Vodafone Paredes de Coura 18′: Danças descomprometidas, moshes felizes e uma pool party (II)

Dia 16: Ao segundo dia, abriu-se a pista de dança

O dia nascia em Paredes de Coura e a sensação de que o fim era uma miragem deixa-nos com um conforto no coração. Ainda com as guitarras psicadélicas dos King Gizard And The Lizard Wizard nas nossas cabeças, era hora de trocar o chip. Isto porque o segundo dia tinha na ementa o groove dos Jungle, o punk-rock dos Shame ou o singelo indie rock dos Japanese Breakfast.

O calor continuava a apertar e muitos eram aqueles que decidam ir dormir para junto das margens do Taboão. Os sacos de cama multiplicavam-se e , ao som dos pássaros, repunha-se o sono perdido na noite anterior.

 

Com o iniciar da tarde, os voluntários da Vodafone começavam a distribuir pulseiras de forma aleatória pelas pessoas. Era um convite para os habituais concertos secretos – os Vodafone Music Sessions – que todos os dias do festival dão a conhecer os recônditos cantos da vila minhota através de concertos intimistas.

Mal descobrimos, corremos para junto do recinto onde tínhamos um autocarro que nos transportava para o sítio do concerto. De ante mão já sabíamos que o cenário era uma pool party e que a banda convidada eram os americanos The Mystery Lights, grupo que iria atuar no Palco Vodafone FM nesse mesmo dia.

Cinco minutos depois chegámos à pequena aldeia de Mozelos. E por lá encontrámos o cenário que imaginávamos – um bonito jardim, uma piscina convidativa, uma vista deslumbrante sobre Paredes de Coura e uma dose bem servida de psych-garage. A banda com fortes raízes no psicadelismo enraizado nos 60’s deixou crescer água na boca para o concerto que dariam no final da tarde perto do Taboão.

Regressados à praia fluvial, ainda houve tempo para ouvirmos dois concertos antes de abrirem as portas do recinto. O palco Jazz na Relva abria ao som dos portugueses Galo Cant’ás Duas e S.Pedro. A banda sonora com selo português convidada a estendermos as nossas toalhas e apanhar os últimos raios de sol. E assim o fizemos, sem arrependimentos.

O único arrependimento foi ter perdido o energético noise dos Fugly, que só conseguimos apreciar de longe enquanto fazíamos o caminho para o recinto. O que não perdemos, e ainda bem, foi o concerto dos britânicos SHAME que viajaram do Sul de Inglaterra para ficar entre as melhores atuações da edição de 2018.

Com a sua forte vertente política, os britânicos entraram em palco sem falsas modéstias. Confiantes e competentes do primeiro ao último verso, a banda encabeçada por Charlie Steen apresentou em Paredes de Coura o seu mais recente disco Songs of Praise.

Músicas como Concrete The Lick meterem Coura em delírio e originaram vários mergulhos de Charlie na multidão. “Nunca vi um mosh tão feliz como este” dizia um rapaz ao nosso lado.

Donos de um som que vai buscar influências a bandas como os Joy Division ou os Bauhaus, os SHAME são uma das esperanças de que o punk nunca vai morrer. E o seu frontman deixou isso bem claro na entrega que deixou em Coura.

A noite caía e as pessoas ainda gritavam pelos SHAME, depois da banda já ter abandonado o palco. Deixámos o anfiteatro natural e seguimos para o palco secundário. Por lá já decorria o aguardado concerto dos Japanese Breakfast, projeto a solo de Michelle Zauner. 

Apesar de termos apanhado o concerto a meio, ainda deu para nos deliciarmos com temas como Boyish ou Everybody Wants To Love You. De guitarra eléctrica na mão, a voz doce de Michelle cantou emoções fortes sob uma melodia indie pop que contagiou um público que rejubilava a cada tema. “Muito obrigado por uma estreia perfeita” – despedia-se.

De um pequeno almoço japonês passámos para uma ementa à portuguesa. Surma era a próxima a pisar o palco secundário e começava-se a formar uma bonita moldura humana para assistir à estreia da menina de Leiria no festival minhoto.

Débora Umbelino entrou em palco acompanhada por Rui, Pedro e Telmo, amigos dos First Breath After Coma. Juntos, fizeram uma introdução que desde os primeiros segundos colou os olhos do público no palco. Depois da Intro, Surma continuou sozinha a sua viagem pelos temas que a colocaram na ribalta.

HemmaPlass Massai foram temas que não faltaram no alinhamento e distribuíram sonhos grátis pelos courenses. Débora, sempre um pouco nervosa e tímida, ficava incrédula sempre que a audiência lhe mostrava o carinho que sentiam por ela. Mas Surma continuou a retribuir e deu um dos concertos mais especiais do dia.

“Tenho as melhores pessoas do mundo à minha volta, obrigada” rematava Débora antes de Nyika, última do alinhamento que até teve direito a uma viagem pelos braços dos fãs.

Antes da prometida dança dos Jungle, era hora de nos sentarmos na relva e nos deliciarmos com a indie folk dos Fleet Foxes. As canções doces da banda de Robin Pecknold embalaram um público que soube retribuir o carinho que vinha do palco. Seja acompanhando com palmas, seja cantando em coro hinos como Hite Winter Hymnal ou Mykonos.

Apesar da qualidade musical dos rapazes de Seattle, as melodias dos Fleet Foxes adormeceram os corpos presentes no anfiteatro natural. Felizmente, a pista de dança estava prestes a abrir e a promessa era a de colocar todos os esqueletos a mexer.

Tom McFarland e Josh Lloyd-Watson entravam num palco sem luzes algumas. Da plateia sentia-se um êxtase que passou a movimentos de dança quando a festa começou. Platoon abria o concerto e até os mais cépticos levantaram os pés da relva.

O groove dos britânicos estava ali para ser de todos. Depois da primeira música, o público de Coura já estava nas mãos dos Jungle, que desde logo ficaram visivelmente impressionados com a recepção dos portugueses. O alinhamento prossegui e houve espaço para mostrar músicas novas que farão parte do próximo disco do grupo lançado a 14 de setembro.

House In LA, Casio e Happy Man não deixavam que a dança parasse. A plateia dançava e os Jungle daçavam com ela. Seguiu-se uma homenagem à falecida Aretha Franklin com a faixa Lemonade Lake – “Vamos continuar a ter a música dela bem viva” – atirou McFarland.

Já perto do fim, ainda houve tempo para ouvir Busy Earning – que pôs o público de Coura a cantarolar enquanto batia palmas e dançava à 80’s. A despedida foi feita ao som de Time, outro grande hit do primeiro disco de 2014. Entre o público parecia unânime – “melhor concerto até agora” – foi a frase que ouvimos muitas vezes enquanto ainda nos preparávamos para dar mais um pé de dança no palco secundário.

Os After Hours do festival tiveram uma aposta muito forte na edição deste ano. Depois de no primeiro dia dançarmos ao som de Conan Osiris e Nuno Lopes, o segundo dia tinha os Confidence Man como nome maior. Os australianos deram um espectáculo de louvar. Ritmo, luz, danças descontroladas e uma identidade estranhamente cativante conquistaram Coura. A dança ainda continuou para os mais resistentes ao som de Young Marco.

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