Depois da consulta pública feita à população europeia, Jean Claude Juncker garantiu que pretende terminar com a mudança de hora, em declarações à televisão pública alemã ZDF.

Na consulta pública, que a Comissão Europeia lançou online em julho, participaram quase cinco milhões de cidadãos europeus e os resultados foram claros: 80% são a favor do fim da mudança de hora e desejam que a hora de verão seja mantida durante todo o ano.

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A proposta vai ser feita, esta sexta-feira (31), pela Comissão Europeia e terá de ser aprovada pelo Parlamento Europeu, chefes de Estado e governo da União.

Todos os estados-membros mudam a hora dos relógios duas vezes por ano. Fora da União Europeia, são conhecidos casos como o da Turquia e da Islândia, que já aboliram a prática, ou ainda de Israel, que não tinha mudança da hora e passou a ter.

Como surgiu a ideia da mudança de hora?

Aconteceu pela primeira vez a 30 de abril de 1916, em plena Primeira Guerra Mundial. O objetivo era minimizar o uso de iluminação artificial, e, consequentemente, economizar combustível para o esforço de guerra.

A Alemanha foi a primeira a mudar a hora, em 1916. Portugal adotou a mudança nesse mesmo ano.

Faz sentido continuar com a mudança de hora?

Hoje em dia, a prática permanece não por uma questão de necessidade económica, mas sim pela comodidade da população. Os dias com mais sol são maiores e os dias em que o tempo é menos brilhante são mais curtos.

E se a proposta for aprovada?

Para Portugal as vantagens vão ser poucas, segundo o diretor do Observatório Astronómico de Lisboa, Rui Agostinho. Em Portugal, as implicações vão ser sentidas entre meados de novembro e meados de fevereiro. “O sol vai nascer por volta das 9h da manhã“, explica em entrevista à TSF. Opinião diferente tem Teresa Paiva, neurologista e especialista em sono, que defende que “devemos estar sempre tão perto quanto possível da hora solar” e para quem há “mais vantagens do que inconvenientes” em acabar com a hora de inverno.

Toda a movimentação de massa que existe de deslocação para os empregos e para as escolas é feita ainda com estrelas no céu. Ou seja, às 7h/7h30, o corpo não está naturalmente a querer acordar. As pessoas irão conduzir para o trânsito ainda meio adormecidas, as crianças entram na escola e não dá para fazer começar a fazer aprendizagem porque o corpo ainda quer repouso“, sublinha Rui Agostinho.

Joaquim Moita, especialista em medicina do sono, em declarações à Lusa, defende que o fim da hora de inverno poderá ser prejudicial sobretudo para as crianças.

O resultado não será benéfico e o desempenho cognitivo e físico podem ficar comprometidos. As crianças e os adolescentes já deviam ir bem acordados para a escola e, para acordar bem, o cérebro precisa de exposição ao sol, à luz solar“, explica.

Teresa Paiva contrapõe, também em declarações à rádio informativa, e sublinha que “a mudança de hora já não se justifica, uma vez que a medida teve como origem a poupança energética. Agora as pessoas usam a eletricidade durante o dia muito mais que antes… Já não há uma grande diferença entre as horas da manhã e da noite. As pessoas estão sempre a trabalhar ou a fazer alguma coisa“.

Até agora, todos os anos, no último domingo de outubro os relógios atrasavam 60 minutos. Em março, voltavam a adiantar uma hora. Talvez em 2018 tenha sido a última vez.