Deccan Chronicle

Quando Mark Wahlberg disse “não” a Martin Scorsese

O ator Mark Whalberg rejeitou, inúmeras vezes, encarnar Dignam em The Departed – Entre Inimigos (2006) de Martin Scorsese. Trabalhar com tal realizador seria um sonho para qualquer um, mas Whalberg simplesmente não via interesse em representar na sombra de Leonardo DiCaprio e Matt Damon.

‘The Departed’ foi interessante porque eu não estava comprometido em fazer um filme e o meu agente disse ao Marty [Scorsese] que estava“, declarou Mark Whalberg numa entrevista de retrospetiva da carreira à revista CG. “O Marty ligou-me e estava tão excitado por fazermos este filme juntos“, continuou. “Eu disse, não vou fazer o filme. Queria um papel diferente, e queria algumas outras coisas diferentes. Tínhamos falado sobre fazê-lo durante muito tempo, mas as coisas aconteceram e o estúdio levou a coisas diferentes. Disse ao Marty que não queria fazê-lo“, contou o ator.

Durante a entrevista, que pode ser visualizada aqui, Mark Whalberg relembrou a reação de Martin Scorsese à sua rejeição. O realizador ficou então em silêncio por um minuto e, por fim, apenas disse “ok“.

O agente de Whalberg foi de imediato conversar com o ator. “What the fuck?“, foi o que o agente perguntou ao ator que tinha acabado de rejeitar um dos realizadores mais conceituados no mundo. “Vai lá falar com Scorsese“, ordenou o agente a Mark Whalberg. Apesar da falta de vontade de Whalberg em participar do filme, tanto Martin Scorsese como o seu agente sabiam que este era o papel indicado para si.

Não vais a bem, vais a mal

O ator relatou o episódio em que, depois de ter já rejeitado o papel por múltiplas vezes, foi ainda enfrentar o realizador de O Touro Enraivecido (1980), Martin Scorsese. “Eles puseram-me num avião no fim-de-semana para ir ao escritório do Marty“, revelou o ator. “Li o guião outra vez, e estava bastante irritado e disse outra vez que não o ia fazer. O Marty disse-me: Olha para este papel, olha para o que podes fazer a todas estas pessoas“, recordou Whalberg.

O realizador sabia que Mark Whalberg era do mundo de Boston, onde se ia passar o filme, e que portanto o ator estaria preparado para o filme. Foi então que Whalberg confessou o que o fez mudar de ideias: “(…) e eu falei com ele sobre improvisar e fazer a minha própria cena e ele disse: meu, és livre de fazeres o que quiseres“.

Martin Scorsese é já dos da velha guarda no que toca a incentivar os seus atores a improvisar. Tanto Robert De Niro, em Taxi Driver (1976), como Joe Pesci, em Tudo Bons Rapazes (1990) tiveram os seus momentos icónicos de improviso. É verdade que Pesci foi mais longe, e conseguiu arrecadar o Oscar. De Niro, por sua vez, ficou-se pela nomeação.

Já Mark Whalberg, com isto, foi mais longe do que nunca: fez o filme, que venceu o principal prémio da Academia, e arrecadou uma nomeação ao Oscar de Melhor Ator Secundário – feito que não mais se voltou a repetir.

Mais Artigos
Grammys 2021. Melhor Performance Rock
Grammys 2021. Mulheres dominam pela primeira vez categoria de Melhor Performance Rock