de outubro celebram-se 20 anos da atribuição do Prémio Nobel a José Saramago. O mesmo número de anos que foram necessários para a publicação deste livro, um diário inédito do escritor. O volume VI, ou O Último Caderno de Lanzarote, será publicado na mesma data.

A data de lançamento foi confirmada na passada quinta-feira (30), pela Porto Editora, numa apresentação onde revelou as novidades da rentrée, que teve lugar na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa.

José Saramago viveu sempre em Portugal até 1994. Nesse ano, tendo sido alvo de censura pelo governo de Cavaco Silva a propósito da candidatura ao Prémio Europeu de Literatura, mudou-se para Lanzarote. Viveu lá até morrer, mas a eternidade veio passá-la a Lisboa: as suas cinzas estão enterradas debaixo da oliveira à frente da Casa dos Bicos, onde está sediada uma fundação com o seu nome.

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Os Cadernos de Lanzarote

Indo para Lanzarote, iniciou a escrita de um diário, intitulado os Cadernos de Lanzarote. O primeiro volume foi publicado ainda em 1994. São desabafos do próprio autor sobre a vida, sempre no seu tom mordaz, tão típico da sua escrita.

“Este livro, que vida havendo e saúde não faltando terá continuação, é um diário”, lê-se no primeiro volume. E continuou. Um ano depois, voltou a publicar o volume II, que nos mostra um pouco da vida literária e política do escritor. O terceiro tem excertos da sua vida, entre 1993 e 1995, escrito entre Lanzarote e as suas viagens pelo mundo, alterando serenidade e indignação. O volume IV é escrito integralmente em Lanzarote, mas inclui os pensamentos do laureado sobre a vida que lhe chega através das notícias de todo o mundo. O V, último publicado em vida, mostra-nos a sua opinião sobre tudo. Em 1998 deixou de os publicar.

Em fevereiro deste ano, Pilar del Rio, viúva de José Saramago, descobriu, por acaso, um ficheiro que continha exatamente o início de mais um volume dos Cadernos de Lanzarote. Volume esse que, aliás, Saramago já tinha anunciado que ia publicar em 2011, mas que não estava ainda completo. A vida trocou-lhe as voltas, mas Pilar repôs a intenção inicial do escritor.

Pouco sabemos sobre este livro – mas estamos desejosos de o ler. Para já, confiando nas palavras de Pilar, este último inédito aborda parte do ano de 1998 e as reações à receção do Prémio Nobel, bem como duas entradas do ano de 1999.

Podemos, porém, sem querer estragar a leitura, deixar o final do livro. A última palavra que é escrita por Saramago é “digna”. Não é que seja uma crítica ao país nem à política. Contextualizando: o escritor conta como estava a comprar meias numa loja e foi reconhecido por uma cliente enquanto as estava a experimentar. Sobre isso comenta que “não estava numa posição muito digna”.

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