O realizador Alfonso Cuarón garantiu que o seu novo filme, Roma (2018), irá ser distribuído tanto pela plataforma de streaming Netflix como pelos cinemas de todo o mundo. A declaração parte também do diretor executivo da produtora Participant Media, David Linde.

Depois do aclamado thriller espacial Gravidade (2013), Roma surge como uma crónica a preto e branco sobre um ano na pele de uma família de classe média na Cidade do México dos anos 70. Isto torna a obra bem mais pessoal (o realizador nasceu na capital do México) do que o anterior filme de Alfonso Cuarón, e portanto previsivelmente menos comercial. O realizador afirmou o mesmo:

Um filme como este, em espanhol, indígena, a preto e branco e um drama, não um filme de género, nós sabemos que teria uma enorme dificuldade em encontrar lugar para só ser mostrado nos cinemas“, assumiu Cuarón. “É claro que a situação ideal seria mostrá-lo num ecrã gigante em sala“, explicou.

Chegar ao público por duas vias

Antes de venderem o filme à Netflix, tanto o cineasta mexicano como a produtora americana Participant Media pensaram sobre como chegar ao público através de um novo tipo de distribuição híbrida, contou o produtor executivo David Linde.

Por sua vez, Alfonso Cuarón justificou, em conferência de imprensa, onde foi aplaudido pelos jornalistas, que “[este] é um modelo de distribuição muito harmonioso“. Porém, os detalhes acerca do mesmo ainda não foram revelados.

O produtor executivo de Roma acrescentou que o objetivo é o de que o filme passe nos cinemas, mas que ao mesmo tempo possa ser visto por milhões de pessoas noutros ecrãs, através da plataforma de streaming. Ainda assim, David Linde sublinhou que “[a produção encontrou] um balanço“.

Em conversa com a revista Variety, Linde comentou que o mundo indie está a passar por “um momento excitante“, porque, como sugere, “[as pessoas] estão mesmo a regressar aos filmes de uma forma muito muito dinâmica“.

O mesmo reparou que esse público está aberto a ver filmes de muitas maneiras diferentes. David Linde, assim, referiu que se não notarmos nisso, “então esta nova realidade vai passar por nós“.

Alfonso Cuarón é atualmente detentor de dois Oscars, ambos pelo filme Gravidade – tanto no campo da realização, como no da edição -, tendo sido, por isso, o primeiro hispânico a levar para casa o prémio da Academia para Melhor Realizador.

Roma é a segunda colaboração entre David Linde e Alfonso Cuarón, depois do filme mexicano E a Tua Mãe Também (2001), que foi nomeado para o Oscar de Melhor Argumento Original de 2003.