O último fim de semana, 10 e 11, ficou marcado para o povo transmontano pelo regresso do Festival Carviçais Rock. A música voltou à boleia de Linda Martini e Capitão Fausto, cabeças de cartaz. 

As portas abriram às 21h, de sexta feira (10), mas perto das 22h, hora esperada para o início dos concertos, poucos eram os festivaleiros. Vindos de Coimbra, Flying Cages estrearam o palco do Carviçais Rock, para um público ainda tímido. A noite esperava ainda as atuações de PAUS, Linda Martini, Francisco Cunha e ChamParty.

No segundo dia do festival, viriam a atuar ainda Capitão Fausto, Manuel Fúria e os Náufragos, Lazy Eye Society, Kiss Kiss Bang Bang e Bruno Mazeda.

Antes dos concertos, o Espalha-Factos esteve à conversa com Linda Martini, PAUS e Capitão Fausto. Os grupos falaram um pouco sobre os novos álbuns.

Dia 1

A banda cabeça de cartaz foi, sem dúvida, a mais esperada da noite. Longa tinha sido a espera quando, pouco depois das 2h, subiram ao palco Linda Martini. Semi Tédio dos Prazeres abriu aquele que viria a ser um concerto onde se ouviriam tanto músicas do novo álbum como se revisitariam êxitos de outros álbuns.

No camarim, André Henriques e Pedro Geraldes mostraram-se orgulhosos pelo trabalho conseguido com o novo álbum, homónimo. “Queremos muito tocar este disco que acabamos de fazer, do qual estamos muito orgulhosos. Sentimos também que tem tido uma boa receção por parte do público“, declarou Pedro Geraldes.

Sobre o novo disco, Linda Martini, os músicos contaram não estar ligada ao facto de sentirem ou não que estão no auge da carreira.

“O título do disco não tem a ver com essa ideia de acharmos que este é o melhor disco que já fizemos ou que isto consagra de alguma forma a banda. Teve única e exclusivamente a ver com o facto de o Pedro se ter cruzado novamente com a amiga Linda Martini, que emprestou o nome à banda, em 2003. Aconteceu que lhe tirou uma fotografia, que nós tínnhamos guardada, e voltamos a recuperar para este disco porque achamos que a fotografia era muito bonita e dava uma excelente capa.”

A banda acredita ter ainda muito caminho pela frente e manifestou ainda o desejo de que os próximos álbuns sejam melhores. “Dá pica para fazer os discos seguintes. Sentires que isto é a melhor coisa que podíamos fazer até agora e, para a frente, que venham outros momentos que nos inspirem, de outra forma, para tentar fugir deste ou aprender com o que fizemos“, explicou Pedro Geraldes.

Sobre o concerto na aldeia do Rock, o grupo mostrou-se curioso com a atuação que se seguiria. E a banda cumpriu com o prometido, além das músicas de Linda Martini, álbum, foram também revisitados alguns êxitos como Amor Combate ou Ratos.

Boca de Sal e Gravidade, do último álbum, foram dos temas mais cantados. 100 Metros Sereia fechou o concerto.

Pouco antes, PAUS aqueceram o público transmontano, num concerto que foi também uma procura pelos próprios. Ao Espalha-Factos, Joaquim Albergaria contou que “temos um novo álbum com um lado visual bastante acentuado, que não tínhamos em concertos anteriores, isso vai ser novo.

O concerto pautou-se por uma constante chamada da banda, que apelou várias vezes ao lema do festival, “Sente, vive e desfruta o poder da aldeia”, pelo público. Madeira, single do novo álbum encerrou o concerto onde também voaram baquetas.

A abertura do Carviçais Rock ficou a cargo de Flying Cages, que pelo atraso de mais de 1 hora, não puderam completar a atuação como tinham programado.

O DJ Francisco Cunha e ChamParty animaram o resto da madrugada, para um público em menor número do que viria a ser no dia seguinte.

Dia 2

O passado sábado levou à aldeia transmontana o que de bom se faz na música portuguesa. No segundo dia do festival, o público estava em maior número e a animação foi notória.

Capitão Fausto foram a banda mais esperada da noite. Antes disso, foi tempo de ouvir jovens talentos. Lazy Eye Society nasceram há quatro anos e pisaram este sábado o palco do Carviçais Rock. Seguiu-se Manuel Fúria e os Náufragos com a segunda atuação da noite.

O ambiente era ainda calmo quando a banda formada em Coimbra começou o concerto, mas rápido animou. Lazy Eye Society entraram com toda a energia, que foi contagiante e carregou as baterias do público.

O público transmontano respondeu muito bem e ficámos surpreendidos, até porque a malta estava a apoiar imenso. Ficámos muito felizes e acabou por ter uma boa receção“, contou Bernardo Rocha, vocalista da banda.

Em setembro, a banda lança novo single, que antecipa o álbum a ser divulgado em fevereiro do próximo ano.

Manuel Fúria e os Náufragos foram a segunda atuação da noite e os suspensórios, imagem de marca, não faltaram. Com as influências de Heróis do Mar e António Variações, Manuel Fúria fez juz à língua portuguesa.

De guitarra em punho, o artista revisitou alguns temas da sua carreira. Canção Infinita não ficou de fora. Foi também tempo de ouvir Vá lá Senhora, do tempo em que fazia parte do extinto grupo Os Golpes.

Aproximava-se o momento de Capitão Fausto subirem ao palco. Inúmeras foram as ovações, assobios e palmas para os receber. Entre alguns cigarros e afinações de guitarra, mesmo a meio do concerto, a banda provou a calorosa receção transmontana.

Sobre o novo álbum, Domingos contou ao Espalha Factos que este vai ser diferente dos já lançados. “Este álbum é mais próximo da altura em que fizemos o Dias Contados. Por isso, embora eu ache que ele seja muito diferente em muitas coisas, ele ainda tem uns toques do Dias Contados, mas é substancialmente diferente“, explicou o músico.

“Não são nem Teresas nem Super Novas, nem músicas do outros discos.”

Quanto ao Brasil como casa para gravar o novo álbum, a banda explicou que “para uma banda, a ideia de ir para um sítio desconhecido, fora do seu contexto, é refrescante.” A proposta surgiu em parceria com a Red Bull e a banda respondeu de forma positiva.

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O concerto pautou-se por uma interação constante entre a banda e o público, que criaram uma atmosfera comum. Morro Na Praia encerrou a atuação e ficou expressa a vontade da banda voltar na próxima edição.

Durante o festival, houve ainda tempo dos tradicionais caretos destabilizaram os festivaleiros com as suas latas. Os sustos, risos e corridas animaram o último dia.

A madrugada foi ainda animada pela dupla Kiss Kiss Bang Bang e o DJ Mazeda. Ficou fechada a edição de 2018 do festival transmontano, que regressa no próximo ano.