Se estás à espera do próximo episódio de Sharp Objects e não te cansas das mulheres problemáticas da escritora Gillian Flynn, talvez esteja na altura de espreitares o conto The Grownup.

Depois do sucesso da adaptação cinematográfica de Gone Girl e com a série inspirada em Sharp Objects a passar na HBO americana, é normal querer ler mais de Gillian Flynn. A autora não publica nada de substancial desde Gone Girl, em 2012. Mas os mais curiosos podem matar saudades com The Grownup, um conto que mistura o sobrenatural com as personagens complicadas e a podridão da natureza humana que Flynn gosta de explorar.

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The Grownup foi publicado em separado em 2015 mas não é longo e nem sequer inédito. O texto foi originalmente publicado como conto numa antologia de George R.Martin, Rogues, com o título What do you do?.

A narradora é uma burlona que ganha a vida a ler auras e a masturbar homens num estabelecimento chamado Spiritual Palms. Quando Susan, uma mulher rica, aparece a queixar-se de que a sua casa está assombrada, a protagonista oferece-se para a “limpar” de más energias a troco de dinheiro. Mas os incidentes estranhos que se repetem na velha mansão vitoriana e os hábitos perturbadores de Miles, enteado de Susan, começam a desafiar o cepticismo da protagonista.

The Grownup é um pouco diferente do resto das histórias de Flynn. A protagonista é o tipo de personagem a que escritora já nos habituou, inteligente e manipuladora, filha de outra vigarista inconsequente e a sobreviver desde criança de pequenas burlas. Mas o conto joga com as convenções das histórias de fantasmas e as reviravoltas fazem lembrar os livros de detetives.

The Grownup

‘Pequenos Vigaristas’ de Gillian Flynn | Foto: Wook

Em Portugal, está publicado como Pequenos Vigaristas pela Bertrand Editora. Lê-se em poucas horas.

Se não te parecer apelativo, podes esperar por 2021. Já está prometida uma versão de Hamlet escrita por Flynn para o projeto Hogarth Shakespeare, que publica versões das peças do dramaturgo reimaginadas por escritores de best-sellers atuais.

A exceção à regra

The Grownup é a única história de Flynn que não foi adaptada ao cinema nem à televisão. Mas os direitos já foram comprados pela Universal, por isso talvez não se mantenha assim por muito tempo.

A adaptação de Gone Girl do realizador David Fincher, responsável por filmes como Se7en e Fight Club,  foi um sucesso estrondoso em 2014. Rosamund Pike ganhou uma nomeação para o Óscar de Melhor Atriz com a versão cinematográfica do último livro de Flynn, que conta a história do desaparecimento de uma mulher aparentemente perfeita e da forma como Nick, o marido, se torna no principal suspeito da investigação.

The Grownup

Gone Girl (2014). Foto: divulgação

Mais despercebida passou a adaptação de 2015 de Dark Places. A protagonista, Libby Day, sobrevive em criança ao massacre da família numa pequena quinta do Kansas. Ben, o irmão mais velho, é condenado pelo crime graças ao seu testemunho. Desde então que Libby vive de entrevistas e doações, incapaz de ultrapassar o trauma e de se tornar num adulto funcional. Acaba então por concordar em revisitar o crime a troco de dinheiro, e o que descobre leva-a a questionar muitas das certezas que tinha em relação à noite em que a família foi morta.

The Grownup

Dark Places (2015). Foto: divulgação.

No rescaldo do êxito de Gone Girl e com Charlise Theron no papel principal, não havia razão para Dark Places não ser um sucesso. Mas a receção crítica foi modesta e o filme acabou por passar quase despercebido. Os temas são aqueles a que Flynn já nos habituou: cidades pequenas, crimes hediondos e mulheres profundamente danificadas. Pode valer duas horas para os que estão viciados nos thrillers da autora.

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