As declarações do realizador foram feitas no arranque da 75.ª edição do Festival de Cinema de Veneza, enquanto presidente do júri da competição oficial. Guillermo del Toro respondeu às críticas que têm colocado o festival debaixo de fogo desde o lançamento da programação.

O Festival de Cinema de Veneza deu início a mais uma edição na passada quarta-feira (29) e encontra-se sob escrutínio desde que foi revelado que apenas um título realizado por uma mulher havia sido selecionado para a competição oficial. Falamos de The Nightingale, a longa-metragem da realizadora Jennifer Kent (The Babadook). Vinte e um filmes encontram-se em competição.

Quando questionado sobre a polémica em torno da questão da desigualdade de género que atinge também os festivais de cinema, Guillermo del Toro, o mais recente vencedor do Óscar de Melhor Realizador, demonstrou compreensão pelo tema: “Penso que o objetivo tem de ser claro e dever-se-á manter o ‘50/50 até 2020’ (compromisso subscrito por diferentes artistas que visa estabelecer paridade de género na indústria). Se assim for em 2019, melhor. É um problema real que temos na nossa cultura em geral.

Apesar disso, o realizador acrescentou também que nem tudo se resume a números e reforça a ideia de enfrentar realmente a questão: “Durante décadas, se não mesmo séculos, este assunto não foi trazido à discussão. Não é uma controvérsia, é um problema factual e tem de ser resolvido em todos os espaços, com esforço e persistência.”

Estas são palavras que, efetivamente, fortalecem a luta pela igualdade de género nos demais setores, nomeadamente no universo cinematográfico. Curiosamente, o painel de júris é composto por cinco mulheres, entre elas Naomi Watts, e quatro homens.

O Festival de Cinema de Veneza ocorre até dia 8 de setembro e, para além de The Nightingale, serão exibidos títulos tão aguardados como The Other Side of the Wind de Orson Welles e Suspira de Luca Guadagnino (o último encontra-se em competição pelo Leão de Ouro).