Paddy Cosgrave, fundador da Web Summit, retirou o convite a Marine Le Pen para fazer parte do painel de oradores da conferência de tecnologia. O anúncio foi feito esta quarta-feira (15) no Twitter do empresário.

Numa série de tweets, Cosgrave referiu que a decisão é baseada “em conselhos recebidos” e também na “massiva reação online durante a noite“, que o levou a concluir que a presença da líder de extrema-direita “é desrespeitosa, em particular com o país anfitrião“. “É também desrespeitosa para algumas das dezenas de milhares de participantes de todo o mundo que se irão juntar a nós“, concluiu.

Marine Le Pen, que chegou a ser dada como retirada da lista de oradores, foi descoberta pelo Espalha-Factos nessa mesma lista, mas algumas ‘filas’ abaixo daquela onde aparecia inicialmente na lista de speakers do evento.

Web Summit quer ser “plataforma reconhecida pelo debate rigoroso”

A líder, conhecida pelas suas posições anti-imigração e pelo apoio ao discurso islamofóbico, foi a segunda colocada nas Eleições Presidenciais de 2017 em França. A sua vinda a Portugal foi qualificada como “normalização do fascismo”.

Paddy Cosgrave considera que “o tema do ódio, da liberdade de expressão e das plataformas tecnológicas é uma das questões definidoras de 2018“, sublinhando que irá “redobrar esforços para abordar na Web Summit, com mais cuidado, este assunto complicado“.

Na Web Summit, temos a ambição de ser uma plataforma reconhecida pelo debate rigoroso. Nos últimos anos, nós acrescentámos palcos públicos e privados exclusivamente dedicados ao diálogo robusto em temas contenciosos e definidores do nosso tempo, mas ainda temos muito que aprender“, continuou o fundador da conferência.

Além disso, Paddy Cosgrave terminou demonstrando estar aberto a “quaisquer sugestões” sobre aquilo que “pode ser apropriado, e também inapropriado de debater num conjunto de questões que estão a afetar a tecnologia e a sociedade“.