Livros de fantasia portugueses? Existem e recomendam-se

Fantasia assume-se como alternativa ao desencanto. O que começou por ser um produto de culto tem vindo a tornar-se um produto de massas graças ao trabalho de autores nacionais – cada vez mais jovens e em maior número.

Um olhar pelas livrarias, bancas de rua ou catálogos das editoras revela a existência de dezenas de sagas, trilogias e afins. O público procura, compra e lê. Mesmo com 20 anos de atraso em relação à tradição inglesa e norte-americana, a literatura fantástica portuguesa é cada vez mais procurada.

Fica a conhecer as principais e mais recentes obras dos autores que mais marcaram a literatura fantástica em Portugal, desde o início do século.

A Dança de Pedra do Camaleão, de Ricardo Pinto

Ricardo Pinto

Ricardo Pinto, emigrante português radicado na Escócia, entrou de rompante na literatura fantástica. “Tolkien português”, como foi considerado pela crítica internacional. Viu a sua trilogia A Dança de Pedra do Camaleão ser publicada na Grã-Bretanha, Estados Unidos, Alemanha e Holanda, antes de chegar a Portugal, em 2003, pela Editorial Presença.

A Dança de Pedra do Camaleão é uma história sobre poder, opressão e diferença que oscila constantemente entre o realismo e o fantástico, sem nunca se permitir ancorar totalmente numa parte ou noutra. Dá aos leitores um império governado por uma elite que se vê a si mesma como divina e que governa com um pulso cruel e um protagonista que sofre de exílio, traição e um ardente desejo de vingança.

A trilogia de Ricardo Pinto é composta por Os Escolhidos, Os Guardiães dos Mortos e o Terceiro Deus e podes encontrá-la disponível aqui.

O Terceiro Deus, último livro de A Dança de Pedra do Camaleão
A Dança de Pedra do Camaleão

O Terceiro Deus, chegou às livrarias portuguesas em 2010 e mostra como acabar uma das epopeias mais notáveis das últimas décadas da literatura fantástica.

Genocídio. Sangue. Na sequência do massacre das tribos do Céu e da Terra, Carnelian Suth jura pôr fim à carnificina levada a cabo por Osidian Nephron, o Deus-Imperador. No entanto, a sua sede por vingança contra quem lhe usurpou o trono provoca a ira dos Mestres, responsáveis pela governação da Comunidade. A guerra é inevitável e Carnelian vê-se forçado a aliar-se com o seu pior inimigo para garantir a sobrevivência a todos os que lhe são queridos. No fim, Carnelian compreenderá o seu papel em revelar os segredos mais atrozes e a desencadear o caos sobre o seu mundo e em revelar segredos mais atrozes.

A Alvorada dos Deuses, de Filipe Faria

Filipe Faria

Filipe Faria é um dos maiores nomes da Fantasia portuguesa. A descoberta de Tolkien Bestiary ajudou a fomentar a sua paixão pela escrita e pelo universo fantástico. Sobre o género fantástico, o autor português fala com carinho. Ao Espalha-Factos lembrou como lhe ofereceu tudo aquilo, que enquanto escritor, podia desejar: “a liberdade sem limites de um género que nunca os teve”.

As Crónicas de Allarya assinalam a sua estreia no mundo literário, em 2001. A Alvorada dos Deuses foi publicada pela Editorial Presença em novembro de 2015 e podes encontrá-la disponível aqui.

A mais recente obra de Filipe Faria levou 10 anos a ser concebida, conheceu todo o tipo de reviravoltas e acabou por vir ao mundo na forma de um livro. “É a primeira história que escrevi na qual posso dizer sem reservas que há uma mensagem que procuro transmitir”.

A Alvorada dos Deuses

A Alvorada dos Deuses conta a história de um padre em busca de respostas para a sua crise de fé. Essa busca leva Berardo de Varatojo, no inverno de 1477, à Islândia, mas antes de encontrar as respostas que procura é raptado. Os seus captores afirmam ser Deuses, os destinados a sobreviver a um Crepúsculo dos Deuses que Berardo nunca tinha ouvido falar.

No entanto, os seus captores não foram os únicos sobreviventes do Crepúsculo dos Deuses. Um mal antigo persegue-os até às entranhas fogosas de Thule (Islândia), onde Deuses e crenças vão entrar em confronto que vai pôr o destino da Humanidade em jogo.

 

 

As Crónicas do Mar e da Terra, de Sandra Carvalho

Sandra Carvalho

Sandra Carvalho tem hoje um lugar cativo entre os mais destacados autores de fantasia da língua portuguesa. Cresceu dividida entre: “o mundo real e os incontáveis universos criados” pela sua mente e foi a coragem de os revelar que deu origem a dois dos maiores marcos da literatura fantástica portuguesa.

Foi com a Saga das Pedras Mágicas que abriu de rompante as portas para o universo fantástico, em 2005. O seu mais recente trabalho, As Crónicas da Terra e do Mar, chegou às prateleiras portuguesas em 2015, por intermédio da Editorial Presença. O Grito do Corvo, o seu último livro, é de junho do ano passado e podes encontrá-lo disponível aqui.

As Crónicas do Mar e da Terra é a trilogia que cumpre o desejo de Sandra Carvalho em se dedicar à História de Portugal, mas da perspetiva de uma autora que respira no universo da fantasia. Um romance de ficção histórica em que a intenção da autora portuguesa não é centrar-se exclusivamente na verdade irrefutável dos factos, nem simplesmente devanear pelos trilhos da imaginação. Podes encontrar a trilogia disponível aqui.

O grito do Corvo, último livro de As Crónicas do Mar e da Terra
Grito do Corvo

Depois de O Olhar do Açor e de Filhos do Vento e do Mar, O Grito do Corvo vem fechar uma saga. Os piratas do Rouxinol veem-se cada vez mais afastados do seu prémio – o ouro da galé castelhana Niña del Mar – por causa dos estragos causados por uma violenta tempestade. A descoberta da verdadeira identidade de Leonor e o seu destino origina um motim a bordo.

O que Leonor mais deseja é lutar ao lado dos companheiros e recuperar a confiança de Corvo, mas Tomás Rebelo continua a precisar dela para alcançar as Águas Santas. Conseguirá Leonor chegar incólume à ilha das Flores, conhecer o Açor e abraçar a irmã ou será abandonada por Corvo à mercê de Tomás?

Wounds in the Sky, de V. R. Cardoso

V. R. Cardoso

Vasco Cardoso assina como V.R. Cardoso, nasceu no Porto e só escreve em inglês. Cresceu no que considera “uma dieta saudável de romances de fantasia, jogos de computador e sonhar acordado” e a paixão pela escrita desde cedo se afirmou.

O mais recente autor da literatura fantástica portuguesa que ainda não conquistou um lugar nas prateleiras dos portugueses tem o seu trabalho disponível aqui.

The Dragon Hunter and the Mage é o começo da saga do autor português. Um imaginário recheado de dragões ferozes, Deuses vingadores, magia proibida. A história de dois irmãos, Aric e Fadan, onde um irá treinar como um caçador de dragões e o outro tropeça em poderes mágicos que lhe podem trazer a morte.

The Shadow of the Fallen Gods, segundo livro de Wounds in the Sky
The Shadow of the Fallen Gods

“Se nem a morte pode parar um Deus, o que pode?”. Aric talvez tenha encontrado uma nova casa e uma nova família no deserto, mas o emperador volta a aparecer e Aric volta a tornar-se um homem perseguido. No Norte, Fadan procura apoio para uma rebelião fragmentada por políticas e interesses pessoais.

No entanto, não são apenas as guerras dos homens que ameaçam o mundo de Arkhemia. Eliran, na sua missão sangrenta, descobre que o Círculo tem em sua posse um artefacto intemporal, criado pelos próprios Deuses. Guerra e caos estão iminentes. Quem irá parar os planos sinistros do Círculo? Será tarde demais?

The Shadow of the Fallen Gods é o segundo livro da saga fantástica de V.R. Cardoso e ainda não chegou às livrarias, mas podes encontrar o acesso antecipado aqui.

Terrarium, de João Barreiros e Luís Filipe Silva

Terrarium

O clássico da ficção-científica portuguesa, assinado por João Barreiros e Luís Filipe Silva, celebrou 20 anos, em 2016, com uma edição comemorativa, lançada pela Saída de Emergência que os autores rechearam de material inédito. A versão original está disponível aqui.

Terrarium, um livro começado por João Barreiros que, mais tarde, convidou Luís Filipe Vieira para o ajudar a terminar o livro. Um “romance em mosaicos”, composto por histórias que se entrecruzam, e que permite aos autores manter uma “independência narrativa, e garantir a perspetiva fragmentada de um universo”.

“Bem-vindos ao futuro e ao colapso de todas as utopias por nós sonhadas.” O clássico da ficção-científica portuguesa começa com o colapso da Fortaleza Europa já a meio do novo milénio. Bruxelas é uma cratera radioativa e a temperatura aqueceu até fazer da Europa uma região tropical. À noite, em vez de serem as estrelas a brilhar no céu, são as naves extraterrestres.

É neste cenário pós-apocalíptico, de ficção científica pura e dura, que o destino da humanidade passa por resistir àqueles que querem transformar o planeta num lugar de consumo, prestes a ser assimilado: um Terrarium.

Cinzas de um novo mundo, de Rafael Loureiro

Cinzas de um novo mundo

Cinzas de um novo mundo é o mais recente grito português no universo de ficção científica, de setembro de 2016, lançado pela Editorial Presença. Rafael Loureiro, autor da mais conhecida trilogia Nocturnus.

Cinzas de um novo mundo passa-se em 2111. O mundo vive enclausurado numa nuvem de poluição. É um mundo novo, que vê as pessoas a lutar nas ruas das cidades por ar puro e dignidade.

Os Tecnal, soldados com implantes mecânicos, foram proscritos pela sociedade e deixados para morrer. Os que sobreviveram eram dependentes de uma droga potente e perseguidos por uma polícia especial. Filipe é um agente desta força policial que depressa fica dividido entre o seu dever perante a lei ou o seu instinto. Embrenhado naquele submundo, cedo descobre que os Tecnal podem ser a chave para uma verdade maior.

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